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domingo, 12 de abril de 2020

Usar máscaras é necessário. Mas como ser INCLUSIVO diante disso?

Por: Débora Rossini 


Fala, povo! Diante da pandemia do coronavírus, vira e mexe vejo:

"-Fique em casa. Mas se, por algum caso de extrema necessidade tiver que sair, USE MÁSCARA".

Ou então:

"Cidade de [esqueci o nome agora] , por decreto municipal, coloca obrigatório o uso de máscaras caso a pessoa precise sair de casa".

Ou ainda:

"Alguns países europeus ,como a Alemanha, que já tiveram alguma queda nos casos de coronavírus, estudam as possibilidades de reabrir gradualmente os estabelecimentos - comércio, prestações de serviços, universidades - mas explicitando que o uso de máscaras seria NECESSÁRIO para que as pessoas pudessem frequentar tais lugares".

Aí fico pensando: com certeza, daqui a alguns meses, quando esse pico de contágio de coronavírus no Brasil começar a cair, vão acabar fazendo a mesma coisa. Porém, tem um detalhe: o uso (CORRETO!!!) de máscaras seria exigido - e com toda razão, pois é uma situação de saúde pública! Mas como fazer isso de forma que não aumente ainda mais a exclusão social (e até algumas situações constrangedoras e mal-entendidos) de determinadas pessoas, tais como surdas (sinalizadas e oralizadas), pessoas com Síndrome de Irlen (e outras condições visuais que as obriguem a usar óculos escuros o tempo todo, até mesmo de noite e em ambientes fechados) e pessoas de certas etnias que são estigmatizadas por racismo? A cobertura extra no rosto , tão necessária para manutenção da saúde pública, acabaria dificultando mais ainda a vida de tais indivíduos, que existem aos milhares (Leia mais a seguir o porquê!) .

MAS ISSO TEM SOLUÇÃO!!!

Que tal se as empresas, costureiras profissionais e laboratórios de universidades que estão confeccionando máscaras (para ajudar na prevenção da covid-19), fizessem também dessas máscaras, mas com material TRANSPARENTE, disponíveis à população?? [aperfeiçoando o protótipo caseiro feito por aquela moça  americana - ou aperfeiçoando o design dessas máscaras transparentes de acrílico reutilizáveis que os profissionais de saúde já estão usando, de forma a serem adequados para o cidadão comum usar no dia-a-dia?]

IRIA AJUDAR ENORMEMENTE NA INCLUSÃO SOCIAL (além de ajudar a combater um problema de saúde pública!) Olha o que aconteceria se houvesse desse produto à disposição, E OLHA COMO TAL PRODUTO TEM ALTA DEMANDA (valendo assim, o investimento na produção)!!! Vejam quem seria beneficiado com isso:

-PESSOAS SURDAS (oralizadas) que fazem uso de leitura labial/orofacial: quanto mais as outras pessoas estiverem usando máscara de material transparente, mais será possível que tais pessoas surdas consigam comunicar com elas adequadamente;

-PESSOAS SURDAS QUE USAM LIBRAS - Tanto para tais pessoas entenderem os outros quanto para serem entendidas, as máscaras serem transparentes seriam de fundamental importância, pois, como sabemos, Libras não é uma língua na qual se usam apenas as mãos para "falar", mas sim expressões faciais que as complementam fortemente!!! Ou seja, POSSIBILITA que tais pessoas se comuniquem!

-PESSOAS COM SÍNDROME DE IRLEN (OU OUTROS DISTÚRBIOS DE VISÃO EM QUE A PESSOA PRECISA USAR ÓCULOS ESCUROS COM LENTES FILTRANTES EM TEMPO **INTEGRAL** )- tais pessoas já ficam com metade do rosto coberto pelos óculos escuros; se usam máscara como as que temos disponíveis, o que acontece?? O ROSTO INTEIRO fica coberto!! Aí dificulta sua inclusão social em um monte de situações, uma vez que não dá para os outros verem os olhos delas - dificultando assim a identificação/reconhecimento, comunicação nāo verbal (sobretudo em situações onde não dá pra falar explicitamente algo, por questões de etiqueta e/ou pra evitar confusão com alguém que esteja perto, ou mesmo por segurança!!), interações interpessoais necessárias, etc. Não dá nem pros outros identificarem as expressões faciais!

Inclusive poderiam haver riscos principalmente em espaços públicos -tais como agências bancárias e lojas, ou andar por aí a noite, caso a pessoa esteja com o rosto totalmente coberto pelo conjunto composto por máscara (que não é transparente) mais os óculos escuros! -  risco de tais indivíduos serem confundidos erroneamente como "maus-elementos" por seguranças, guardas e autoridades policiais... e que, mesmo com a devida identificação por documentos, sabemos que ainda existem, sim, vários guardas e policiais com comportamento truculento, com abuso de poder contra minorias, e que aparecem aí nos telejornais. 

-POPULAÇÃO DE MINORIAS ÉTNICAS MARGINALIZADAS: As últimas linhas do parágrafo acima também se aplicam a várias delas, visto que há minorias étnicas que infelizmente ainda são estigmatizadas, e se aparecerem com o rosto coberto, muita gente inocente vai ser tachada erroneamente de mau-elemento, podendo por em risco até mesmo sua integridade física e emocional devido a racismo e preconceito. Já até li e compartilhei reportagens que mostravam casos reais sobre isso - como esta aqui,  mais esta aqui e também esta aqui.

***IMPORTANTE: SEI QUE A REGRA NO BRASIL, ATUALMENTE, É #FicarEmCasa... mas fico imaginando quem PRECISA de sair para trabalhos essenciais (usando máscara) e/ou
se daqui a alguns meses houvesse a reabertura gradual dos estabelecimentos e universidades (como já está sendo cogitado na Alemanha) e tivesse a recomendação EXPRESSA de usar máscaras para poder frequentar estes locais.

OBS: Antes que alguém refute meus argumentos dizendo que isso "é temporário e uma hora vai acabar", eu digo: sim, de fato é temporário, maaas...
1- Não sabemos quando isto irá durar, se serão vários meses... e num país de dimensões continentais como o nosso, e as tendências de mobilidade humana, não sabemos se poderá ter outro surto mais pra frente;
2-Se isso durar longos meses, pessoas com surdez vão ter sua capacidade de comunicação REDUZIDA DRASTICAMENTE,  e pessoas com óculos escuros de correção e/ou de minorias étnicas vão ficar mais inseguras em determinados ambientes e situações, devido ao encobrimento do rosto ocultando sua face e expressões, estando mais vulneráveis a abordagens policiais/de seguranças e de guardas que, SE FOREM mal-preparados, poderão ser truculentos causando constrangimentos. Isso sem contar os "ruídos" e mal-entendidos na comunicação cotidiana entre uma pessoa com Síndrome de Irlen e as demais - já que os outros não verão nem os olhos nem a boca de uma pessoa que usa óculos escuros MAIS a máscara ...e nem sempre a comunicação verbal sozinha dá conta da tarefa sem o apoio não verbal de olhares, expressões, movimentos da boca.
3-Vale lembrar que boa parte de tais pessoas já carrega consigo um histórico de vida de exclusões sociais somadas, maus-tratos, desrespeitos que deixam marcas emocionais difíceis de corrigir. Então, esse tipo de coisa, que pode parecer "bobagem" pra muita gente que não se afeta por isso, pode representar um impacto ENORME em diversas pessoas de tais minorias - danificando mais ainda a saúde mental de tais pessoas. Então, qualquer "coisinha" a mais que essa pessoa vivencia, já entra pra sua coleção negativa de experiência, deixando cicatrizes emocionais que podem ser de duração muito mais longa que a pandemia! :-/
4-Além do mais, pensem comigo: se MUITA GENTE que não é "minoria social" já está em situação emocional delicada com essa pandemia (devido a mudanças na rotina, na dinâmica familiar, no ritmo de trabalho, nas possíveis dificuldades financeiras, etc) imaginem então as minorias? Além dessas incertezas normais a todo mundo, tem as especificidades de sua condição - somando coisas que pode deixar sua saúde emocional mais vulnerável ainda, sobrecarregando o psicológico!!!

POR ISSO A IMPORTÂNCIA DE SE FABRICAREM MÁSCARAS DE PROTEÇÃO COM UM DESIGN MAIS INCLUSIVO, CERTO???

Além do mais, mesmo quando essa onda de covid-19 acabar, a disponibilidade de tal EPI "inclusivo" poderia ser um legado permanente, pois: quantos surdos vão ao dentista e médico, mas não entendem o que os profissionais com máscara branca/colorida dizem? Quantos profissionais de saúde possuem Síndrome de Irlen, usam óculos escuros, TEM que usar máscara, mas acaba impossibilitando que os interlocutores vejam suas expressões faciais?  Pois é... Seria uma grande oportunidade de inclusão de pacientes e de profissionais, não acham??  Sem contar que na história da Humanidade, podem ocorrer diversas pandemias, e é bom que já se tenha uma cultura de preparo (comportamental e de equipamentos) para quando isto ocorrer.

IMPORTANTE: Para se produzirem máscaras transparentes, é importante que tenha uma padronização liberada por algum órgão competente (OMS/ Ministério da Saúde) e **não** sair improvisando qualquer gambiarra feita de plástico por aí!! Além de colocar a saúde sua em risco, pode por a dos outros também (o material proporciona barreira de proteção adequada? Permite respiração adequada? Evita acúmulo de umidade? - que seria um "prato cheio" pro coronavírus se multiplicar ainda mais? Tem fácil higienização? Tem de considerar essas coisas!!!)  

PRA FINALIZAR: Enquanto as indústrias, confecções e laboratórios não implementam a solução proposta neste post, 

1) PELAMOOOOR DE DEUS, FIQUE EM CASA SE PUDER!!! (Vale pra TODO MUNDO que puder!) A MÁSCARA MAIS SEGURA (E CONFORTÁVEL!)  É A SUA CASA, HEHEHE!!!!

2) Pra vc que pertence a uma das minorias descritas neste texto: Em caso de emergência que tenha de sair na rua, USE A MÁSCARA QUE VC TIVER DISPONÍVEL, SIM (descartável ou de pano), mesmo com os PROVÁVEIS perrengues sociais mostrados neste post! Vamos ser racionais: de que adiantaria vc deixar de usar a máscara para evitar alguma coisa que te deixaria emocionalmente abalado, mas acabasse pegando uma doença grave que pode deixar sequelas e até matar você? Ou vai que vc teve contato com o vírus covid-19 sem saber, foi assintomático, mas pode transmiti-lo, causando doença ou óbito de algum de seus entes queridos???? Aí o prejuízo emocional seria BEM MAIOR E IRREVERSÍVEL, concorda? A ideia deste post não é de forma alguma desencorajar certos grupos de pessoas a usarem máscaras - mas, sim, mostrar uma solução que vai GARANTIR MELHOR inclusão de tais pessoas numa emergência de saúde coletiva e pública, ok?? Pense nisso! :-) 


PORTANTO, SE VOCÊ GOSTOU E CONCORDA COM O QUE FOI DITO ACIMA... COMPARTILHE ESTE POST, E FAÇA ELE RENDER UM MONTE DE DISCUSSÕES NA INTERNET!!!  

Em vez de espalhar o coronavírus, ESPALHE ESTE TEXTO!!!  É uma questão não só de saúde pública, mas de inclusão social e de cidadania!!!!!!!

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

"Ouviu falar?"

Por: Débora Rossini

Navegando na internet, dei de cara com um site muito legal, cujo nome é o título deste post!

Ele traz muitas dicas e informações interessantes sobre audição e fala - úteis tanto para quem possui problemas de audição e/ou fala, quanto para quem não tem nada disso - mas que deseja se manter informado a respeito!

Uma postagem bem interessante é intitulada "Os aparelhos auditivos substituem a audição natural?" . De acordo com o texto ( e com depoimentos de pessoas que usam aparelhos de amplificação sonora individual, lidos e ouvidos pela "Sopeira" que pilota o teclado aqui no blog) a resposta é NÃO. Tais maravilhas tecnológicas, de fato, melhoram bastante a qualidade de vida de quem escuta mal, mas não reproduzem exatamente o mecanismo da audição natural.

"-Nossa!!!! Então, como é que o pessoal com audição pouco potente procede para melhorar sua qualidade de vida, diante disso tudo?" - se você não pertence a esta turma, certamente está se indagando, curioso.

Oras, felizmente o ser humano tem uma incrível capacidade de adaptação, não é verdade? O usuário de tais apetrechos necessita desenvolver mecanismos e estratégias para conseguir beneficiar-se da amplificação de som que é proporcionada, tais como: complementação da percepção auditiva com a visual; aprender de que lado vem um som; etc. Com orientação fonoaudiológica, dá para tirar bastante proveito do aparelho auditivo!!!

Quer saber mais detalhes? Confira:
http://www.ouviufalar.com.br/audicao/os-aparelhos-auditivos-substituem-a-audicao-natural/

Só uma observação aqui: é claro que, mesmo com o aparelho e com o treinamento auditivo proporcionado pelas "fonos", são indispensáveis certas atitudes inclusivas com a pessoa que não ouve bem - pois, de todo jeito, ela vai ter alguma dificuldade em discriminar os sons... Assim sendo, há diversas pessoas que se queixam de dificuldades para falar ao telefone... ou para conversar em ambientes ruidosos... ou para manter um diálogo quando o interlocutor não está de frente para ela... em maior ou menor intensidade, esse tipo de dificuldade vai existir!

"E aí?" - você deve estar se perguntando. - "Como então, facilitar a vida dessa galera que não ouve bem?"

Os próprios membros dessa turma explicam para você, rerreré! Há blogs como "Crônicas da Surdez", "Escreve, que escuto!", "Desculpe, não ouvi", "Somos Todos Igualmente Diferentes" (dentre outros), que são escritos por pessoas com deficiência auditiva. Os dois primeiros blogs mencionados são escritos por usuários do aparelho auditivo comum (Paula Pfeifer e Rodrigo Nunes , respectivamente), e os dois últimos, por usuárias do Implante Coclear (Lak Lobato e Diéfani Piovezan, respectivamente). Nesses blogs, você poderá ver o que seus respectivos autores , a partir de suas experiências, abordam acerca desse assunto! ;-)

Boa leitura!

domingo, 13 de novembro de 2011

Delmir, o Intérprete de Libras

Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! Desculpem a "sumidinha" da blogosfera: é que vida de aspirante a matemático é um corre-corre, repleto de trabalhos e provas... ainda mais nesse fim de ano!!! Afffff!!!! Bom, mas quem tá vivo sempre aparece, tanto no mundo real quanto no virtual!! Rerrerré!!

O post de hoje é sobre o nosso leitor Delmir Rildo Alves, que é intérprete de LIBRAS. Ele concedeu uma entrevista ao site da Paróquia Sant'Ana de Lavras, sobre seu trabalho com os surdos, aqui na cidade. Veja o link: http://www.paroquiasantanadelavras.com.br/artigo/um-jovem-missionario-da-lingua-de-sinais--vale-a-pena-conferir-essa-emocionante-entrevista

Atualmente, ele cursa Letras na Universidade Federal de Lavras. Ele tem um blog, no qual ele fala sobre Letras, Libras e suas ideias acerca de suas atividades - principalmente aquelas relacionadas à inclusão! Lá vai o link: http://www.delmir.blogspot.com/
Show de bola!!! :-)

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Aulas adaptadas para surdos...oralizados!

Por: Débora Rossini

Muitas vezes, quando é abordada a questão de aulas adaptadas para atender às necessidades dos estudantes surdos, frequentemente vem à nossa cabeça a presença de intérpretes de LIBRAS em sala de aula. Certo?

Bom, mais ou menos... sabe por que?

É que, conforme já foi dito em outros posts, há uma grande diversidade entre os surdos! Tem aqueles que são usuários de LIBRAS (pelo fato de dispositivos de amplificação sonora não serem eficientes para ajudar-lhes na percepção de sons) , e tem aqueles que conseguem, de algum modo, beneficiar-se com a utilização de aparelhos de amplificação sonora individual ou implantes cocleares - de tal forma que sejam capazes de discriminar sons (ainda que parcialmente) e falar (mesmo que com uma dicção diferente da de quem ouve normalmente). O primeiro grupo é denominado de "surdos sinalizados", e, o segundo, de "surdos oralizados".

Mas isso não significa que as tecnologias de amplificação sonora sejam capazes de, por si sós, resolver e "curar" o problema dos surdos oralizados!!! Há necessidade, sim, de algumas adaptações no modo de conduzir as aulas, em uma classe que contenha alguém com tal perfil.


Então, agora você deve estar se perguntando:
"-Xiiiii, então como é que deve se proceder -principalmente em instituições de ensino- para atender da melhor maneira possível um surdo... oralizado?"

Relaxe!!! :-) Lá no blog "Desculpe, não ouvi!", da Lak Lobato, veio um post bem legal explicando sobre isso. Quer ver? Lá vai o link:
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/07/11/aulas-adaptadas/

Boa leitura!!! :-)

quinta-feira, 17 de março de 2011

Surdos Oralizados: Quem são eles?

Ooooopa!!! Olha aqui o “Plantão 'Sopa'” mais uma vez, descobrindo coisa boa na web!!! Desta vez, o “cardápio” sugerido pelos Sopeiros é o site Acessibilidade na Prática, com um texto muito legal e esclarecedor sobre os Surdos Oralizados:
http://acessibilidadenapratica.blogspot.com/2011/03/surdos-oralizados.html

O texto foi escrito pela blogueira Lak Lobato, que é autora do blog “Desculpe, não Ouvi” (cujo link está no canto direito desta página). Ela faz parte do grupo que é definido como “Surdos Oralizados”. Bom, mas aposto que você já está se roendo de curiosidade e se perguntando quem são esses indivíduos... rerrerré!!!

Bom, para começo de conversa, definem-se como surdas oralizadas aquelas pessoas que possuem perda auditiva profunda – e que não usam a LIBRAS- Linguagem Brasileira de Sinais para atender às suas necessidades de comunicação. Em vez disso, para entenderem o que os interlocutores dizem, fazem a chamada leitura labial/orofacial, e costumam utilizar recursos de amplificação sonora (como o Implante Coclear, por exemplo) para auxiliar na captação dos sons. Para dirigirem a palavra ao interlocutor, eles falam (muitos tem um sotaque característico, visto que eles treinam a fala através de técnicas especializadas de fonoterapia , já que têm pouco ou nenhum feedback sonoro).

E se você quiser saber mais sobre os Surdos Oralizados, aproveite e veja também:
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2009/06/30/surdos-oralizados/

Já os surdos usuários de Libras são definidos como “surdos sinalizados”. Exemplo: no post que publicamos, intitulado "Dê um turbo em sua vida social: aprenda LIBRAS"(01/03/ 2011) os surdos a que referimos no texto são sinalizados.

Ah, rapidinho aqui: as pessoas que usam aparelhos auditivos de amplificação, e que possuem perda auditiva leve, são definidas como “deficientes auditivos”, ok?

É importante o esclarecimento das diferenças entre essas três classificações, uma vez que, dentre os próprios surdos/deficientes auditivos, é feita essa distinção. Isto porque, uma vez que possuem métodos de comunicação distintos, acabam por ter necessidades específicas em relação ao processo de comunicação, de recepção de informações … e acabam até mesmo por possuir manifestações culturais diferentes. Espera aí... Manifestações culturais? Isso mesmo, leitor do Sopa: existe a chamada “Cultura Surda”! Mais adiante postaremos um texto sobre isto. Caso você esteja curiosíssimo para saber sobre a Cultura Surda, dê uma “googlada” aí, hehehe! Aí é bom que, quando você for ler o post que estamos preparando sobre o tema, você ja´vai ter conhecimento prévio para ajudar a digerir as ideias... e, claro, para deixar seu comentário na nossa página! Rerrerré!!!

Boa leitura! :-)

quinta-feira, 10 de março de 2011

Linguagem Brasileira de Sinais para... CEGOS!!!

Oooopaaa! Achamos mais algo interessante na internet – e, claro, vamos te mostrar, uê!



Descrição da foto: Alfabeto Manual para surdos. Fonte: alamedavirtual.com


Descobrimos, navegando pela internet, o Blog da Ana Carolina- Pedagoga Surda. O link está na nossa lista de sites favoritos, no canto direito da página. A autora é pedagoga, surda sinalizada (usuária de LIBRAS - Linguagem Brasileira de Sinais), e faz diversas atividades relacionadas à educação para surdos.

Uma das postagens legais que ela fez foi a seguinte: “Superação: aluno cego aprendendo Libras”, e que você pode ver em:
http://anacarolinafrank.blogspot.com/2009/12/superacao-aluno-cego-aprendendo-libras.html .
Olha só: embora a LIBRAS seja uma língua visual-espacial, utilizada para a comunicação dos surdos, existe maneira de ensiná-la a um deficiente... visual !!! :-) Claro que os meios empregados para ensinar LIBRAS a cegos exploram a questão do tato e da coordenação motora da pessoa cega, de forma que o instrutor vá pegando na mão do aluno cego e ensinando para ele os movimentos manuais. Olha só que legal: dessa forma, surdos e cegos podem turbinar suas relações sociais, fazendo amizades entre si... e , dessa forma, havendo uma troca rica de experiências entre pessoas que possuem percepções de mundo diferentes.

No Blog da Ana Carolina, tem também postagens relacionadas a Braille, a LIBRAS, a metodologias de ensino para deficientes auditivos/surdos, inclusão, dentre outras temáticas. A lista de assuntos fica no canto direito da página do referido blog.

Dê uma passada por lá! O que está esperando, hummm? :-)

terça-feira, 1 de março de 2011

Dê um "turbo" na vida social, acadêmica e profissional: aprenda LIBRAS!!!!!!

Descrição da imagem: alfabeto manual de LIBRAS. (Fonte: creativeday.wordpress.com)


Ooooopa!!! Apesar do corre-corre diário (já que vida de aspirante a matemático não é fácil, rerrerré!), sempre temos um tempinho para atualizar o cardápio do "Sopa"!!!
Desta vez, trazemos para você algo sobre educação inclusiva para surdos e pessoas com baixa audição. Navegando pelo blog "Educação Especial" , pudemos ver um miniguia bem legal com noções básicas de como lidar com alunos deficientes auditivos em uma sala de aula regular. Quer o link para ver o material? Lá vai ele, ó:
http://aeahespecial.blogspot.com/2008/06/criana-surda.html

Uma coisa interessante que não podemos deixar passar "em branco" é quando a autora do texto levanta a seguinte questão: "Mas de que serve a criança surda ter o domínio da LGP [linguagem de sinais] se a família, os amigos, os colegas da escola e os professores não aprenderem essa língua?" Ou seja, seria importante se todos soubessem a língua dos surdos! (Note que a autora denominou a linguagem dos surdos de LGP -Língua Gestual Portuguesa- porque o texto foi escrito por alguém em Portugal. É que cada país possui a sua linguagem para surdos. No caso do Brasil, tem a LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais.) A observação é de extrema pertinência, porque , vejamos: a pessoa que é surda quer - e precisa!!!!!- se socializar, se comunicar com as pessoas no dia-a-dia, estudar, trabalhar, ter uma vida independente! Então, de que adiantaria ela saber uma língua que ninguém em volta domina? Ela, com certeza, vai se sentir incomunicável e isolada, não é mesmo? Da mesma forma, se uma pessoa ouvinte quer fazer amizade com uma pessoa surda sinalizada, mas não teve oportunidade de conhecer a LIBRAS, vai, infelizmente, acabar perdendo também uma grande oportunidade de fazer mais amizades... :-(

Isso faz lembrar de um caso interessante vivenciado ontem por uma das integrantes da equipe do "Sopa", ao visitar uma instituição de apoio a deficientes visuais e auditivos. Ela tinha ido trocar umas ideias com os professores que trabalham com deficientes visuais (e, de quebra, turbinar também a divulgação do "Sopa", hehehe!!!) Aí, quando ela chegou ao portão da instituição, estava caindo um chuvãããão "daqueles", que a pegou no meio do caminho!!!! Logo na entrada, havia um grupo de pessoas surdas, usuárias de LIBRAS, que estavam fazendo uma atividade. Quando os surdos viram nossa colega toda encharcada, com uma daquelas sombrinhas tamanho PP que só protegem da cintura para cima, (kkkkk!) imediatamente, de forma amistosa e demonstrando simpatia, eles tentaram dizer-lhe algo (em LIBRAS, claro), para ela. Por sua vez, a garota não entendia NADA... e, claro, ficou frustrada por não saber a linguagem gestual... e tentava, por meio de gestos, dizer "sou ouvinte, e eu não sei Libras" (por sinal, a única frase que ela sabia formular por esse meio de comunicação). Mesmo assim, parece que não foi o suficiente, pois, mesmo ela afirmando que não compreendia, os surdos continuaram tentando comunicar com ela, fazendo de tudo para serem amistosos... e a garota ouvinte ali, tadinha, sem conseguir se comunicar com o grupo!!! :-(
Felizmente, chegou ali uma funcionária (ouvinte) da instituição, e, imediatamente, nossa colega a abordou:
-Você sabe LIBRAS?
-Um pouco! - ela disse, simpática.
Então a nossa colega explicou o que estava acontecendo, e pediu: -Por favor, tem como você traduzir para mim o que eles gostariam de me dizer?
De forma bastante simpática, os surdos repetiram, e a funcionária traduziu: -"Eles estão querendo comentar com você sobre o chuvão que tá lá fora, e como a chuva te atrapalhou no caminho!" Então, nossa encharcada colega respondeu ao comentário, que foi prontamente traduzido.

Moral da história: o fato de a nossa colega não ter tido oportunidade de aprender LIBRAS fez com que ela tivesse dificuldade em se comunicar com um grupo de pessoas - os surdos! Ou seja, por mais que o grupo ali tentasse se aproximar dela, ela acabava ficando isolada... da mesma forma, ocorre também o inverso: quando uma pessoa surda sinalizada está num ambiente só de ouvintes que desconhecem LIBRAS, ela também se sente isolada, do ponto de vista da comunicação... :-( Assim sendo, está evidente que, se a jovem encharcada, mencionada acima, soubesse a língua de sinais (mesmo sendo ouvinte), ela certamente teria tido uma ótima oportunidade de interagir com aquelas pessoas, turbinando seu círculo de amizades! (Vale lembrar que ela, regularmente, vai àquela instituição, devido a trabalhos desenvolvidos na Educação Inclusiva para deficientes visuais. Então, o grupo de surdos mencionado já a conhecia de vista).

Em tempo: a nossa "Sopeira" em questão sempre teve vontade de aprender Libras, mas ainda não teve oportunidade. Mesmo ela visitando regularmente a instituição de apoio a deficientes visuais e auditivos (no qual também são oferecidas aulas de Libras), ela ainda não teve tempo em sua agenda - pois concilia o curso superior com seus trabalhos de Educação Inclusiva para Deficientes Visuais, o que gera um grande volume de atividades.
Mesmo sendo estudante de Licenciatura em Matemática (curso no qual a disciplina Introdução a Libras é obrigatória e é ofertada no penúltimo período da graduação), ela garante que, se tiver oportunidade e disponibilidade de tempo para começar a aprender Libras antes disso, ela topa! :-) Quem sabe ela até será colega de alguém que integrava aquele grupo de surdos que a viu naquele dia chuvoso? Rerrerré!!! "Pra que esperar até o fim da graduação para começar a aprender?" - ela se questiona, de forma bem-humorada.

Hummm, mas e quem é ouvinte e encontra com um grupo de surdos sinalizados, e passa por situação semelhante, e não tem acesso a um local especializado que ensine a linguagem dos surdos...? Certamente tal situação já deve ter ocorrido com diversas pessoas, em diversos lugares, em diversas situações...! :-(
Então, fica aqui um questionamento, para discussão: já que a gente, desde criancinha, ouve os adultos dizendo que , "além da escola, devemos dominar Inglês e Informática senão a gente perde enormes oportunidades na vida social, acadêmica e profissional", por que os adultos não dizem que devemos também aprender Libras (de surdos) e Braille (de cegos) para termos mais chances de lidar com a diversidade de pessoas no cotidiano -seja no trabalho, na vida acadêmica ou social - e, dessa forma, "termos mais oportunidades"? Mais oportunidades de conversarmos com pessoas surdas (por Libras), mais oportunidades de compartilharmos anotações escritas com cegos (por Braille)... E já que infelizmente não é todo mundo que tem disponibilidade de tempo e/ou de locomoção para ir até um centro especializado fazer aulas de Libras: então, por que não há, na grade curricular do ensino fundamental e médio, disciplinas obrigatórias que ensinam introdução a essas linguagens de surdos e cegos no ensino regular, também para crianças e adolescentes? Por que o ensino de LIBRAS não é obrigatória também para todos os cursos universitários de bacharelado? (As licenciaturas têm, atualmente, a obrigatoriedade da implantação gradual de tal disciplina). Pô, seria legal que todo mundo, ouvinte ou surdo, tivesse a oportunidade de aprender esse meio de comunicação! E como não é todo mundo que tem disponibilidade de tempo ou de locomoção para ir até um centro especializado fazer aulas de Libras, então, seria uma ótima ideia se houvesse maior difusão dessa linguagem já incluída na rotina normal das pessoas - ou seja: oferta de capacitação lá na escola onde a pessoa estuda... e também através de cursos de capacitação nas empresas, para todas as pessoas que lá trabalham... e o importante é que isso acontecesse em todas as escolas e empresas, de forma a dar oportunidade para todos! Desta forma, as aulas de Libras já estariam incluídas na rotina das pessoas e no local onde diariamente elas já estão; e, assim, retiram-se os entraves ao aprendizado de Libras ocasionados por: falta de tempo extra para alocação de mais uma atividade na agenda; locomoção; distância do trajeto até um centro especializado de ensino de Libras (principalmente se considerarmos o trânsito caótico das grandes cidades), etc. Facilitando o processo de difusão, um número maior de pessoas terá acesso e oportunidade! :-) Afinal, todo mundo sabe que, quanto mais idiomas soubermos, maiores as chances de interagirmos com pessoas... então, esse raciocínio vale também para a LIBRAS (pois ela é uma linguagem própria, com sintaxe diferente do português!)

Dessa forma, as pessoas, desde a mais tenra idade até a fase adulta, poderão ampliar seu círculo de relações interpessoais... uê, com as leis da Educação Inclusiva e da Inclusão nas empresas, certamente, crianças, adolescentes e adultos, em alguma etapa da sua vida acadêmica e profissional, deparar-se-ão com colegas que possuam surdez ou cegueira. E o domínio das linguagens utilizadas por tais pessoas, por todas as pessoas, traz benefícios para todo mundo: os portadores de deficiência sensorial terão oportunidade de se integrarem melhor à sociedade; os não-portadores de deficiência sensorial terão oportunidade de fazerem novos amigos, de ampliarem sua rede de contatos pessoais e profissionais; e todas as pessoas terão uma enriquecedora troca de experiências!!!

E aí, galera, o que acham? Se você é surdo sinalizado ou convive com surdos sinalizados, dê seu palpite no espaço reservado a comentários! :-) A ideia é promover um debate "saudável" e construtivo em relação ao tema abordado neste post.