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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

TECNOLOGIAS ASSISTIVAS: Abrindo portas no mercado de trabalho

Por: Débora Rossini 

Ooooopa! Este post estava sendo planejado há um tempão, mas só agora que saiu, kkkk! Custou, mas foi! Ele trata da questão das novas Tecnologias Assistivas, e as atividades profissionais desempenhadas por pessoas com deficiência - mostrando como as Tecnologias Assistivas podem ajudar pessoas com algum tipo de deficiência, necessidade especial a fazer coisas diversas... e que, sem elas, teriam que aceitar o (chato) fato de não poderem estudar ou trabalhar - ficando às margens da sociedade produtiva e ficando ociosos em casa, recebendo auxílio financeiro do governo ou aposentadoria por invalidez (no caso de pessoas que adquiriram deficiência ao longo da vida). 

Há cerca de alguns meses atrás, ficou bastante conhecido o caso ocorrido em uma empresa de transporte particular de passageiros, em que o motorista era surdo sinalizado. Para quem não lembra do caso, vamos lá: um rapaz e alguns amigos pegaram um carro da referida empresa, chamando-o por meio do aplicativo - e quando ele chegou, se surpreenderam com o fato de que o motorista era surdo sinalizado. Mesmo não podendo ouvir, o motorista fez direitinho o serviço como qualquer outro condutor - graças ao fato de ele estar fazendo uso, no serviço, de um app no qual toda a comunicação era escrita, e de ter uma aplicação que indicava a rota necessária. Os passageiros ficaram tão surpresos, que decidiram, ali mesmo, pesquisar no Google (através de seus smartphones, certamente) como se fala ''Obrigado!" em Libras, para poderem agradecer ao condutor quando descessem! E assim o fizeram. O motorista ficou muito feliz. Posteriormente, um desses rapazes que eram passageiros da referida viagem relatou esse fato em seu facebook, e o post viralizou na época
O motorista, muito feliz, agradeceu emocionado, e a história foi parar em vários sites de notícias!!! :-D 

Este é um dos casos em que se pode exemplificar, perfeitamente, como as novas tecnologias (sejam elas de uso geral ou especificamente assistiva) podem possibilitar a inserção de pessoas com deficiência na sociedade e no mercado de trabalho - de forma a maximizar sua eficiência nas tarefas a serem desempenhadas e minimizar o isolamento (de comunicação) entre elas (quando se trata de alguma deficiência sensorial que interfira nessa habilidade)! 
Há também outras situações que as tecnologias ''unem" as pessoas com e sem deficiência: 

- CEGOS: Antes, sua escrita estava limitada ao uso do alfabeto Braille, e, para serem entendidos em seus textos e mensagens (e, então, poder haver troca de textos escritos entre videntes e cegos) os videntes (ou seja, pessoas que enxergam) acabavam tendo, obrigatoriamente, que aprender a ler e escrever em Braille! Caso contrário, tinham de recorrer a um transcritor Braille (profissional que faz a transcrição de um texto Braille para o alfabeto convencional e vice-versa) que nem sempre estava disponível no momento. Hoje em dia, com os softwares leitores de tela, cegos e videntes podem, com a maior facilidade, com o uso de um computador, trocarem mensagens de textos, compartilhar emails e textos escritos diversos, relatórios, etc. 

-CADEIRANTES - Antes, era difícil ingressar ou retornar ao mercado de trabalho em profissões que, tradicionalmente, exigem que a pessoa fique de pé para realizar certas atividades (ex: ser professor/a na educação básica). Hoje, com cadeiras de rodas especiais, pode-se realizar tal tarefa - escrevendo na lousa, rodando pela sala, passando de carteira em carteira de cada aluno, etc. Veja que interessante o caso desta professora aqui .  

Estes são exemplos de três casos que demonstram muito bem o importante papel das tecnologias assistivas como ''turbinador'' das capacidades de uma pessoa com deficiência, minimizando as limitações impostas pelas condições físicas e sensoriais... Mas existem muitos outros casos em que tais tecnologias abrem um grande universo de possibilidades profissionais para pessoas com deficiência, podendo fazer inúmeras tarefas em seus cotidianos profissionais... Se fizer uma busca no Google, dá para você encontrar muitas outras histórias bem legais, que merecem ser lidas e compartilhadas! =) 

E então... O mercado de trabalho está aí, e dá para ver que há SIM, possibilidades para que a pessoa com necessidades especiais tenha condições de executar uma atividade laboral, valorizando suas habilidades e respeitando suas limitações!!! 

Cabe agora às empresas, e empregadores diversos, RECONHECEREM os talentos que os profissionais com deficiência possuem, e FAZER VALER a Lei de Cotas sem ''enrolar" e afirmar falsamente que ''a vaga está preenchida" ou que "a vaga não é para o seu perfil" (sem motivo real para tal afirmação). 


ALÔ, EMPREGADORES!!! ALÔ, PESSOAL DO RH!!! ALÔ, QUAISQUER PESSOAS QUE PRECISAM DE CONTRATAR PROFISSIONAIS PARA O SEU NEGÓCIO!!! Bóra dar uma chance para os profissionais talentosos, com necessidades especiais, também??? Vale lembrar que, justamente por serem pessoas que diariamente enfrentam desafios de viver em um mundo "não- feito para elas", de terem de lidar com adversidades, de terem de se adaptar e reinventar constantemente para conseguirem fazer as tarefas diárias, e terem de superar e dar a volta por cima de situações geradoras de incompreensão, tais indivíduos acabam por serem mais tolerantes a adversidades, mais criativos, e que geralmente ''não se abalam por qualquer coisinha boba". Tais características são pontos fortes que ajudam muito na lida diária do mercado de trabalho, não é??? Então...! Aproveitem!!!! 


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA x ZONA DE CONFORTO

Por: Débora Rossini 


Dizem por aí que é muito importante para um ser humano não se acomodar, sempre encarar novos desafios, testar seus limites, para seu crescimento e amadurecimento pessoal e profissional. Enfim, vira e mexe a gente vê e ouve: ''-Saia da zona de conforto''! 

Mas e para uma pessoa com deficiência (PcD)? Será que um conselho como este não seria, digamos, ''redundante''? Veja só o porquê disso:

Definitivamente, ''zona de conforto'' é uma coisa que não existe no cotidiano de uma pessoa com deficiência. Afinal, dia após dia, a PcD tem de reavaliar planos, tem de criar estratégias, tem de saber improvisar, tem de saber lidar com gente inconveniente (mas que por um motivo ou outro depende dela e que não pode mandá-la a m****), tem de saber coisas relativas à medicina e a tecnologia (mesmo não sendo da área acadêmica relacionada à sua formação)... enfim, a pessoa com deficiência muitas vezes acaba até mesmo se superando, em termos de amadurecimento, em relação a uma pessoa ''comum'', haha!

E quando a intensidade do quadro clínico da pessoa com deficiência não é estável (ex: doenças progressivas)? Vira-e-mexe a pessoa tem de fazer adaptações e readaptações, inventar métodos e reinventá-los, pesquisar, descobrir, adaptar, aprender... além de ter, constantemente, de ficar ensinando aos outros à sua volta, como lidar com essas características - e muitas vezes não tendo o resultado esperado...  
O mesmo, na minha opinião, vale para os pais/mães de crianças e adolescentes com deficiência. 

Do jeito que as empresas hoje em dia, para aceitarem currículos e avaliar entrevistados, valorizam pessoas que sejam criativas, proativas, dinâmicas, que se adaptem às adversidades, talvez se elas enxergassem que a pessoa com deficiência já faz isso todo dia (e que acaba usando tais habilidades no dia-a-dia), talvez as PcD até seriam contratadas mais facilmente que as pessoas ''comuns'', hehehe...  Uê, não são justamente essas habilidades aí que os empregadores valorizam??!! Mas pena que na realidade é o oposto (os empregadores só enxergam as limitações, em vez de valorizar as habilidades!) Chato, né? :-/
Mas vai aí uma dica para você que é um internauta com deficiência: procure pegar todos esses ''perrengues'' que você enfrenta no cotidiano, e transforme-os em oportunidades de aprendizado. E na hora de concorrer a uma vaga de emprego, de estágio, de bolsa-trabalho na faculdade/universidade, etc, deixe subentendido, na entrevista, que esse aprendizado foi incorporado ao seu jeito de lidar com tarefas para cumprir e problemas para resolver... e que, sem dúvida, isto pode ser utilizado a favor da equipe de trabalho à qual você pretende se integrar. Ou seja, pegue o ''limãozão azedo'' e faça dele uma limonada bem saborosa, do qual todos vão querer beber, e vão querer repetir!!! Hehehehe!!!!

E você, o que acha do que foi dito acima? Manifeste-se nos comentários abaixo! =)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

"Dia"... ou "DIAS"? (de Luta da Pessoa com Deficiência) ?????

Por: Débora Rossini

Ooooopaaa!!!! Já viu no calendário qual é a data de hoje?????  
Qualquer um que anda antenado  em assuntos referentes a Inclusão, Acessibilidade , pessoas com deficiência, necessidades especiais, etc, já deve ter "sacado" que o dia 21 de setembro, é uma data assinalada como "Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência", aqui no Brasil! E o "Sopa", claro, não poderia deixar de trazer uma postagem sobre o assunto, né???? Rerrerré!!!!!! 

Você, leitor, deve estar pensando:

"-Mmmmm,  mas o que essa blogueira 'doidona' acha disso aí?"  :-D

Bom... a meu ver, datas como essas ("Dia do Deficiente", "Dia da pessoa com... [insira aqui uma necessidade especial] ", etc), devem ser vistas como uma espécie de "cutucão" na sociedade majoritariamente constituída pelas pessoas "clinicamente normais (???!!)"   -com a finalidade de mostrar que, TODO DIA é dia de luta das pessoas com deficiência. 

 Sendo assim, o 21 de setembro representa mais um "toque" para lembrar que "TODO SANTO DIA" as pessoas com as mais diversas deficiências e necessidades especiais vêm lutando por seus direitos - de poderem estudar, de exercerem uma profissão, de terem acesso aos ambientes públicos e às prestações de serviços, de serem reconhecidas como SERES HUMANOS nos mais diversos círculos de relacionamento social, de não serem discriminadas nem vítimas de "bullying", etc...

Talvez você, leitor do "Sopa", deve estar pensando:

"-Pô... mas 'péra lá' : antigamente é que não tinha esse negócio de Lei de Inclusão, e as pessoas com deficiência acabavam sendo, digamos, segregadas : além de serem tratadas como 'coitadinhas' e discriminadas, eram tratadas com atitudes assistencialistas. Hoje em dia, elas são estimuladas a se inserirem ao 'mundo dos ditos normais', tanto socialmente quanto em termos de produtividade. E aí?"

É, leitor, mas infelizmente não é beeeeeeeeem assim... :-(

"-Quer dizer então que a galera com algum tipo de necessidade especial ainda se sente insatisfeita? Ou seja, que as medidas e leis favoráveis a essas pessoas ainda são insuficientes para lhes atender plenamente? " - certamente o leitor está se questionando.

O raciocínio vai por aí mesmo...  Vou explicar direitinho... ;-) 

Ainda que a Lei da Inclusão esteja aí para ser cumprida, as dificuldades vividas pelas pessoas com deficiência ainda não acabaram... :-( Ainda há muito preconceito por parte das pessoas "ditas normais" (?????????), que duvidam de que os deficientes são capazes de fazerem muitas coisas - ainda que de maneira diferente do padrão imposto pela sociedade-  e de terem autonomia e independência em diversas situações. Ainda há muita "resistência", por parte dos "ditos normais", em aceitar "lidar com o diferente" - já que, para conviver e lidar com uma pessoa com algum tipo de deficiência, frequentemente implica-se em aprendizagem de novas formas de comunicação (Braille, LIBRAS, formas não-verbais para outros tipos de deficiência),  de novas formas de lidar com a pessoa no dia-a-dia, de novas tecnologias assistivas,  etc. Há também muita falta de compreensão - pelas pessoas "comuns" (?!?!) -  das reais necessidades das pessoas com deficiência, o que faz com que as pessoas sem tais necessidades pensem erroneamente que certas atitudes e adaptações, destinadas a quem PRECISA delas,  são "privilégios" ou "frescuras". Ainda há também quem ache, erroneamente, que adaptações que visam à acessibilidade/desenho universal são "um trabalho a mais" e "despesas extras".

 E olhem que falta de informação não é desculpa: hoje em dia, com a internet funcionando a todo vapor, dá para se buscar informações, destinadas a leigos, sobre a maioria das deficiências mais conhecidas. Tem muitos sites e blogs - vários deles MUITO BONS-  que abordam o tema! (Se você ficou curioso de conhecer alguns, que são recomendados pelo "Sopa", dê uma olhada no canto direito desta página. Vá descendo a barra de rolagem, até achar uma lista de blogs e sites sobre o assunto... e divirta-se!) Vários desses sites e blogs são escritos pelas próprias pessoas com deficiência - nos quais eles não só dão informações sobre suas necessidades, mas também expressam seus pontos de vista sobre elas e como é o dia-a-dia de uma pessoa com o quadro clínico relatado. 

Ah, e outra coisa que ocorre frequentemente: as Leis relativas à Inclusão estão aí... mas infelizmente, nem sempre elas são cumpridas... aí, dificulta bastante a vida das pessoas com deficiência, né????  :-( Taí outro ponto da "luta" da pessoa com deficiência: não só a de quebrar preconceitos e tabus, mas também de fazer as leis "valerem"... e não ficarem só "no papel".

E então, galera? O que vem à cabeça de vocês, quando aparece no calendário datas como esta - que não são datas comemorativas coisa nenhuma, mas sim datas de reflexão e de lembrança de que é necessário que atitudes sejam tomadas, a fim de que as pessoas com necessidades especiais possam ser reconhecidas como seres humanos como qualquer outro, com suas limitações e habilidades?  ;-)

segunda-feira, 21 de março de 2011

Quer saber se está chovendo? Que tal sentir o cheiro para saber?

Oooooopa!!! De novo na net, trazendo coisas interessantes para os leitores!!!! Desta vez, a novidade "internética" vem lá do site "Educação Matemática e Surdez", escrito pelo professor Salles - e que foi um dos primeiros que adicionamos à nossa lista de favoritos. Olha o link aí,para a nossa sugestão de leitura de hoje, moçada!!! O texto que sugerimos para leitura se chama "O Cheiro da Chuva", e pode ser lido em:

http://ersalles.wordpress.com/ppees/#comment-115

O autor do post , que é professor de Matemática, conta uma experiência interessante com uma aluna surda, na época em que ele fazia um trabalho acadêmico de campo, a fim de coletar material para sua monografia. Não vamos contar muito, senão perde a graça, rerrerré! ;-) Mas, para ir adiantando, o relato do professor mostra o seguinte: as pessoas que possuem limitações sensoriais podem desenvolver mecanismos adaptativos que resultam no fato de os outros sentidos remanescentes ficarem mais aguçados! E, por consequência, tais pessoas desenvolvem maneiras alternativas de perceberem os fenômenos ao redor e o mundo à sua volta!

Fica aqui a seguinte ideia para reflexão: as pessoas com (d)eficiência têm todo o potencial de desenvolverem talentos e habilidades, a fim de atingirem seus objetivos de estudar, de trabalhar, de fazer amigos, de... enfim, viver! Cabe à sociedade, composta majoritariamente de pessoas sem necessidades especiais (será que é isso mesmo?!?!?!?!) entender esse fato e acolher quem tem dificuldades de audição, de visão, de locomoção ou qualquer outra.

O "Sopa", que vive marcando presença na blogosfera ( a modéstia passou longe, heim? Rarrarrá!!!), foi até o "Educação Matemática e Surdez"... e, claro, deixou um palpite na página de comentários - após ler o post feito pelo professor Salles. Escrevemos o seguinte "palpite":

"Bastante interessante essa observação acerca do “cheiro da chuva”!!! Ela é uma demonstração clara da questão do desenvolvimento de outros sentidos – ou seja, quando uma pessoa possui uma deficiência sensorial, ela aguça os sentidos remanescentes para ampliar sua percepção de mundo! ;-) No caso da Juju, como ela não escuta o barulho da chuva, ela desenvolveu meios alternativos de perceber isto (além , claro, de utilizar as pistas visuais quando possível).
A percepção do “cheiro da chuva” também ocorre com deficientes visuais, cujo olfato geralmente é aguçado, para compensar o déficit visual! (Outra alternativa para os cegos é o recurso auditivo – ou seja, o som da chuva.)"

E vocês, leitores do "Sopa", o que acham? Comentem!!!!! :-D

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

História de sucesso: inclusão escolar de alunos com necessidades especiais

Oooooooopaaaa!!!! Olha "nóis" aqui mais uma vez, indicando coisas interessantes que vemos pela web afora!!! :-) Desta vez, quem publicou na internet um post caprichado foi a Lak Lobato, blogueira do "Desculpe, Não Ouvi" (cujo link está no canto direito desta página). O post é intitulado "Inclusão Social Escolar", e que você pode ler em
http://desculpenaoouvi.laklobato.com/index.php/2011/02/01/inclusao-social-escolar/

A autora do blog, que foi praticamente surda dos 10 aos 33 anos de idade (e que agora ouve graças a um dispositivo eletrônico chamado Implante Coclear), conta como fazia, nos anos escolares, para contornar sua deficiência auditiva e, assim, acompanhar as aulas. Um exemplo de que é possível a superação de barreiras! Viu só a garra e a determinação da menina??? Vale a pena salientar que, nos tempos em que a Lak estava na escola, não tinha essa lei de Inclusão na Educação que temos hoje... então, naquele tempo, o jeito era "arregaçar as mangas" e batalhar!!! Aliás, se mesmo com a lei hoje em dia, a vida do deficiente na escola ou universidade já costuma ser uma batalha... então... tente imaginar quando a referida lei nem existia!!! :-O Era tudo bem mais difícil.

Ah, e não deixe de ler os comentários (ou "palpites", como a autora Lak denomina) da referida postagem no blog dela! Nós, do "Sopa", fomos lá e também postamos nossos comentários!!! :-)

Boa leitura!!!

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Conserve o que você tem!!! E já!!!

Por: Débora Rossini

Se você que está lendo esta postagem for deficiente visual (DV), atenção: este texto foi escrito para você mesmo!!! Você - e muitos outras pessoas cegas e de baixa visão- fazem parte do público-alvo deste post!!! (Mas se você é normovisual, esteja à vontade para ler também, hehehe!!! )
Trazemos, para você que é DV, dicas para aproveitar ao máximo todos os recursos sensoriais que você possui! Elas foram elaboradas por uma pessoa que, temporariamente, foi portadora de deficiência visual. Embora tal pessoa fosse leiga na área de saúde, ela correu incessantemente atrás de informações que pudessem ajudá-la a conviver melhor com a deficiência visual - e, assim, evitar correr o risco de, a longo prazo, tornar-se deficiente sensorial dupla ou múltipla devido a pequenos deslizes no dia a dia (ou devido a pura falta de esclarecimento adequado.) Ela vivia dizendo a seus amigos: "Já não basta ter UMA deficiência para dar tanto impacto na vida pessoal, profissional e acadêmica...? Duas ou mais, certamente, vão dar uma 'mão-de-obra' um pouco maior...!"

Então, "voilà" às dicas!

Bom, vamos admitir que você é um deficiente visual que não possui outra deficiência sensorial concomitante - tal como auditiva, por exemplo. Tendo todos os outros sentidos intactos (excetuando, obviamente, a visão), siga os toques que se seguem!

SAÚDE VISUAL - VISÃO RESIDUALSe você possui baixa visão, procure informar-se com o seu médico sobre os detalhes a respeito de sua(s) patologia(s) ocular(es). O que o médico lhe diz, quanto ao uso de sua visão residual? Sabe-se que há doenças oculares nas quais, quanto mais se usa a visão residual, mais se retarda a perda total desta (por estimulação contínua); mas, por outro lado, há outras em que quanto mais a visão residual é utilizada, mais DETERIORA-SE a visão (por forçar-se um órgão que já se encontra debilitado em suas funções). Então, converse com o seu médico oftalmologista e informe-se direitinho! :-)

Descrição da foto: exame de vista. Crédito da imagem: servidorpublico.net

Caso seja mais indicado POUPAR a visão residual para preservá-la, NÃO PENSE DUAS VEZES! Nada de ficar forçando a vista desnecessariamente. Um tiquinho de visão residual que você tiver, por menor que seja, faz toda a diferença em determinadas situações!!!! Assim, use o que seus ouvidos, tato , olfato e paladar têm a lhe oferecer!!! Observação: se você é deficiente visual completo, não fique aí achando que ouviu este parágrafo à toa: conte o que você aprendeu, para algum portador de visão subnormal que você conheça! Hehehehe! Vai dar uma ajuda e tanto!

SAÚDE AUDITIVA
Preserve a sua audição ao máximo. Ela, por motivos fáceis de entender, tem de fazer o papel de ouvido e de olho ao mesmo tempo, não é mesmo? Afinal, para compensar o déficit de visão, você precisa da audição mais do que os normovisuais, uê! Então, com atitudes simples, você poderá evitar sair perdendo sua audição "por bobeira"! Evite lugares muito barulhentos, e evite colocar aparelhos eletrônicos de som em volume alto - ainda mais se for com fones de ouvido! A exposição a altos níveis de ruído, acima de 85 decibeis, pode levar a perdas - muitas vezes irreparáveis- da audição.


Descriçaõ da foto: menina incomodada com ruídos altos. Crédito: revistacrescer.globo.com
Fones de ouvido, se mal utilizados, prejudicam a saúde auditiva! O uso contínuo destes dispositivos, por muitas horas seguidas, não é recomendado pelos especialistas em saúde. É que eles ficam praticamente "dentro" do ouvido, com a fonte sonora muito próxima ao tímpano. Por isso, a longo prazo, corre-se o risco de prejudicar a audição. Se colocar o som alto com o fone de ouvido, aí vai detonar mais ainda a sua capacidade de ouvir!!! CUIDADO! Então, sempre que possível, faça o máximo para restringir o uso deste equipamento, preferindo as caixas de som externas, próprias do aparelho eletrônico de som. Ah, e em volume sonoro baixo, viu???
Descrição da imagem: rapaz usando fones de ouvido. Crédito: fotosearch.com.br
Se, para um normovisual, esses cuidados são fundamentais para a manutenção da tão importante saúde auditiva, imagine então a importância elevada da audição para um deficiente visual! Tal preciosidade não pode, de forma alguma, ser jogada fora, hehehe! Então, fique atento!

Quando você estiver em um local muito barulhento, do qual não dá pra sair (como, por exemplo, um evento social com música muito alta, ou uma área barulhenta onde você more, estude ou trabalhe), que tal experimentar protetores auriculares? São discretos, baratos e facilmente encontrados em drogarias, farmácias e lojas de "produtos para saúde". São costumeiramente usados por pessoas normovisuais que trabalham em locais de alto nível de ruído (como industriais, motoristas de ônibus, etc) ou até mesmo estudantes que necessitam concentrar-se em suas tarefas escolares/ acadêmicas e não dispõem de um lugar tranquilo e silencioso para estudar. Já ouviu histórias de jovens normovisuais que precisavam fazer os trabalhos da escola ou faculdade, ou preparar-se para vestibulares e concursos e que, cansados do som alto dos vizinhos ou da barulheira na própria casa (por incompreensão dos familiares ou colegas de república) , compraram um abafador auricular para contornar o problema?

Descrição da imagem: protetores auriculares. Crédito: turso.terra.com.br
Pois é! Esse dispositivo, além de ajudá-lo a se concentrar melhor, vai proteger seus ouvidos e dar-lhe até um maior sossego - já que na maioria absoluta das vezes os DVs são mais sensíveis a estímulos sonoros que as pessoas de visão normal (e,portanto, irritam-se mais facilmente com ruídos indesejados). Mas atenção: ao comprar seu protetor auricular, prefira os de espuma, que são mais confortáveis e parecem ser os mais eficientes. (Se vier com uma cordinha amarrando os protetores, melhor ainda, para não perdê-los, hehehe!) E mais: fique atento às instruções de uso e manuseio corretos. Caso contrário, além de o objeto não desempenhar seu papel corretamente, podem ocorrer problemas de saúde nos ouvidos devido à má higienização (por acúmulo de bactérias) ou incômodos como acúmulo de cera no ouvido por posicionamento incorreto (tal como aquela velha história do uso incorreto dos cotonetes de limpeza, que todo mundo conhece muito bem!) Ah! E troque o par de protetores auriculares sempre que sentir que eles estão velhos (ou seja: "molengos", com dificuldade de parar no lugar correto...). Senão, eles não cumprirão o papel deles! É igual a escova de dentes: se ficou velha, ela não limpa direito... então, troque! ;-)

Outra dica: ao usar um medicamento, fique atento se ele não possui em sua fórmula componentes que são ototóxicos - ou seja, que podem causar, como sequela de seu uso, a surdez! Converse com o seu médico; ele saberá informar melhor e detalhadamente isso a você.

SAÚDE OLFATIVA E GUSTATIVA
Você que, mais do que os normovisuais, sabe o quanto que o olfato e o paladar são importantes para compensar o déficit visual, não é mesmo? Então, lá vão mais umas dicas:

-Se você fuma, largue JÁ o cigarro! Pesquisas mostram que o hábito de fumar reduz a capacidade da pessoa no referente à percepção de cheiros e sabores. (Duvida?! Dê uma "googlada" aí e confira!) Largando o hábito de fumar, você sentirá o aumento da sua percepção olfativa e gustativa. Ora, se você tem tanta opção de coisas nutritivas, saudáveis, com cheirinho gostoso, sabor delicioso, diet e light para pôr na boca (leia-se: comida saudável), para que você vai ficar colocando cigarro malcheiroso e cancerígeno na boca??? Além de o cigarro causar um déficit olfativo e gustativo (de déficit, já basta o visual, que traz as barreiras que todo DV conhece!), dá também aquele tantão de malefícios à saúde, que são amplamente divulgados pela mídia. Caso ainda assim você seja fã do cigarro, alegando que " ele ajuda a relaxar" (ainda mais que DV tem o dobro de dificuldades cotidianas em comparação com as pessoas sem necessidades especiais - e usa isso como válvula de escape), seguem algumas dicas de atividades que relaxam e dão prazer sem arruinar sua saúde: vá conversar com um amigo, tocar algum instrumento musical, fazer um lanche nutritivo que não prejudique sua boa forma, navegar na internet... e aproveite para ler o "Sopa de Números na Educação Inclusiva", rarrarrá!!!! :-) Temos certeza de que você vai desistir do tabagismo rapidinho, hehehehe!
Descrição da imagem: placa indicativa de que é proibido fumar. Crédito: tobeingoodhealthy.blogspot.com

-Outra coisa: se você contrai gripes e resfriados com frequência - ou possui problemas respiratórios crônicos que causem obstrução nasal, tais como rinite alérgica e outros- , certamente nota uma diminuição na sua capacidade olfativa, não é? Então, não perca tempo: tente descobrir quais os fatores que desencadeiam esses eventos. Marque com o seu médico otorrinolaringologista uma consulta e veja com ele o que pode ser feito para minimizar o seu problema. Será que a sua alimentação está balanceada o suficiente, ou faltam alguns nutrientes - e, assim, seu sistema imunológico estria um pouco baixo? Será que determinadas práticas esportivas podem melhorar sua qualidade respiratória e diminuir a ocorrência de tais problemas? Será que você precisa de medicação indicada para o seu caso? Seu médico certamente irá ajudá-lo nessa tarefa.

Observação: Se você que está lendo este post é deficiente visual, mas possui outra deficiência sensorial concomitante, basta adequar as habilidades que você possui com seus sentidos intactos remanescentes, combinando seu funcionamento de acordo com as limitações dos órgãos dos sentidos que possuem funcionamento comprometido. Ou seja, se você por exemplo é deficiente visual e auditivo, faça o máximo para evitar perder mais ainda as percentagens residuais de visão e audição (caso as tenha) e preserve ao máximo as percentagens totais dos demais sentidos. Assim, inspire-se nas dicas dadas ao longo deste texto, e adeque-as à seu perfil de percepção sensorial. Assim, evitará contrair novos problemas de saúde que irão somar mais limitações às que você já possui. Então, cuide-se! ;-)

Agora é sua vez, leitor do "Sopa", que seja DV ou não: considerando-se que as dicas acima foram elaboradas, testadas e aprovadas por uma pessoa então deficiente visual, o que achou? Gostou? Comente em nosso blog! Aliás, sugestões adicionais -que poderão turbinar tudo isso dito acima- são muito bem-vindas!!!! :-)

*Colaborou na revisão de texto deste post: Raquel Rossini, graduanda em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).