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sábado, 26 de setembro de 2015

USANDO MELHOR SEU TEMPO LIVRE !!!

Por: Débora Rossini

Oooopa! O post de hoje foi inspirado levando em conta a greve das universidades federais neste ano de 2015, e alguns fóruns de discussão que tenho visto na internet (principalmente em redes sociais) nos últimos dias. 
IMPORTANTE: O foco deste post NÃO tem a finalidade, de forma alguma, de criar polêmica em relação a quem é favor ou contra a greve que está ocorrendo. Sei que cada internauta tem seu posicionamento (a favor ou contra), seus motivos, suas ideologias que influenciam nisso, etc. Em momento algum estou tentando convencer, aqui, se greve é boa ou ruim. Minha finalidade com este post é APENAS mostrar para os estudantes que , se de alguma forma eles se sentem improdutivos com essa ''pausa'' do período letivo, que há formas de aproveitarem este momento e fazerem coisas úteis e produtivas, que beneficiem tanto eles quanto a sociedade, em vez de simplesmente ficarem se queixando de tédio. ;-) ''Manjaram''? ;-)

Pois bem. Há uma página pública no facebook criada por estudantes universitários da instituição na qual estudo, e na qual eles abordam temas diversos. Ela funciona assim: alguém manda para lá algo a ser postado publicamente na página pela administração, sem se identificar. E aí os internautas curtem, comentam, elogiam, dão bronca, etc... 

Nos últimos dias, tenho percebido que um dos assuntos que mais está rolando por lá é a questão da greve que não acaba - e, não raro, vem postagens e comentários escritos mais ou menos assim: 

''Tô cansado(a) desta greve porque estou sem nada para fazer em casa''

''Tô cansado(a) desta greve porque não aguento muito ficar em casa de pai e mãe por mais de uma semana'' [presume-se que o(a) internauta em questão teve de se mudar de cidade em função dos estudos, e gostou mais do novo ambiente]. 

''Tô querendo ocupar o tempo livre durante a greve para conseguir um dinheiro extra e ao mesmo passar o tempo; no entanto ninguém vai querer dar emprego para alguém que não sabe quanto tempo vai ficar ali e que pode sair do emprego de uma hora para a outra, já que nunca se sabe quando uma greve acaba'' . (O que, cá para nós, até COMPREENDO o lado de um possível empregador... ficaria difícil para ele se organizar e planejar a rotina de trabalho dele e dos outros funcionários! Acredito que a forma de um estudante arrumar um $$ extra, nessa situação, seria fazer algum ''bico'' informal - principalmente para parentes e conhecidos -, ou então criar um blog, um canal no You Tube, dar aulas particulares - principalmente nesta época do ano que tem muita gente tentando o Enem, etc.)

E por aí vai. Onde quero chegar: Muitos estudantes alegam, publicamente, na internet, que estão cansados da greve PELO FATO DE ESTAREM SEM NADA PARA FAZER, SE SENTINDO IMPRODUTIVOS E ENTEDIADOS DENTRO DE CASA.

Isso me fez lembrar de uma experiência que tive (e que relato neste texto) ... e que serve de dica ou sugestão para quem é estudante universitário e estiver ''sem nada para fazer em casa durante a greve''! :-)  Dá, sim, para aproveitar este tempo sem aulas para adquirir novas experiências e habilidades que, sem dúvida, poderão turbinar - e muito!- seu currículo, experiência e ''networking'' quando as aulas voltarem... ou até mesmo quando você for arrumar um estágio ou emprego algum tempo mais à frente! 

Claro que tem estudante que aproveita esse tempo ''sabático forçado'' (rsrsrs) para aproveitar e por em dia matérias que tem dificuldade, resolver pendências pessoais que normalmente em tempo de aula ficam difíceis de conciliar com o estudo, ou mesmo adiantando tarefas relacionadas a algum projeto de pesquisa. Mas se você não optou por nenhuma das atividades acima, este post foi escrito para você mesmo(a)! 

Segue-se a experiência pessoal que prometi contar: 

Lembro-me de que ''peguei'' uma greve na universidade, enquanto estudante, há alguns anos atrás. Ela foi longa. Sabem como aproveitei o tempo? Procurei a coordenação do cursinho pré-vestibular no qual eu tinha estudado antes de entrar na faculdade, oferecendo atividades de reforço de estudos para os alunos com deficiência visual que estudavam lá. Eu dava a eles monitorias complementares de reforço de Química, com base no material didático adotado no cursinho, e ainda transcrevia para o Braille as apostilas de Química para que eles pudessem estudar - já que recursos de áudio nem sempre eram suficientes e adequados para o aprendizado de uma disciplina que requer grande compreensão de gráficos, desenhos, fórmulas, esquemas, etc. A greve em questão tinha sido no segundo semestre do ano. Quando ela terminou, obviamente parei de fazer o trabalho voluntário, por falta de tempo e até mesmo por questões de deslocamento. Mas tive notícias de que a maior parte dos alunos que realmente estavam ''focados'' no preparo para o vestibular tinham sido APROVADOS!!! E, de quebra, acabei ganhando novos amigos! (Além de reforçar as amizades com quem eu já conhecia!)

Ou seja, foi uma experiência bem gratificante! Pude ajudar pessoas que precisavam, ganhei experiência em lidar com pessoas em uma instituição de trabalho, e ainda por cima fiz novas amizades (além, claro, de fortalecer as amizades que eu já tinha até então - já que era um ambiente que eu conhecia previamente.) 

Quem acompanha este blog, já deve ter percebido que atualmente sou estudante de... Bacharelado em Ciência da Computação!!!! E aposto que deve ter internauta se perguntando: 

''-Tá, mas em termos acadêmicos, o que essa experiência ocorrido há vários anos atrás acrescentou para você? Qual a utilidade dela para seu atual curso e carreira?? " 

Lá vai a respostinha, querido leitor!!!! 

Isto me ajudou MUITO a conhecer, de perto, a realidade da galera que não enxerga, na hora de estudar - principalmente matérias cuja metodologia de ensino é fortemente baseada em fórmulas e representações gráficas que os softwares leitores de tela não conseguem repassar para o usuário com deficiência visual. Ainda que fosse uma experiência de trabalho informal, ela me ajudou a ganhar ''pontos'' em processos seletivos na universidade para trabalhar como monitora remunerada de apoio a estudantes cegos - fazendo materiais didáticos adaptados para eles, só que usando recursos computacionais. Além disso, atualmente participo de um projeto de iniciação tecnológica na universidade, na área de Computação, cujo objetivo é desenvolver uma ferramenta que descreva imagens e fórmulas para estudantes de exatas que tenham deficiência visual (para matemática, física, química, etc.) Legal, não é? :-D

... E então... ? Você, estudante de universidade federal em greve, já pensou em aproveitar este tempo ''livre'' para fazer algum trabalho voluntário? 

Mesmo que ele não dê dinheiro, ele pode abrir muitas portas - no sentido de lhe proporcionar mais experiência, mais ''jeito'' em lidar com pessoas e conviver num ambiente de trabalho, mais ''networking''... quanta gente, quantas instituições públicas e privadas precisam desta mão-de-obra voluntária? 

Podem ser asilos... creches... instituições que auxiliam pessoas carentes... instituições que atendem pessoas com deficiência... que tal??? Caso você não se sinta confortável em algum destes ambientes (por timidez, por exemplo!), você pode ajudar alguém que você conheça, individualmente, que se enquadre em alguma necessidade listada acima. 
Como, por exemplo, uma mãe que precise de alguém que cuide de seu filho pequeno para poder ir trabalhar. Principalmente se você é estudante de algum curso que envolva lidar com crianças, é uma boa forma de treino ... além de ajudar alguém!

Ou, então, dar um ''help'' para uma família que tem alguém doente ou idoso e que precise de uma forcinha nas atividades cotidianas. Principalmente se você for estudante de algum curso da área de saúde, já é um bom ''laboratório'' para você! 

Ou, se você quiser, pode ajudar alguma pessoa com deficiência que você conheça e que esteja precisando de ajuda na escola, ou para estudar para concursos, etc. Principalmente se você for estudante de alguma área relacionada a ensino: olha que experiência interessante para você... e para a pessoa ajudada, também!!! 

Seja qual for a forma de ajudar alguém, tem o saldo positivo tanto para você quanto para quem recebeu a ajuda! Para a pessoa a quem vc auxiliou, o saldo positivo é óbvio. E para você... além de ganhar experiência e contatos úteis, quem sabe dali podem surgir diversas amizades??? 
Geralmente, pessoas com deficiência quando são ajudadas, são bastante gratas - e, mesmo cessada a necessidade de ajuda em uma situação pontual, a amizade frequentemente permanece! Geralmente tais pessoas costumam ser muito discriminadas, deixadas em segundo plano... aí, quando se deparam com alguém que as ajuda e demonstra gostar delas como são, elas fazem questão de manter a amizade... que pode inclusive, estender a longo prazo! Legal, não é? E tais pessoas (sobretudo as com deficiência visual) acabam, ao fazer uma amizade, a aceitar a pessoa como ela É enquanto ser humano - e não por aspectos superficiais tais como estilo de roupa, sapato, cabelo, tipo físico, rosto cheio de espinhas, etc (já constatei isso por experiência própria, hehehe!!!)

E você, o que acha disso? Tem alguma experiência para contar? ''Mande ver'' na seção de comentários, hehehe!!!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Pequenas atitudes, grandes efeitos!

Por: Débora Rossini

OOOOOOOOOPAAAAA!!!! Depois de "séculos" (kkkkkkkkk) sem escrever alguma coisa neste espaço virtual - por estar atarefada com estudos e com outros projetos diversos - inclusive virtuais - relacionados à Inclusão e Acessibilidade, finalmente aproveitei um tempinho livre para escrever coisas que, há um tempão, já estavam na minha cabeça... mas que não tinha tempo para passar para a telinha do computador!

Pois bem: o post de hoje é para falar como pequenas coisas, pequenas atitudes feitas no cotidiano, podem ajudar pessoas com necessidades especiais - sem que, obrigatoriamente, você tenha de dedicar horas do seu dia ou semana para, digamos, "fazer o bem".

"-Oras, mas COMO assim??" - você deve estar pensando.

Vamos "começar do começo":

Muitas vezes, quando se fala em "ajudar pessoas com deficiência", logo vem, na mente dos interlocutores, a (louvável) ideia de separar algumas horinhas na sua agenda para, regularmente, fazer um trabalho voluntário - seja com pessoas com deficiência visual, auditiva, dentre outras. E, aí, o povo vive dizendo:

-"Ah, acho muito lindo isso, mas não tenho tempo... trabalho o dia todo..."

Ou então:

"-Faço faculdade, trabalho e tenho família para criar..."

Ou então, assim:

-" Admiro muito quem faz esse tipo de atividade, mas não tenho o dom para lidar com essas pessoas..."

Beleza, compreendo perfeitamente tais argumentos. Mas será que você, que está lendo esta postagem, parou para pensar que, mesmo com seu corre-corre diário, pode fazer pequenas coisas que, para você, são pequenas, mas que para uma pessoa com necessidades especiais, pode fazer AQUEEEELE efeito positivo??? E que, sem dúvida, são complementares às belas atividades que voluntários, ou profissionais que "lidam diretamente com gente", desenvolvem para atender ao público com deficiência? Vou citar alguns exemplos! É o que denomino, aqui neste texto, de "ajuda indireta". :-)

AJUDANDO INDIRETAMENTE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL

-- Se sua rua não dispõe de lixeiras de uso coletivo, dessas enormes, para a população colocar o lixo de casa até que o caminhão de lixo passe para recolher, "PELAMORDEDEUS" fique atento com a forma que vc põe o saco de lixo no meio da rua. Tem gente que não está "nem ai", e põe o saco no meio do caminho, atrapalhando a caminhada de quem tem deficiência visual e dá "aquele chutão" sem perceber, no trambolho ali colocado. Isso se não acontecer algo mais grave, de a pessoa levar um tombo. Nem sempre a bengala-longa detectará em posição hábil o obstáculo, e aí... PLOFT!!!!

Assim sendo, se cada um fizer a sua parte na hora de colocar o lixo - de forma que fique mais nos cantos, sem atrapalhar o caminho, já ajuda enormemente.

-- Tomem cuidado com o TIPO de lixo que vcs colocam, mesmo se for "nos cantos" como sugerido acima. Já aconteceu de eu andar na rua e ver GARRAFAS (principalmente de vidro!!!) largadas no meio da calçada. (É que pode acontecer de alguém bem-intencionado colocá-la no cantinho, mas aí ela ser derrubada - por algum animal de rua, vento, ou profissional da reciclagem que viu o item e não gostou, deixando-a mal posicionada... aí ela acaba indo para onde não deve. ) Já imaginaram o desastre, de um cego ou pessoa com baixa visão, sem perceber, pisar nela, e sair rolando, e cair...? Dá um acidente, né?  A pessoa já está com desvantagem de visão, e correr o risco de ficar prejudicada do físico também... não dá, uê...!  SUGESTÃO: Este tipo de lixo deve ser cuidadosamente ensacado, encaixotado ou colocado numa lixeira apropriada que tenha na rua, sem risco de cair.

--Parem de jogar restos de embalagens de alimentos na rua! Além de demonstrar falta de educação, é ruim para quem não enxerga ou enxerga pouco! A pessoa pisa, por exemplo, num copo de iogurte jogado na rua, e lá vai andando... sem perceber que, com a pisada, restos do iogurte podem espirrar e atingir o sapato ou calça do indivíduo... e se ele está indo trabalhar, e chega sujo sem saber... ? Isso sem dúvida é bastante constrangedor...!

--Se você tá passeando com seu cão de estimação na rua, e se ele faz cocô na rua ou outro local público, PELAMORDEDEUS recolha a "obra" do bicho!!! Não tem nada mais desagradável do que uma pessoa com deficiência visual pisar no "negócio" (éca!!) sem saber... e o pior, sujando seus calçados, ponta da bengala... e sem saber, sair pondo a mão nela na hora de guardar, e aí... já viu... Bom, entendeu o quanto é desagradável, nojento e constrangedor pra pessoa que não enxerga e acaba numa situação destas, né?

Claro que infelizmente esse tipo de acontecimento não tem como ser evitado 100% pelo cego - já que tem um monte de cães e gatos de rua que fazem o "número dois" onde bem entendem. Mas, se os cães que passeiam com os donos, têm suas fezes recolhidas num saquinho, de forma adequada pelos donos, já diminui bastante a incidência desse tipo de coisa - evitando aborrecimentos desnecessários para quem já "mata um leão por dia", como os cegos em seu cotidiano, rerrerré!

AUXILIANDO INDIRETAMENTE PESSOAS CEGAS USUÁRIAS DE BRAILLE 

-- Se você tem em casa apostilas e outros impressos velhos, impressos de um lado e do outro, e quer jogar fora, já pensou no quanto esses papeis podem ser reutilizados - como rascunho - para a galera que usa Braille? Explico: aquele papel impresso em tinta em ambos os lados, está "em branco" para um cego que usa a escrita em relevo! (Se você enxerga, pegue um papel desses, feche os olhos, passe a mão por ele e entenda o porquê, rerrerré! Se é cego, compare uma apostila qualquer em tinta com uma folha ofício em branco que lhe deram... e sinta a "diferença" praticamente nula para a escrita em relevo, rerrerré!!!) 

Portanto, se você NÃO é cego e sente que tais papeis impressos frente e verso já cumpriram sua finalidade em sua vida... em vez de simplesmente jogá-los fora, que tal doá-los para algum cego (que escreva em Braille) que você conheça? Ou, então, doar a papelada para alguma instituição que atenda cegos? Vai aumentar a vida útil das folhas... e a natureza agradecerá esta reutilização!!! :-) Que tal???


AUXILIANDO PESSOAS COM SÍNDROME DE IRLEN

Para quem não sabe, esse é um tipo de problema oftalmológico pouco conhecido, mas que causa sérios impactos na qualidade de vida de uma pessoa. (Leia mais sobre o assunto nesta página, também de minha autoria. ) Um dos recursos que ajudam várias pessoas com esse distúrbio - na escola e trabalho - é o uso de papeis RECICLADOS em vez dos branquinhos convencionais. Isto porque o fundo branco do texto ofusca-lhes a visão, dificultando-lhes a leitura e escrita. E os reciclados tem um fundo bege ou pardo, que dá uma "aliviada" visual para muitos pacientes, na hora de ler e escrever.

"-Tá, mas como ajudar esse pessoal? Não conheço ninguém assim... e só fiquei sabendo que existe Síndrome de Irlen ao ler este texto!" - você , e muita gente, provavelmente está pensando.

É mais fácil do que você imagina... e nem precisa necessariamente de conhecer alguém assim!

-"MAS COMO???" - já tô imaginando a cara do leitor impaciente na frente do computador, rerrerré!

Simples, "meu filho"! Acompanhe meu raciocínio:

Se essas pessoas usam papel reciclado, e encontram para comprar, certamente é porque diversas pessoas, lááá no início da história, em vez de jogar fora o papel no lixo comum, encaminhou para um posto de coleta de reciclagem - ou para uma lixeira no próprio local de trabalho/estudo destinada para coleta seletiva. Aí o coletor de lixo reciclável foi lá, pegou, recebeu seu dinheirinho ao vender para um local que recicla papel, o papel foi reciclado e... posto à venda, sendo reutilizado!!! :-) Olha quantos seres vivos (rerrerré!!!) vão agradecer quem põe o papel para reciclagem: humanos (que sobrevivem da coleta de materiais reciclados), humanos (que tem Síndrome de Irlen e necessitam de papel reciclado), vegetais (árvores que foram poupadas de cortes para papeis novinhos e branquinhos)... Aliás, a natureza agradece, e TODOS os seres vivos saem ganhando, pois diminui o impacto ambiental, uê! :-)

Claro que aí entra a filosofia do "trabalho de formiguinha" - você faz a sua parte, convida outros para fazerem o mesmo no dia-a-dia, e... aos poucos, os esforços de cada um vão sendo somados, e... aí, vale o ditado de que "a união faz a força"!!!

E MAIS: 

Independente da deficiência que uma pessoa apresente, procure tratá-la com respeito, procure informar quais são as melhores formas de acessibilidade atitudinal, não a discrimine em seus círculos de convivência, ofereça ajuda se ela necessitar ou quiser... sem sombra de dúvida, muitos gestos simples como ao menos dar um "oi" podem fazer o indivíduo com deficiência "sentir que ganhou o dia"! Já é uma forma de você ajudar, mesmo sem saber, rerrerré!!!

Bom, eu enfatizei neste texto as deficiências visuais,pois são as que mais conheço de perto no dia-a-dia, através da convivência. E você, leitor, tem alguma sugestão aplicada a pessoas com outros tipos de necessidades especiais? USE O ESPAÇO ABAIXO, DESTINADO A COMENTÁRIOS, PARA SE MANIFESTAR, rerrerré!!! "Bóra" escrever?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Universidade Acessível

Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! De volta à blogosfera, trazendo mais uma "rodada" de "Sopa" quentinha para você, rerrerré!!! 

Navegando pela internet, encontrei um texto, relativo ao projeto "Todos Nós: Unicamp Acessível", e que mostra diversos problemas e questões que afetam o acesso, a permanência e o prosseguimento dos estudantes com deficiência na universidade! Pelo que pude entender, parece-me que foi realizado um workshop, com oficinas, nas quais foram levantadas e mostradas diversas questões relacionadas à realidade dos universitários com deficiência na referida universidade paulista... e tudo o que foi observado e realizado ali foi documentado no texto a que me refiro! Segue-se o link: vale a pena ler!!! :-)

http://styx.nied.unicamp.br/todosnos/historico/workshop-todos-nos-unicamp-acessivel/livro/questoes_problemas.html

Listei alguns pontos principais do texto, que vale a pena ser lido por inteiro - e que seriam interessantes para "turbinar" políticas de inclusão e acessibilidade em todas as universidades - sejam elas públicas ou particulares- que existem por aí. Vale a pena refletir sobre os pontos destacados abaixo!!!
Olha só:

- Apesar de a sociedade ter o já famoso preconceito em relação às pessoas com deficiência, há, por outro lado, aquela atitude (talvez até inconsciente!) de a pessoa com deficiência querer "se esconder", "não aceitar suas limitações", "sentir constrangido em pedir ajuda".
Isto pode ser mostrado pelo seguinte trecho:  

"Foram citados os seguintes problemas com relação aos aspectos atitudinais: "o aluno com deficiência se exclui"; há, algumas vezes, "preconceito do próprio deficiente em relação à ajuda" que pode ser necessária para sua locomoção, comunicação ou aprendizado; em alguns casos, as pessoas com deficiência podem apresentar "problemas psicológicos"; há, em determinadas situações, um "individualismo do próprio deficiente" que aparece no seu modo de se comportar socialmente."

Ao meu ver, acredito que tal reação possa ser até uma espécie de "defesa" psicológica da pessoa com deficiência: ela já está tão cansada, tão desgastada psicologicamente com situações de preconceito, de não-aceitação, que acaba "negando" sua deficiência (mesmo que inconscientemente) e se "fechando" - a fim de tentar evitar mais situações que lhe tragam mais sofrimento... No entanto, tal atitude que a princípio parece ser uma autoproteção, na verdade acaba dificultando ainda mais o processo de inclusão... :-(

Achei bastante interessante um outro parágrafo do texto, que diz o seguinte:

"Entre os pontos levantados pelos participantes da oficina, foi destacada a existência de problemas da própria pessoa com deficiência em relação à sua condição. Alguns salientaram que a postura preconceituosa e a dificuldade em aceitar ajuda acarretariam a auto-exclusão dessas pessoas. Esses destaques indicam que os participantes compreendem que a inclusão não depende somente da disposição favorável de uma comunidade, mas também da pessoa com deficiência que, como agente importante desse processo, deve tornar claramente conhecidas as suas necessidades. Podemos dizer, então, que as pessoas com deficiência não deveriam entender a busca por apoio como um constrangimento, mas como legítimo exercício dos seus direitos."

Pois é... é aí que vem a história: para facilitar o processo de inclusão, ele necessita ser de "mão-dupla"; por um lado, a sociedade necessita aceitar aquela pessoa com deficiência; mas, por outro lado, essa mesma pessoa com deficiência necessita, digamos, se aceitar e "sair da toca" (risos) ... e mostrar para os outros suas necessidades, mostrar como os outros deve agir com esse indivíduo, etc - para que a sociedade saiba incluí-la adequadamente... RESUMINDO: por mais que a sociedade se conscientize e se "abra" para acolher a galera com deficiência, esta, por sua vez, tem de informar qual a melhor forma de lidar com ela... "sacou?" ;-)


Outra passagem interessante é a seguinte:  

"Faltam na opinião dos participantes, "campanhas educativas" que tratem desse assunto e uma atuação mais adequada e intensa da mídia (interna e externa à Unicamp), na abordagem do tema. Os participantes, apontaram que "a mídia não divulga materiais que facilitem, incentivem e eduquem as pessoas para a inclusão", assim como ainda não apresenta "programas educativos sobre as diferenças" que possam promover uma reflexão mais ampla sobre o tema."

Interessante MESMO!!! Afinal, tanto professores, quanto monitores, quanto funcionários, quanto colegas de estudantes com deficiência, PODEM E DEVEM ser informados da melhor maneira de lidar com quem tem problemas com a potência visual, auditiva, locomotora, de quem tem problemas de aprendizagem, etc... Atitudes como CAMPANHAS EDUCATIVAS NA UNIVERSIDADE, ENVOLVENDO TODA A COMUNIDADE ACADÊMICA, é de extrema importância... em vez de reduzir o grupo de estudantes com deficiência a um grupo "paralelo", com as medidas de inclusão limitadas apenas a eles!!! FICA A DICA PARA OS SETORES DE INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE DE TODAS AS UNIVERSIDADES!!!!!

E você, que está lendo este texto? É professor ou estudante universitário? Possui alguma deficiência/limitação? O que achou deste post? COMENTE ABAIXO!!! :-) 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Dia"... ou "DIAS"? (de Luta da Pessoa com Deficiência) ?????

Por: Débora Rossini

Ooooopaaa!!!! Já viu no calendário qual é a data de hoje?????  
Qualquer um que anda antenado  em assuntos referentes a Inclusão, Acessibilidade , pessoas com deficiência, necessidades especiais, etc, já deve ter "sacado" que o dia 21 de setembro, é uma data assinalada como "Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência", aqui no Brasil! E o "Sopa", claro, não poderia deixar de trazer uma postagem sobre o assunto, né???? Rerrerré!!!!!! 

Você, leitor, deve estar pensando:

"-Mmmmm,  mas o que essa blogueira 'doidona' acha disso aí?"  :-D

Bom... a meu ver, datas como essas ("Dia do Deficiente", "Dia da pessoa com... [insira aqui uma necessidade especial] ", etc), devem ser vistas como uma espécie de "cutucão" na sociedade majoritariamente constituída pelas pessoas "clinicamente normais (???!!)"   -com a finalidade de mostrar que, TODO DIA é dia de luta das pessoas com deficiência. 

 Sendo assim, o 21 de setembro representa mais um "toque" para lembrar que "TODO SANTO DIA" as pessoas com as mais diversas deficiências e necessidades especiais vêm lutando por seus direitos - de poderem estudar, de exercerem uma profissão, de terem acesso aos ambientes públicos e às prestações de serviços, de serem reconhecidas como SERES HUMANOS nos mais diversos círculos de relacionamento social, de não serem discriminadas nem vítimas de "bullying", etc...

Talvez você, leitor do "Sopa", deve estar pensando:

"-Pô... mas 'péra lá' : antigamente é que não tinha esse negócio de Lei de Inclusão, e as pessoas com deficiência acabavam sendo, digamos, segregadas : além de serem tratadas como 'coitadinhas' e discriminadas, eram tratadas com atitudes assistencialistas. Hoje em dia, elas são estimuladas a se inserirem ao 'mundo dos ditos normais', tanto socialmente quanto em termos de produtividade. E aí?"

É, leitor, mas infelizmente não é beeeeeeeeem assim... :-(

"-Quer dizer então que a galera com algum tipo de necessidade especial ainda se sente insatisfeita? Ou seja, que as medidas e leis favoráveis a essas pessoas ainda são insuficientes para lhes atender plenamente? " - certamente o leitor está se questionando.

O raciocínio vai por aí mesmo...  Vou explicar direitinho... ;-) 

Ainda que a Lei da Inclusão esteja aí para ser cumprida, as dificuldades vividas pelas pessoas com deficiência ainda não acabaram... :-( Ainda há muito preconceito por parte das pessoas "ditas normais" (?????????), que duvidam de que os deficientes são capazes de fazerem muitas coisas - ainda que de maneira diferente do padrão imposto pela sociedade-  e de terem autonomia e independência em diversas situações. Ainda há muita "resistência", por parte dos "ditos normais", em aceitar "lidar com o diferente" - já que, para conviver e lidar com uma pessoa com algum tipo de deficiência, frequentemente implica-se em aprendizagem de novas formas de comunicação (Braille, LIBRAS, formas não-verbais para outros tipos de deficiência),  de novas formas de lidar com a pessoa no dia-a-dia, de novas tecnologias assistivas,  etc. Há também muita falta de compreensão - pelas pessoas "comuns" (?!?!) -  das reais necessidades das pessoas com deficiência, o que faz com que as pessoas sem tais necessidades pensem erroneamente que certas atitudes e adaptações, destinadas a quem PRECISA delas,  são "privilégios" ou "frescuras". Ainda há também quem ache, erroneamente, que adaptações que visam à acessibilidade/desenho universal são "um trabalho a mais" e "despesas extras".

 E olhem que falta de informação não é desculpa: hoje em dia, com a internet funcionando a todo vapor, dá para se buscar informações, destinadas a leigos, sobre a maioria das deficiências mais conhecidas. Tem muitos sites e blogs - vários deles MUITO BONS-  que abordam o tema! (Se você ficou curioso de conhecer alguns, que são recomendados pelo "Sopa", dê uma olhada no canto direito desta página. Vá descendo a barra de rolagem, até achar uma lista de blogs e sites sobre o assunto... e divirta-se!) Vários desses sites e blogs são escritos pelas próprias pessoas com deficiência - nos quais eles não só dão informações sobre suas necessidades, mas também expressam seus pontos de vista sobre elas e como é o dia-a-dia de uma pessoa com o quadro clínico relatado. 

Ah, e outra coisa que ocorre frequentemente: as Leis relativas à Inclusão estão aí... mas infelizmente, nem sempre elas são cumpridas... aí, dificulta bastante a vida das pessoas com deficiência, né????  :-( Taí outro ponto da "luta" da pessoa com deficiência: não só a de quebrar preconceitos e tabus, mas também de fazer as leis "valerem"... e não ficarem só "no papel".

E então, galera? O que vem à cabeça de vocês, quando aparece no calendário datas como esta - que não são datas comemorativas coisa nenhuma, mas sim datas de reflexão e de lembrança de que é necessário que atitudes sejam tomadas, a fim de que as pessoas com necessidades especiais possam ser reconhecidas como seres humanos como qualquer outro, com suas limitações e habilidades?  ;-)

domingo, 15 de janeiro de 2012

As histórias de Carolina

Por: Débora Rossini

Há alguns dias atrás, encontrei, nas minhas navegadas "internéticas", o blog "Carolina- Um Sonho a Mais Não Faz Mal". Escrito pela psicóloga Carolina Câmara, ele traz textos e depoimentos bem legais acerca do que é ser uma pessoa com deficiência. Nele, Carolina conta acerca de suas experiências como pessoa com paralisia cerebral e quais os seus desafios para mostrar para as pessoas que, apesar de suas limitações, ela pode ser alguém com sucesso pessoal, acadêmico e profissional como qualquer indivíduo...! ;-)

Ela também relata os mitos e preconceitos que infelizmente passam pelas cabeças de muitas pessoas (acerca de suas capacidades), as dificuldades para realizar o vestibular (veja os textos "Vestibular Parte 1" e "Vestibular Parte 2") , a indiscrição das pessoas em lugares públicos que ficam a olhando o tempo todo... Mas, apesar disso tudo, felizmente tem coisa legal que a Carolina conta também: o apoio da sua família, que sempre esforçou e a apoiou para que tivesse a melhor qualidade de vida (tanto física quanto psicologicamente) possível... o fato de, desde a infância, ter amigos da mesma faixa etária (o que, sem dúvida, deu um "turbo" e tanto no processo de socialização da Carol) ... bem como o processo de inclusão que ocorre de maneira natural pela sua sobrinha pequena, Laís, que entende espontaneamente que ela precisa de ajuda, mas sem tachá-la de "coitadinha". (Obaaa!!!) Vale a pena ler e seguir o referido blog!

Além disso, a Carolina mantém também um site, denominado "Meu filho é Deficiente - e Agora?" O site aprofunda os temas abordados no blog, e tem uns textos ótimos! :-) Quer conferir? "Voilà":

-- Você já parou para pensar como é a questão do que é ser um adolescente (isto é,pessoa que está passando por tooooda aquela "revolução" do ponto de vista físico e mental) COM DEFICIÊNCIA? Como é a relação de uma pessoa, com esse perfil, com o mundo e com os outros? Se ficou curioso, leia o texto que a Carolina escreveu no site, intitulado "O adolescente com deficiência também é jovem";

-- Beleza e Deficiência: infelizmente o padrão de beleza imposto pela nossa sociedade está atrelado à ideia de "perfeição". É possível ser bonito(a) mesmo sendo deficiente? SIIIIIM !!!!! Quer ver por que? Confira o texto da Carolina, intitulado "Beleza";

--"Diversidade Humana": não raro ocorre de uma pessoa, digamos, "clinicamente normal", encontrar com um interlocutor deficiente e... não saber o que fazer! Como fazer com que ambas as pessoas sintam-se mais à vontade? Tem dicas no referido texto!

Além das postagens citadas acima, tem muitas e muitas outras que certamente vão ser uma opção de leitura que , certamente, vão acrescentar bastante à sua formação enquanto ser humano! Boa leitura!!!! :-)

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pessoas com necessidades especiais: Que nome usar?

Oooooopaaaa! O tempero da "Sopa" de hoje vem lá do site "Movimento Livre"!!!! :-)

Bom, galera, o "xis" é o seguinte: muita gente, em diversas situações cotidianas que envolvam a temática das pessoas (d)eficientes (palestras, redação de textos, conversas formais e informais, etc), fica sem saber como denominar corretamente tais indivíduos. Sabe como é... há o receio de dar denominações fora do que é chamado de "politicamente correto". E então surge a dúvida:

"COMO denominar, de forma geral, as pessoas que não veem, e/ou não ouvem, e/ou não andam, etc"?

Aí, vem diversas respostas - entre elas, as mais comuns:
"Pessoas com necessidades especiais"
"Pessoas portadoras de necessidades especiais"
"Pessoas deficientes"...

Tá, mas acontece que, de tempos em tempos, algumas terminologias mudam. E algumas são melhor aceitas, outras nem tanto... e outras dependem do contexto no qual se fala ou se escreve. Ih, confundimos o leitor, né?
"Nóóó, e agora?"- certamente algum leitor está aí se perguntando, na frente do computador...

Calma, querido/a leitor/a do "Sopa"!!! :-) Um post feito lá no site Movimento Livre, escrito de maneira bem-humorada e bastante instrutiva e esclarecedora, chegou para resolver o problema!!! Tcham-tcham-tcham!!! Tó o link!!!
http://movimentolivre.org/artigo.php?id=121

Nela, o autor mostra o que é o mais aceito atualmente em termos de denominação referente às pessoas com necessidades especiais - bem como a (im)pertinência de algumas gírias utilizadas popularmente para denominar tais pessoas! Dê uma olhada... ou ouvida, se você for usuário de leitor de telas! Rerrerré!

domingo, 19 de dezembro de 2010

Braille Virtual: um software bastante útil para quem enxerga, mas trabalha com deficientes visuais!

Uma das grandes barreiras entre a comunicação escrita de deficientes visuais (DVs) e de pessoas normovisuais é o fato de as letras do alfabeto Braille apresentarem diferenças de formato, se comparadas às letras do alfabeto convencional para normovisuais. Dessa forma, muitas vezes, quando um professor possui um aluno com deficiência visual, torna-se difícil a avaliação de atividades escritas feitas por esse aluno - já que o professor, na esmagadora maioria das vezes, não compreende o que o estudante em questão escreve. A mesma coisa ocorre quando os pais de um estudante deficiente visual têm a intenção de auxiliá-los nas tarefas escolares (tais como deveres de casa e preparação para provas) : como eles vão ajudar seus filhos adequadamente, se o sistema de leitura e escrita dos filhos difere daquele comumente usado pelos pais (isto é, se os pais não forem deficientes visuais)?
Resumindo: pelo fato de as pessoas normovisuais ao redor de um deficiente visual não conhecerem o alfabeto Braille, há uma dificuldade na troca de materiais escritos entre o DV e as pessoas de sua convivência.
Pensando nessa problemática, uma equipe de professores da USP desenvolveu o Projeto "Braille Virtual".

O que é o projeto Braille Virtual?
É um projeto desenvolvido por uma equipe de professores da Faculdade de Educação da USP, com a finalidade de disseminar o Braille para pessoas que... ENXERGAM! Isso mesmo: para afastar aquela ideia de que o "Braille é algo difícil e inacessível", e facilitar a comunicação escrita entre deficientes visuais e normovisuais, à medida em que mais pessoas de visão normal conheçam a técnica!
O projeto consiste em um curso de Braille online, com recursos de animação digital para que pais, professores e amigos de deficientes visuais aprendam o Braille de forma prazerosa.
Conforme texto no site do projeto, "as pessoas que vêem não precisam do tato para ler em Braille. Com o aprendizado do sistema composto por 63 símbolos formados pela combinação de seis pontos em uma célula, o indivíduo que vê pode ler textos em Braille apenas substituindo as letras comuns pela nova simbologia". [1]
O curso é livre e não oferece certificado. Mas é de grande utilidade para as pessoas que convivem com deficientes visuais - ou que desejam aprender, para a eventualidade de um dia conviverem com um deles! :-)

Como começou esse curso?
No início dos anos 2000, a professora Nely Garcia, da USP, percebeu que pouquíssimas pessoas normovisuais conheciam o Braille, ao fazer um trabalho de consultoria para o MEC. Sendo assim, ela acabou por constatar que esse fator iria prejudicar- e muito! - o aprendizado de crianças com deficiência visual. Como, por exemplo, um professor iria corrigir um trabalho escolar de um aluno cego - como uma redação, por exemplo? Nós, licenciandos em matemática, pensaríamos, de maneira análoga: "em um exercício escrito, no qual o professor necessita ler e acompanhar o raciocínio do aluno - bem como o emprego da simbologia correta em um exercício de matemática-simplesmente não teria como o professor atender adequadamente a esse aluno!" Ou seja: se os normovisuais dominassem o sistema Braille, certamente não haveria esse problema...
Sendo assim, a professora continuou trabalhando em suas pesquisas, e , assim, surgiu o software Vide Braille I, que tinha por finalidade ensinar o Braille por meios visuais, com animações virtuais, para que as pessoas que enxergam pudessem aprender Braille. Entretanto, o programa acabou por permanecer desconhecido, pelo fato de as estratégias para divulgação não terem sido eficientes.
No entanto, em 2004, foi criado o Braille Virtual, que foi disseminado através da Internet. Veja o site do Braille Virtual no fim desta postagem! :-) A professora criadora do projeto afirma, em depoimento dado no site da USP [2] , que "hoje, ouvem-se muitos professores que não necesitam mais de terceiros para fazer a transcrição [do alfabeto Braille para o convencional]".
Conforme podemos ver no site da USP ,

"O Braille Virtual foi lançado em 2004 e não contou com nenhuma estratégia formal de divulgação. A existência do site foi repassada entre os interessados via boca-a-boca. Ainda assim, logo nos primeiros meses se pôde perceber um boom nos acessos à página. Já em janeiro de 2005, quando o site do Braille Virtual contava pouco mais de quatro meses, o número de visitas era superior a 15 mil. Hoje, são mais de 320 mil visitantes e uma distribuição de cópias do software que supera o 1,2 milhão.
“O mundo todo está ampliando o acesso ao programa”, conta a professora Tizuko Morchida Kishimoto, também responsável pelo Braille Virtual. Há referências ao Braille Virtual em páginas de empresas e instituições governamentais de diferentes países, sem contar um posicionamento em todas as regiões do Brasil. A adaptação do programa aos idiomas inglês e espanhol levou o Braille Virtual a ser significativamente acessado nos continentes norte-americano e europeu.
Com isso, os depoimentos elogiosos e experiências positivas com o programa se criam em escala exponencial. Os relatos que chegam à equipe da FE trazem frases como “o curso veio de encontro à minha necessidade como educadora”, “nós que temos familiares com deficiência visual sabemos da importância desse trabalho”, e “sou cega e gostaria de parabenizar todos os envolvidos na realização do projeto. Iniciativas como esta são fundamentais se queremos uma sociedade mais inclusiva”.
A diversidade dos elogios reflete a variabilidade do público que chega ao site. Familiares de cegos,
educadores, “curiosos”, militantes – embora de diferentes vertentes, pessoas que acreditam na inclusão dos cegos e que também apostam na tecnologia como uma ferramenta eficaz para superar as barreiras costumeiras. Barreiras como a da distância, posta abaixo pela união entre um sistema bem desenvolvido e a disposição de pessoas como o professor Everton Vasconcelos, do interior do Rio Grande do Sul. “Ainda que eu não tenha contato direto com pessoas cegas, acredito que diminuir preconceitos é tarefa de todo educador. Por isso utilizei o Braille Virtual com os meus alunos, e afirmo que todos os professores deviam adotar práticas semelhantes”. [2]

Referências
[1]http://www.braillevirtual.fe.usp.br/pt/index.html
[2]http://www4.usp.br/index.php/educacao/17549-numeros-e-depoimentos-positivos-atestam-sucesso-do-projeto-braille-virtual

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Multiplano: você conhece?

O nome é bastante sugestivo, não? O que será isso? Será algum brinquedo novo? Será algum joguinho que inventaram? Será mais um "game" de computador para entreter crianças, jovens e adultos?
Bom, se você, caro leitor, acha que a Matemática é um grande jogo divertido, que estimula o raciocínio e novas formas de pensar e de raciocinar abstratamente, tá valendo, hahahaha!!! :-)
Vamos explicar, então, o que é essa grande invenção, feita por um professor paranaense!


Estudante deficiente visual usando o Multiplano. Ele decidiu cursar Ciência da Computação, que é um curso que possui diversas disciplinas de Matemática Superior no currículo. (Foto retirada de [1] ).


 O Multiplano é uma ferramenta pedagógica, desenvolvida pelo professor Rubens Ferronato, da cidade de Cascavel (PR), com a finalidade de auxiliar o ensino de Matemática para deficientes visuais. Ora, se eles, por razões óbvias, não conseguem ver os desenhos e gráficos do livro de Matemática, tem de ter algo que contorne esse obstáculo, não é mesmo? O Multiplano possibilita que o estudante cego ou com baixa visão entenda gráficos, equações,funções,trigonometria e geometria.

O Multiplano é uma placa perfurada, no qual são colocadas estruturas móveis, tais como pinos e elásticos, que formam as figuras desejadas. O estudante com deficiência visual vai perceber as figuras pelo toque, "vendo", assim, as figuras utilizando o sentido do tato.

"A dificuldade em conseguir ensinar conteúdos da disciplina de Cálculo Diferencial para um aluno deficiente visual numa sala do curso de Ciência da Computação, da União Pan-Americana de Ensino (Unipan) levou Ferronato a prometer que iria trazer um novo material para que pudesse explicar melhor. “Os métodos convencionais não surtiam efeito diante das complicações gráficas propostas pela disciplina”, lembra. O primeiro multiplano produzido na época para o aluno Ivã José de Pádua, hoje com 29 anos, era feito de uma placa de eucatex, elásticos e rebites que permitiam montar um plano cartesiano. Assim, o estudante começou a entender como funcionavam os eixos “X” e “Y”.Além disso, trouxe a possibilidade de Ivã produzir seus próprios gráficos. “Não existiam materiais como aquele. Os outros tinham de montar os gráficos junto com a pessoa cega, com cola plástica, por exemplo”, lembra o ex-aluno. " [2]

Quer algo mais sobre o assunto?
Site do Multiplano
Multiplano, um avanço na Matemática
Vídeo sobre Multiplano
Outro vídeo sobre Multiplano