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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

GUEST POST: ''Estou certa de que a baixa visão é uma grande escola da vida para mim"

Por: Débora Rossini 

OOOOOPAAAA! Mais um ''guest post" para vocês! Muito bacana esta história de uma jovem de 19 anos, que convive com a Baixa Visão desde que nasceu!!! Fica aqui meu agradecimento à internauta que enviou este relato!
Senta, pega um café, e... boa leitura! 

''Essa minha existência sendo deficiente visual já me ensinou muita coisa! Eu não acho que aprendi tudo mas passei a observar o mundo de outra forma. Meu nome é Beatriz, eu tenho 19 anos e tenho baixa visão congênita e nistagmo.
Muitos devem estar se perguntando o que é baixa visão e o que é nistagmo? Sei que não é um assunto muito divulgado. Nistagmo são movimentos involuntários dos olhos. A baixa visão é muito relativa. Conseguimos enxergar mais do que as pessoas imaginam e, ao mesmo tempo, menos do que possa parecer. Alguns exemplos: consigo ver as outras pessoas (sem identificar quem é); mas não vou ver um degrau, um buraco, uma placa, um galho de árvore. Posso ver a cor de uma camiseta, mas não verei uma pessoa acenar ou piscar para mim. Enfim, tudo depende do contraste, da luminosidade, das cores, da distância, das formas etc. 

Ter baixa visão é ser "cego" no mundo dos "videntes" e "vidente" no mundo dos "cegos", mas de forma mais técnica, é a pessoa que tem visão inferior a 30% mas que é capaz de usar o resíduo visual para algumas atividades. As pessoas sempre me perguntam como é a minha visão, é um pouco difícil de explicar, pelo fato de sempre ter enxergado dessa forma. Mas, eu vejo formas, consigo definir algumas coisas, mas não vejo fisionomia, reconheço as pessoas pela voz. Cores, eu vejo algumas... Só me confundo com as mais parecidas... Tipo, azul marinho com preto, bege com branco e etc....consigo ler ampliado de pertinho, mas tem que ser muito ampliado e ter bastante contraste.  
Uso uma lupa eletrônica portátil com letras pretas e fundo branco, para ler livros e coisas com letra pequena. No computador, uso a lupa do windows; confesso que não me adaptei aos leitores de tela, por esse motivo, só os uso no celular. Pra ver tv, posso até enxergar um rosto na tv colocando uma cadeira perto, mas cenas rápidas, legendas, detalhes, etc continuo não enxergando. 

Quando as pessoas passam perto de mim consigo ver que estão passando pessoas, mas não consigo reconhecer alguém só pela visão. Geralmente da pra saber se é homem ou mulher pela altura, comprimento do cabelo, essas coisas mais gerais. Mas se é uma mulher alta de cabelo curto, por exemplo, posso ficar na dúvida. Tudo depende muito. Roupa é a mesma coisa. Consigo ver se alguém tá com roupa escura, clara, curta, comprida. mas não identifico detalhes da roupa. Placas, degraus, essas coisas não enxergo.  

Quando eu tinha 03 meses, a minha avó percebeu que eu não fixava e não acompanhava os objetos. Passei por vários oftalmologistas, quando tive o diagnóstico de baixa visão aos 02 anos de idade. Minha mãe tentou me colocar em uma escolinha particular, porém, a única que aceitou, a professora não estava preparada, então eu ficava lá a tarde toda sem fazer nada e sem conversar com nenhuma criança. Depois de um mês, sai da escolinha. Minha família foi orientada por oftalmologistas a procurar uma associação pra deficientes visuais. 

 Em 2001 eu entrei no Lar das moças cegas, uma associação aqui de Santos. Fazia informática, atividades da vida diária, passava com especialista em baixa visão, natação, dança.... Em 2006 entrei na escola regular, era uma escola pública com sala de recursos. No primeiro ano, ficávamos mais na sala de recursos para sermos alfabetizados. A minha alfabetização foi com letras ampliadas, caneta piloto, caderno com pauta ampliada e lápis 6b. A ampliação é tamanho 40. Escrevo somente com letra de forma, tentei várias vezes a cursiva, mas a de forma é mais fácil para eu entender. No segundo ano, ficávamos mais na sala regular, com uma ledora que dizia tudo o que estava escrito na lousa - eu não consigo ver, nem com telelupa-. e levávamos as lições do livro para a sala de recursos para ampliação. Eu ia para escola regular de manhã e para a associação a tarde, aonde tinha reforço escolar e outras atividades. 
Até o 9º ano eu estudei com a minha melhor amiga, que também era deficiente visual e em escola que tinha sala de recursos. 

Quando fui para o ensino médio, não tive mais ledora ou sala de recursos, porque a escola era do Estado e não mais do município. Comecei a levar o notbook para escola, nessa época também ganhei uma lupa eletrônica portátil, que é a única que funciona para mim e um scanner que converte texto em áudio, o que me ajudou bastante. Mas a dificuldade com a lição da lousa continuava, tentamos de todas as formas uma ledora, televisão, jornal, mas não funcionou. Minha mãe resolveu frequentar as aulas comigo, para ditar a lição da lousa.Quando eu ia para o segundo ano do ensino médio, eu fiz uma prova de reclassificação para passar para o 3º ano, porque eu tinha entrado na escola um ano atrasada. Passei na reclassificação e fui para o terceiro ano. 

3º ano foi um dos melhores! Minha mãe continuava frequentando comigo. Desde os 13 anos, eu pensava em fazer faculdade de direito e um voluntário da associação de deficientes visuais falou que eu me daria bem com o direito, o que me animou mais. Prestei o vestibular para direito em uma universidade aqui de Santos. Fiz a prova com a lupa eletrônica e uma ledora, que transcrevia as minhas respostas para o gabarito. 

Passei no vestibular... Ano passado fiz o primeiro ano de direito. Eu levava o notebook, fazia anotações, as lições da lousa os professores colocavam no portal do aluno, ditavam ou os alunos me passavam. Na universidade já tinham trabalhado com outros deficientes visuais, ao contrário da escola no ensino médio em que eu fui a primeira. O fato de já terem experiência facilitou. As provas eu fazia oralmente ou com a lupa eletrônica. Esse ano vou para o segundo ano de direito. Estou adorando o curso. Pretendo prestar concurso público. 
 
Sabe o por quê de termos Baixa visão? Digo, porque somos fortes o bastante para agüentarmos diariamente essa lição mesmo que as vezes pareça que não aguentaremos. Estou certa de que a baixa visão é uma grande escola da vida para mim. Falo com sinceridade, a baixa visão é uma lição diária para nós. Um dia olharemos para trás e veremos tudo o que aprendemos em todos esses anos com as dificuldades de não enxergar assim tão perfeitamente.''

Valeu, Beatriz, por compartilhar a história com os internautas!!! :-D 

VOCÊ TAMBÉM POSSUI ALGUMA DEFICIÊNCIA/DOENÇA CRÔNICA/NECESSIDADE ESPECIAL E QUER VER TAMBÉM SUA HISTÓRIA AQUI? Funciona assim: Envie para cá um email ( sopanumeros@gmail.com ), com o título ''GUEST POST Sopa de Números" no campo de ''assunto" , e contando sua história. Caso você não queira se identificar, apesar de querer compartilhar a história (como já aconteceu com outros posts deste blog), não faz mal! Sua identidade será preservada (a não ser que você explicite o desejo de se identificar, ao longo do texto, hehe.) Mãos ao teclado!!! ;-)  

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Estratégias de Sucesso Para Professores Que Têm Aluno(a) Com Síndrome de Irlen

Por: Débora Rossini

Oooopa! Na minha fanpage ''Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen'', compartilhei um texto bem interessante que trazia dicas para professores de alunos que possuem Síndrome de Irlen (SI). Só que ele estava em inglês... mas compartilhei assim mesmo, porque sei que tem muita gente que domina este idioma (ou, mesmo, que tenta pegar a ''ideia geral'' de um texto usando tradutores automáticos, que, apesar de não darem 100% de exatidão na tradução, ''quebram o galho'' na hora do aperto, hehehe.) Porém, mesmo assim, na parte destinada a comentários, uma leitora-internauta sugeriu: ''Seria interessante se postasse em português!"

Ok!!! Atendendo ao pedido que foi expresso pela leitora - mas que certamente pode também ter sido o ''desejo secreto'' (kkkkk!) de mais gente, passo para todos vocês, leitores, o texto traduzido por mim. Espero que gostem... e que seja útil para os educadores que possuem alunos com Síndrome de Irlen! ''Voilà''!!!  (Texto original em inglês: Clique aqui para acessá-lo.  )

'' O que é Síndrome de Irlen? 

Síndrome de Irlen é uma condição neurológica que afeta a forma como a informação visual é processada no córtex cerebral. Estudantes com Síndrome de Irlen são sensíveis à luz brilhante e com certas freqüências de luz. Essa sensibilidade é causada pelo excesso de estimulação das vias neuronais visuais,resultando em distorções ópticas, dores de cabeça e fadiga durante tarefas visuais (Wilkins, 1995, 2003).

Alunos com Síndrome de Irlen acham difícil se concentrar na leitura e/ou memorizar o que leram. Eles veem a tarefa de ler uma página de "cheia de texto" como uma tarefa que é extremamente desafiadora e desanimadora. Muitas vezes, eles precisam reler várias vezes para entender o texto. Esses alunos têm o potencial para aprender, mas o excesso de estimulação das vias neurais causadas pela sensibilidade à luz pode interferir com o processamento da informação visual. O resultado pode ser o seguinte: mesmo lendo uma passagem curta de texto, pode parecer ser uma tarefa intransponível. Em casos mais extremos, estudantes foram diagnosticados como tendo uma dificuldade de aprendizagem. Eles também são muitas vezes rotulados como preguiçosos, ou acusados de não estarem se esforçando o bastante.

Esta síndrome é reconhecida pelos profissionais?

Publicações recentes, como a revisão da literatura por Nandakumar e Leat (2008) e do estudo por Kruk, Sumbler e Willows (2008) reconheceram Síndrome de Irlen como condição válida - e recomendam o tratamento. Embora o distúrbio ainda não seja completamente compreendido, nos últimos anos o uso de imagens de ressonância magnética (MRI) tem aumentado significativamente nosso conhecimento de como esta síndrome afeta o cérebro.

O que pode ser feito para ajudar o aluno com Síndrome de Irlen?

• Alunos com Síndrome de Irlen são particularmente sensíveis à luz fluorescente em cima - e em relação às lâmpadas fluorescentes compactas. O ideal é o estudante próximo a uma janela que lhes permite beneficiar da luz natural. [NOTA FEITA POR MIM: Cada caso é um caso... se a intensidade da Síndrome de Irlen for severa, pode ser que ele queira ficar o mais longe possível de qualquer fonte de iluminação intensa, incluindo aí a janela, hehehe!] 

• Colocar o aluno em uma área mais escura da sala para ler, ou desligar as luzes, se possível. 

• Permitir que o aluno use óculos de sol ou um boné em sala de aula para reduzir a quantidade de situações em que entram luz nos olhos.

• Os retroprojetores emitem uma luz muito intensa. Certifique-se de que o aluno está sentado longe da luz com um ângulo de 45 graus; e, sempre que possível, apresente o texto em lâminas coloridas em vez daqueles com um fundo branco puro.

• As telas de computador também podem ser problemáticas; peça ao técnico de computador em sua escola para instalar "Screen Tinter Lite", que é um programa de software gratuito que permite que o aluno colorir o fundo de software Microsoft Office, como Word. Este programa não funciona em páginas de internet. [MEU PALPITE PESSOAL: Por experiência própria, os aplicativos SSOverlay e WebHelp Dyslexia trazem melhores resultados - incluindo aí a navegação web. Experimente um deles!!!] 

• Propor aos pais [dos estudantes, quando estes são crianças ou adolescentes]  que eles levem o aluno a um optometrista - para afastar a possibilidade de qualquer outro problemas físico.

• Evite, nos textos impressos ou projetados, apresentar grande quantidade de texto em uma pequena área do papel ou tela; evite também apresentação visualmente desorganizada.

• Dê o aluno mais tempo para ler, pois isso pode ser necessário para que eles para ganhar uma completa compreensão do texto.

• Alunos com Síndrome de Irlen geralmente percebem que eles podem ter um melhor desempenho de leitura e escrita quando se usa papel colorido [ou reciclado]. Peça ao aluno para relatar qual é a cor que lhe proporciona maior conforto visual, e use papeis nessas tonalidades quando for fornecer material fotocopiado ou impresso. 

• Permita que o aluno use uma régua ou dedo como um guia auxiliar durante a leitura.

• Dê tempo para o aluno para descansar os olhos, o que pode reduzir a frequência e gravidade de dores de cabeça e fadiga.

• Incentivar o aluno a usar um gravador de voz para gravar as suas notas, o que reduzirá a quantidade de textos que precisa ler enquanto estudar.

• Evitar exigir que o aluno sempre copie notas a partir do quadro. Isto é tarefa extremamente difícil para os alunos com Síndrome de Irlen.

• Esteja ciente de que o aluno pode ter dificuldade com a percepção de profundidade (ex: dificuldade de pegar uma bola; pode esbarrar com freqüência em objetos ou móveis).

• Papel gráfico, como o utilizado na matemática, pode causar distorções visuais em alunos com Síndrome de Irlen. Use somente com cuidado.

• Evite  fontes "do tipo serif" como Times New Roman; Arial ou Verdana são mais fáceis para o aluno ler. [MEU PALPITE: Letras que têm proporção de altura maior que a largura, do tipo compridas e estreitas - tais como ''Impact'' costumam ser as PIORES para ler! Cansam a visão para caramba, hehehe!] 

• Evite caracteres que são demasiado pequenos ou quantidade de texto muito densa em relação à area da superfície de leitura.

• Incentivar o uso de filtros Irlen® do aluno se tiverem sido prescritos.

• Desencorajar as atitudes negativas e comentários de outros alunos. Incentivar
discussões abertas sobre a Síndrome de Irlen, e as formas em que os colegas podem ajudar os afetados por este distúrbio de visão. 

Maiores informações, e referências podem ser encontradas em www.irlen.com ''
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POSTS RELACIONADOS:
Dicas de como lidar com alguém com Síndrome de Irlen (para professores) 
Dicas de convivência para colegas de um(a) estudante com Síndrome de Irlen


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

OLHA essa!!! Programa "OLHAR BRASIL", do Governo Federal!

Por: Débora Rossini

Em um dia desses, recebi um e-mail do Paulo Vanderlei. Se você é um leitor mais antigo do "Sopa": você lembra dele? Vou ajudar a refrescar sua memória: na fase inicial deste blog (quando ele era ainda um trabalho acadêmico em grupo) o cara fazia parte da então equipe de produção! ;-)

Atualmente o Paulo atua como um dos colaboradores eventuais deste blog.
Ele é um cara que está sempre antenado com notícias e atualidades - e sempre que acha algo interessante, ele comenta! Como eu ia dizendo no início deste post, recebi um e-mail do Paulo, no qual ele comentou a respeito do programa Olhar Brasil, do Governo Federal - sobre o qual tinha ouvido falar através do rádio... E passou-me a sugestão de dar uma olhada mais a fundo nesse assunto e colocar algo sobre o tema aqui no "Sopa". Pois bem, sugestão aceita, rerrerré!!! Valeu pela dica, Paulão! :-)

O programa Olhar Brasil, segundo o site oficial, foi "instituído em 2007 numa parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação (MEC)". Ele "propõe-se a atuar na identificação e na correção de problemas de visão dos educandos de escolas vinculadas ao Programa Saúde na Escola (PSE) e dos alfabetizandos cadastrados no Programa Brasil Alfabetizado (PBA), gerido pelo Ministério da Educação. Dessa forma, busca-se contribuir para a redução da evasão escolar e da dificuldade de aprendizagem, bem como por grandes limitações na qualidade de vida causadas pelas doenças que afetam a visão."

Legal, não é? Afinal, a falta de correção visual adequada pode gerar inúmeros problemas na vida escolar de um estudante, gerando repetência e evasão escolar... além de ser impactante negativamente na auto-estima de alguém com problemas de vista, ainda pode fazer com que essa pessoa deixe de desenvolver seus talentos através da educação formal - o que pode levar, no futuro, o indivíduo a ficar sem perspectivas de um bom emprego e podendo até cair na marginalidade. :-(

As instituições vinculadas ao Programa Olhar Brasil são:
"Secretarias Estaduais de Saúde/SES e Secretarias Municipais de Saúde/SMS - Secretarias Estaduais de Educação/SEE e Secretarias Municipais de Educação/SME", de acordo com o site oficial.

A novidade, veiculada pelos meios de comunicação há alguns dias atrás, é a ampliação do atendimento aos estudantes de instituições públicas, por meio do referido programa governamental. De acordo com o site de notícias Imirante.com , uma das novidades será "a contratação de estabelecimentos de saúde privados e públicos para atender a mais de quatro milhões de consultas e exames oftalmológicos." Assim sendo, será formado um cadastro nacional de estabelecimentos de Saúde, tanto públicos quanto particulares; com esse credenciamento, pretende-se aumentar o número de atendimentos, já que aumentará a quantidade de locais de tratamento - e, assim, diminuindo o tempo de espera por uma consulta. Ainda de acordo com o site, "A grande mudança no projeto Olhar Brasil é a ampliação da oferta de consultas especializadas e exames de diagnóstico, sobretudo pelas clínicas privadas”, afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha."

Outra novidade do projeto Olhar Brasil consiste em, "além de oferecer tratamento oftalmológico integral, o reajuste de valores dos procedimentos na tabela do SUS, e a identificação de problemas de visão de estudantes de escolas públicas."

"Tá, mas e quanto às verbas repassadas aos estados e municípios, para que isto seja realizado com sucesso?" - você, leitor, deve estar se questionando.

Bom, a ideia do governo é repassar aos estados e municípios recursos adicionais, para que ele possa realizar todas as etapas propostas pelo projeto (não vou colocar todos os detalhes aqui para o post não ficar tão grande... mas dá uma olhada lá no Portal da Saúde, que lá você achará um monte de informações!). O atendimento oftalmológico, por sua vez, consistirá no diagnóstico e tratamento de doenças oculares - inclusive fornecimento de óculos (se necessário). Quanto aos procedimentos envolvidos no diagnóstico e tratamento, estão incluídos mais ou menos uns 20... mas só para matar a curiosidade do leitor aqui, vou dar uns exemplos que achei na internet:
"biometria ultrassônica, mapeamento da retina com gráfico e retinografia colorida." Legal, né? :-)

Para maiores informações, o e-mail de contato fornecido pelo Ministério da Saúde é  olharbrasil@saude.gov.br .


GOSTOU DO CONTEÚDO DESTE POST? COMENTE ABAIXO!!! :-) 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Adaptações na escola, para portadores de Síndrome de Irlen

Por: Débora Rossini

Ooooooopaaaa!!!!! Demorou, mas enfim, chegou o texto que prometi no post anterior - ou seja, um post trazendo algumas dicas para a pessoa com Síndrome de Irlen (SI) ter um pouco mais de conforto no ambiente escolar. Eu li as dicas no site americano Irlen Syndrome, escrito por David Accola (que é portador de SI) - e fiz um resumo principal em português do que está escrito ali. (Se você consegue ler em Inglês e quiser ver o texto original, clique aqui).

São dicas simples e fáceis de pôr em prática no ambiente escolar. Em seu texto original em Inglês, David Accola ainda faz uma sugestão: "Se você possui SI e está tentando obter adaptações em seu ambiente de trabalho ou escola, seria de grande ajuda se você imprimisse esta página [a do site dele] e a mostrasse para seu professor, orientador educacional/pedagógico , ou qualquer pessoa que poderá tornar seu dia-a-dia mais fácil". Legal, não é? Afinal de contas, poucas pessoas (ainda mais aqui no Brasil) sabem acerca da SI - excetuando, claro, os (relativamente poucos) profissionais que trabalham com a SI por aqui e também pacientes que tentam correr atrás do máximo de informações que puderem. Sendo assim, muitas vezes, os próprios pacientes é que acabam "ensinando" para o professor como lidarem com um aluno com esse distúrbio visual.





Em tempo: se você é professor , pedagogo ou gestor escolar, e quer fazer
cursos mais aprofundados sobre a SI, com profissionais que entendem do assunto aqui no Brasil mesmo: sua chance existe! Dê uma olhada neste site aqui:
http://www.dislexiadeleitura.com.br/portal.php .
Vira-e-mexe, são promovidos cursos de capacitação sobre o que é a SI e , até mesmo, de como se tornar um "screener" (aquele profissional
capacitado para detectar casos suspeitos de SI, a fim de encaminhá-los para atendimento oftalmológico especializado). Voilà!!!! :-)



Vamos lá, então, às tão esperadas dicas de adaptação do portador de SI na escola? ;-) É bom lembrar que estudantes com SI são bastante sensíveis à luminosidade ambiente e a reflexos luminosos que ocorrem em páginas impressas de cor branca e que são brilhantes - o que gera "distorções" na forma como eles veem os caracteres impressos, resultando em diversas formas de desconforto (dor nos olhos, dor de cabeça, cansaço, dificuldade de concentração e memorização, etc).

-- Questão da iluminação: David Accola sugere que os tipos de iluminação menos incômodos para uma pessoa com SI são: iluminação natural indireta ou então lâmpadas incandescentes. (No entanto, em um post anterior, dei aos leitores do "Sopa" alguns palpites para "aguentar o tranco" em ambientes nos quais tem luz fluorescente e que não dá para realizar a troca das lâmpadas... rerrerré!!!) Enfim: vale tentar o que for mais viável para reduzir o incômodo!!!! ;-) Só não vale ficar "sofrendo" por aí, rerrerré!!! :-) Ainda segundo o blogueiro americano, enquanto houver luz natural no ambiente, vale a pena aproveitá-la ao máximo - evitando, assim, acender as luzes do cômodo. Ah, e mais: vale lembrar que é a LUZ INDIRETA que vai trazer conforto para quem tem SI; portanto, "não vale" ficar de frente para a janela, ok?

-- Uso de "lâminas" coloridas (também conhecidas como "overlays"): São folhas de acetato, coloridas, que são colocadas em cima da folha com o texto a ser lido, a fim de proporcionar maior conforto ao paciente. Essas lâminas são apresentadas e prescritas por profissionais que entendam de Síndrome de Irlen (seja um profissional de Educação capacitado como "screener" de SI ou um profissional de Saúde capacitado para diagnosticá-la e tratá-la). Um desses profissionais capacitados irá fazer um teste com o portador de SI, e vai ajudá-lo a descobrir qual será a cor da lâmina mais adequada para colocar em cima de um texto impresso (e, assim, ajudar a aliviar o desconforto ao ler).
Vale lembrar que a cor que serve para um paciente não necessariamente servirá para outro!!! O uso de uma lâmina com a cor errada poderá, inclusive, piorar os sintomas! :-( Portanto, é importante que se faça um teste para atender às necessidades individuais do paciente. Além do mais, é importante assinalar que as cores de tais lâminas nem sempre coincidem com as cores dos óculos com filtros espectrais.

--Papeis coloridos para leitura e escrita, sempre que possível: segundo David Accola sugere, vai proporcionar maior conforto na leitura e escrita do paciente, dando efeito similar ao dos overlays. Mas o autor aponta que é necessário detectar, com a ajuda profissional, qual é a cor de papel mais adequada e que trará maior conforto; do contrário, a escolha errada irá proporcionar desconforto ao paciente, tal como o papel branco! Uma dica adicional do autor: papel reciclado, com suas colorações características, podem trazer mais conforto que o papel branco; vale experimentar!!!

--Posição do livro ao ler: segundo David Accola, o melhor é colocá-lo em frente ao portador de SI. Aquela história de colocar o livro meio que de lado (muito comum quando dois estudantes compartilham um mesmo livro quando estão estudando em dupla, ou fazendo algum trabalho juntos), pode causar cansaço mais rápido para o portador de SI.

--Retroprojetor: David Accola sugere reduzir AO MÁXIMO atividades que envolvam o uso de retroprojetor. (Fácil de entender o porquê...! Fica aquela luz "fortona" na cara do paciente, obrigando o "coitado" a ler e copiar conteúdos sob luz intensa, dando-lhe cansaço extremo!!! Aaaafffff!!!!!)
Obs: frequentemente, há professores - sobretudo universitários - que não abrem mão de jeito nenhum do "danado" do retroprojetor, alegando razões diversas!!!! :-( Já que, na prática, fica difícil para um estudante com SI ter aulas sem esse equipamento, prometo no próximo post trazer algumas dicas para que alunos com tal distúrbio consigam "dar a volta por cima" durante as aulas - de forma que haja uma conciliação entre a vontade do professor e as necessidades/limitações de tais alunos.

--Lousas brancas x lousas escuras: David Accola aponta que os quadros de fundo escuro, nos quais escrevem-se com gizes brancos ou de cores claras, são mais confortáveis para a leitura do que os quadros brancos - que, além de terem a cor de fundo do texto desagradável para um portador de SI, ainda proporcionam um incômodo "extra", por causa do brilho da superfície. Assim sendo, seria legal que, sempre que possível, os professores utilizassem os tradicionais "quadros-negros" em vez dos modernos quadros-brancos.
Ele também sugere que os professores "repartam o quadro" e escrevam em colunas, em vez de escreverem todas as linhas usando toda a largura da lousa. Isto tem um motivo fácil de entender: é para minimizar o "embaralhamento" da leitura pelo portador de SI, que irá piorar se ele tiver de ler linhas extensas.




Palpitinho adicional da "Sopeira" aqui: tem também
aquele detalhe, de que as pessoas com SI costumam ter leitura mais lenta e
segmentada que o normal. Caso você tenha SI e tenha algum(a) professor(a) que
tenha estatura baixa e consequentemente menor disponibilidade de área da lousa
para escrever (e que por isso mesmo, o quadro "encha mais rápido" com a escrita
dele), peça para ele esperar um pouquinho mais de tempo para realizar a cópia da
matéria, antes de apagar a lousa!!!
Caso a sua velocidade de cópia seja muuuuito lenta - e, assim, o
professor não possa esperar taaanto tempo adicional, a fim de não prejudicar o
andamento da aula para os outros alunos- opte então por uma das alternativas:
pedir, antes da aula,para o professor, uma cópia xérox das notas de aula
(eliminando, assim, sua necessidade de copiar da lousa); ou então pedir para
algum colega de confiança para emprestar-lhe o caderno depois das aulas, para
você copiar com calma o conteúdo ou "xerocar" o caderno dele... ;-)



Outras dicas apresentadas pelo blogueiro americano:

--Experimentar copiar a matéria de um papel a outro (ex: caderno do colega, livros, etc) em vez do quadro para o papel traz mais conforto, devido à posição e distância entre uma superfície e outra;

--Usar um marcador (régua, marca-texto, etc) para facilitar a leitura em papel, evitando que os olhos "pulem" involuntariamente de uma linha do texto para outra. É sugerido que o marca-texto tenha a cor indicada para o "overlay";

--Se tiver problema em ler e responder questionários na tela de um computador, experimentar imprimir o questionário em papel, responder e depois solicitar a uma outra pessoa para transcrever as respostas para o formulário eletrônico; dar pausas para descanso, sempre que for necessário, após tarefas de intenso esforço visual.

--Se necessário, aproveitar que existem materiais didáticos em áudio por aí, e... "mandar ver" neles como forma de auxílio nos estudos!
Palpitinho da "Sopeira" aqui: o autor não especificou, mas acredito que essa medida seja para os casos mais graves de SI, nos quais há comorbidade com distúrbios tais como Dislexia, por exemplo. Bom, mas, de toda forma, a opção está aí, e vale experimentar! ;-)

Bom, o post ficou grande, mas... espero ter ajudado diversos estudantes brasileiros com SI que tenham por aí - bem como seus respectivos professores. Até o próximo post! :-)

Atenção: as informações contidas neste post (e em
diversos outros, também!) são de
caráter meramente e exclusivamente
informativo
. Não sou profissional de Saúde; que isso fique bem claro, ok? :-) Sou apenas uma estudante de Ciência da Computação que desempenha diversas tarefas relacionadas à Educação Inclusiva e Tecnologias Assistivas. Em caso de quaisquer dúvidas que exijam um conhecimento formal e mais aprofundado para solucioná-las, recomendo aos leitores que consultem um profissional capacitado para tal. ;-)

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Estudantes deficientes visuais e biblioteca: sim, tem espaço pra eles também!!!

Ooooooooopaaaa!!!! Mais uma vez, os "Sopeiros" de olho no que está "rolando" por aí no meio acadêmico!!!

Você, sem dúvida, sabe da importância de uma biblioteca para um estudante, não é mesmo? Ali, tem um "mundão" a ser explorado: livros, revistas, jornais, acesso a publicações eletrônicas... UAU!!!! No entanto, nem todo mundo sabe como os deficientes visuais fazem para ter acesso a esse fantástico mundo. Se você também não sabe, ou tem uma noção pequena disso, relaxe: nós vamos te mostrar!!!! :-)

Achamos na internet um artigo, denominado "O Serviço de Referência e o Uso de Tecnologia Assistiva para a Acessibilidade dos Deficientes Visuais". A autora é Elizabete Cristina de Souza de Aguiar Monteiro, da UNESP de Marília(SP). Ela faz uma abordagem sobre as Tecnologias Assistivas e sobre o uso das Tecnologias da Informação no processo de uso da Biblioteca. Quer ler o artigo? Lá vai: 1,2,3, e... olha aí o link!!! :-)

http://docs.google.com/viewer?a=v&pid=gmail&attid=0.1&thid=12dec1be961cae98&mt=application/pdf&url=http://mail.google.com/mail/?ui%3D2%26ik%3Db29f01f640%26view%3Datt%26th%3D12dec1be961cae98%26attid%3D0.1%26disp%3Dattd%26realattid%3Df_gjptbal00%26zw&sig=AHIEtbQoOdr5HchwngE-BQpwGAfOI8xMrg

Boa leitura! :-)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Física para deficientes visuais: já pensou nisso?

Ooooooopa!!!! De olho o que está "rolando" em outras universidades brasileiras, em relação à questão da Educação Inclusiva no ensino de Exatas, e fazendo contatos, descobrimos isto, ó:
http://www2.fc.unesp.br/encine/

É o site "Ensino de Ciências e Inclusão Escolar",do professor de física Eder Pires de Camargo. Ele é professor doutor da UNESP, e trabalha com a temática do ensino de Exatas - principalmente Física- para deficientes visuais. Como as pessoas com limitações visuais percebem o mundo de modo distinto das pessoas que enxergam bem -e, portanto, aprendem as coisas de modo diferente das normovisuais (já que seu padrão sensorial é diferente)... então, por que não valorizar os talentos para as ciências que muitos DVs possuem (em muitos casos, latentes)? Então, o site mostra estudos e pesquisas que estão sendo desenvolvidos para planejarem técnicas de ensino que valorizem o aprendizado por meio dos sentidos remanescentes (audição, tato, etc) e de habilidades diversificadas (orientação espacial, por exemplo).

Quer saber mais sobre o professor e sobre seu trabalho - bem como as razões que o levaram a desenvolvê-lo na universidade? A história dele é bem interessante!!! Lembra de um post que fizemos em novembro/2010 e que intitulamos "Toc, toc, toc... tem algum matemático deficiente visual aí?" ? Pois é: se agora fizermos a pergunta "Toc, toc, toc... tem algum físico deficiente visual aí?", vamos ouvir a seguinte resposta: "Siiiiiiiim!!!" Não se esqueça que a Física e a Matemática "andam" bem juntas - daí um post falando sobre Física em um blog sobre Matemática! :-) A Física utiliza diversas aplicações da Matemática, para quantificar fenômenos. Aliás, quem faz curso superior de Matemática, como nós, vai se deparar na grade obrigatória com disciplinas de física, tais como Mecânica e Eletromagnetismo. (Pertencem ao grupo de disciplinas de matemática aplicada que possuímos).
Lá vai o link para você conhecer um pouco sobre o professor Éder:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=83037

O professor Dr. Éder Pires tem vários artigos publicados - muitos deles em co-autoria com outros docentes da área- sobre o tema. Quer ver? Você pode encontrar a lista de links em:
http://www2.fc.unesp.br/encine/artigospublicacoes.php

Ah! E tem mais!!!!! Ele publicou um livro também!!! :-) A obra é intitulada "Ensino de Óptica para alunos cegos: possibilidades". Quer saber mais sobre o livro? "Voilà"!!!
(Crédito da imagem abaixo, que mostra a capa do livro: [1] ).

















Segundo a resenha do livro, disponível em http://www2.fc.unesp.br/encine/ensinooptica.php ,

" (...)Organizado em nove capítulos, [o livro] busca compreender quais contextos comunicacionais favorecem e quais dificultam a participação efetiva do aluno cego em atividades de óptica.(...) a interatividade, ao aproximar aluno com e sem deficiência visual, favorece a utilização de linguagens de acesso não-visual, e reconhece a importância do professor ao organizar sua comunicação em função de linguagens acessíveis a todos os discentes. (...) "

E você, leitor do "Sopa"? Caso tenha alguma experiência interessante relacionada ao tema deste post, conte-nos! :-)


Crédito da imagem deste post:


[1] http://www2.fc.unesp.br/encine/ensinooptica.php


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História de sucesso: inclusão escolar de alunos com necessidades especiais

Oooooooopaaaa!!!! Olha "nóis" aqui mais uma vez, indicando coisas interessantes que vemos pela web afora!!! :-) Desta vez, quem publicou na internet um post caprichado foi a Lak Lobato, blogueira do "Desculpe, Não Ouvi" (cujo link está no canto direito desta página). O post é intitulado "Inclusão Social Escolar", e que você pode ler em
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/02/01/inclusao-social-escolar/

A autora do blog, que foi praticamente surda dos 10 aos 33 anos de idade (e que agora ouve graças a um dispositivo eletrônico chamado Implante Coclear), conta como fazia, nos anos escolares, para contornar sua deficiência auditiva e, assim, acompanhar as aulas. Um exemplo de que é possível a superação de barreiras! Viu só a garra e a determinação da menina??? Vale a pena salientar que, nos tempos em que a Lak estava na escola, não tinha essa lei de Inclusão na Educação que temos hoje... então, naquele tempo, o jeito era "arregaçar as mangas" e batalhar!!! Aliás, se mesmo com a lei hoje em dia, a vida do deficiente na escola ou universidade já costuma ser uma batalha... então... tente imaginar quando a referida lei nem existia!!! :-O Era tudo bem mais difícil.

Ah, e não deixe de ler os comentários (ou "palpites", como a autora Lak denomina) da referida postagem no blog dela! Nós, do "Sopa", fomos lá e também postamos nossos comentários!!! :-)

Boa leitura!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Alunos deficientes visuais numa aula de matemática! :-)

 
Leitura em Braille.  (Crédito da foto: [1] )
 
Cubo Mágico em Braille.  (Crédito da foto: [2])
  Segundo Nuno Santos, Cláudia Ventura e Margarida César, no texto online Alunos Cegos nas Aulas de Matemática [3],


"as escolas devem ser capazes de identificar as barreiras que se colocam aos alunos cegos no acesso ao sucesso académico e inclusão social. Batista (2005) relembra que, para os cegos, é importante criar condições para que os obstáculos devidos à falta de visão possam ser diminuídos, criando oportunidades de acesso à participação nos processos de ensino e de aprendizagem. Torna-se, por isso, necessário reflectir sobre as experiências de ensino e de aprendizagem que envolvem alunos cegos. Esta reflexão pode contribuir para identificar as barreiras que estes alunos enfrentam no acesso às ferramentas culturais da matemática e à sua participação em cenários de educação formal."
 
 

Ou seja, o ambiente educativo deve ser favorável à prática de ensino que seja mais adequada às habilidades dos alunos deficientes visuais que possuem bastantes habilidades por meio do tato, audição e formas próprias de mapeamento e orientação espacial, já que não possuem a visão ou possuem em percentagem baixa. Assim sendo, as técnicas de ensino tradicionais devem ser repensadas, de forma que atenda não só aos educandos de visão normal, mas também aqueles que possuem deficiência visual.

Existe, na grafia Braille, o que se chama de Código Matemático Unificado que é a grafia Braille oficial dos símbolos de Matemática empregados desde os conteúdos ministrados na Educaçaõ Básica até a Educação Superior. É importante que o estudante com deficiência visual domine essa escrita e que seus professores também a dominem, a fim de compreenderem o que seus alunos cegos escrevem, a fim de corrigir-lhes os exercícios e provas, acompanhando o aprendizado de seus alunos.

No entanto, é necessário o professor tomar certo cuidado, visto que a escrita Braille e a convencional possuem peculiaridades distintas, em termos de direção de leitura e escrita! Por exemplo, ao ensinar divisão, faz sentido dizermos que o numerador fica em cima e o denominador fica em baixo para um estudante que enxerga e usa a escrita comum... mas é totalmente sem sentido para um estudante cego usuário de Braille! Veja o relato abaixo, extraído do texto de Nuno Santos e outros autores, mencionado no início deste post:



"O primeiro exemplo que identificámos relacionava-se com o estudo dos números fraccionários, no 7.º ano de escolaridade. Uma das alunas cegas chamou-nos, durante a aula, pois na ficha de trabalho havia uma expressão que ela não conseguia compreender. Tratava-se de uma fracção, que os alunos tinham estudado anteriormente. Acontece que esta aluna tinha apropriado e interiorizado o conceito de numerador como o número que está em cima e de denominador como o número que está em baixo, o que não é o correcto na GMB, em que as posições destes dois conceitos são as opostas. No sentido de evitar confusões com outros símbolos já existentes, definiu-se que o numerador numa fracção aparece ligeiramente descido, ao passo que o denominador se mantém na mesma posição o que, em termos relativos, corresponde a estar representado mais alto."
 

Tem também esse relato aqui, feito pelos mesmos autores:



"Uma das alunas cegas que acompanhámos, enquanto professores de apoio, no 8.º ano de escolaridade, manifestou a sua indignação por não conseguir acertar com os procedimentos para a resolução de equações pois, quando a professora perguntava o que deveriam começar por fazer, num exemplo como o anterior, ela respondia, ser necessário desembaraçar de parênteses. Outros colegas diziam que era apenas necessário reduzir ao mesmo denominador. Uma vez que, na escrita a negro, não existiam parênteses, a professora acabava por reforçar a resposta dos restantes colegas. Deixando a aluna cega confusa, sem entender o que a professora e os demais colegas estavam a dizer. O conhecimento da GMB, por parte do professor, permite evitar alguns destes incidentes, que pouco contribuem para a aprendizagem e muito contribuem para formas diversas de exclusão, de não participação nas actividades matemáticas desempenhadas em cenários de sala de aula e, consequentemente, para a desmotivação ou falta de confiança nas capacidades e competências, por parte dos alunos cegos. A escrita das expressões matemáticas numa linha pode ser uma forma adequada de levar os alunos, denominados normovisuais, a compreender melhor o uso dos parênteses e a prioridade das operações. Ao nível do ensino secundário de matemática, este investimento na escrita de expressões com recurso aos parênteses, pode desempenhar um papel importante no estudo de temas como as funções. Nesses anos de escolaridade, os alunos terão de recorrer à calculadora gráfica para escrever as expressões de funções, que muitas vezes se apresentam a negro com numeradores e expoentes, mas cuja escrita na calculadora gráfica obriga a recorrer ao uso de parênteses. Assim se percebe que possa ser importante abordar este assunto na sala de aula, com toda a turma, e qual a importância e impacto que esta abordagem pode ter, ao nível das aprendizagens, para todos os alunos e não apenas para os alunos cegos. É também uma forma de dar a conhecer a diversidade de representações que podemos encontrar na escrita da matemática, que os diversos alunos devem conhecer". 
 
[3]

Matemática para deficientes visuais_Introdução

Muito se fala de Educação Matemática, de técnicas de ensino de Matemática, de desenvolvimentos de jogos educativos para ensinar essa matéria que, segundo muitos estudantes, é osso... =P E você, que está lendo este blog: já parou para pensar como os deficientes visuais fazem para aprender Matemática? Oras, se para muitas das pessoas de visão normal, essa matéria já é considerada difícil... que diria para alguém que não consegue ver a lousa e o caderno?




(Crédito da imagem: [1])


Bom, primeiro vamos ver: como os cegos e portadores de baixa visão fazem para estudar?
Os portadores de visão subnormal são aquelas pessoas que, mesmo com óculos e lentes de contato, não conseguem enxergar bem. Daí a necessidade de recursos ópticos especiais, tais como lupas, telescópios, escrita com letras ampliadas, etc. Dependendo da doença ocular que os acometem, podem preferir recursos de áudio (matérias sendo gravadas em mídias de áudio, ou pessoas lendo para eles), já que há doenças oculares que fazem com que os olhos dessas pessoas cansem muito rápido com o esforço visual.
Já os cegos, para fins educacionais, são aquelas pessoas que não podem contar com visão residual como os indivíduos listados acima. Os cegos, além dos recursos de áudio descritos acima, valem-se do Alfabeto Braille para leitura e escrita além de necessitar de materiais educacionais que explorem a audição e o tato.
Falando em Alfabeto Braille: você o conhece?


(Crédito da figura: [2])



Crédito da figura:[3]

Tanto os cegos quanto os portadores de visão subnormal podem contar com ferramentas computacionais para utilizarem em seus estudos, tais como: computador adaptado com recursos de zoom (para ampliação, no caso de quem tem baixa visão) e computador com softwares leitores de telas úteis principalmente para as pessoas totalmente cegas. Esses softwares leem em voz alta tudo o que está escrito em uma tela de computador, ou tudo o que é digitado. Através de um sintetizador de voz e de um alto-falante, a pessoa deficiente visual pode interagir com a máquina.
Alguns exemplos de leitores de tela são: Jaws, Virtual Vision (para Windows), Orca (para Linux), além do Sistema Operacional Dosvox, que pode ser usado tanto em computadores com Windows ou Linux.


Crédito da foto: [4]

Ok, vimos como os deficientes visuais podem estudar... mas aposto que você, leitor(a), está ansioso(a) para ver como essas pessoas estudam MATEMÁTICA!!!! :-)
Tudo bem, não se desespere... é só acompanhar os posts que se seguem!!! ;-)



Quer ler mais? Clique nos links que se seguem!
Sistema Dosvox para cegos
Como o Dosvox foi criado?
Leitor de telas Jaws
Virtual Vision
Leitor de telas Orca
Instrumentos para se escrever em Braille