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domingo, 12 de abril de 2020

Usar máscaras é necessário. Mas como ser INCLUSIVO diante disso?

Por: Débora Rossini 


Fala, povo! Diante da pandemia do coronavírus, vira e mexe vejo:

"-Fique em casa. Mas se, por algum caso de extrema necessidade tiver que sair, USE MÁSCARA".

Ou então:

"Cidade de [esqueci o nome agora] , por decreto municipal, coloca obrigatório o uso de máscaras caso a pessoa precise sair de casa".

Ou ainda:

"Alguns países europeus ,como a Alemanha, que já tiveram alguma queda nos casos de coronavírus, estudam as possibilidades de reabrir gradualmente os estabelecimentos - comércio, prestações de serviços, universidades - mas explicitando que o uso de máscaras seria NECESSÁRIO para que as pessoas pudessem frequentar tais lugares".

Aí fico pensando: com certeza, daqui a alguns meses, quando esse pico de contágio de coronavírus no Brasil começar a cair, vão acabar fazendo a mesma coisa. Porém, tem um detalhe: o uso (CORRETO!!!) de máscaras seria exigido - e com toda razão, pois é uma situação de saúde pública! Mas como fazer isso de forma que não aumente ainda mais a exclusão social (e até algumas situações constrangedoras e mal-entendidos) de determinadas pessoas, tais como surdas (sinalizadas e oralizadas), pessoas com Síndrome de Irlen (e outras condições visuais que as obriguem a usar óculos escuros o tempo todo, até mesmo de noite e em ambientes fechados) e pessoas de certas etnias que são estigmatizadas por racismo? A cobertura extra no rosto , tão necessária para manutenção da saúde pública, acabaria dificultando mais ainda a vida de tais indivíduos, que existem aos milhares (Leia mais a seguir o porquê!) .

MAS ISSO TEM SOLUÇÃO!!!

Que tal se as empresas, costureiras profissionais e laboratórios de universidades que estão confeccionando máscaras (para ajudar na prevenção da covid-19), fizessem também dessas máscaras, mas com material TRANSPARENTE, disponíveis à população?? [aperfeiçoando o protótipo caseiro feito por aquela moça  americana - ou aperfeiçoando o design dessas máscaras transparentes de acrílico reutilizáveis que os profissionais de saúde já estão usando, de forma a serem adequados para o cidadão comum usar no dia-a-dia?]

IRIA AJUDAR ENORMEMENTE NA INCLUSÃO SOCIAL (além de ajudar a combater um problema de saúde pública!) Olha o que aconteceria se houvesse desse produto à disposição, E OLHA COMO TAL PRODUTO TEM ALTA DEMANDA (valendo assim, o investimento na produção)!!! Vejam quem seria beneficiado com isso:

-PESSOAS SURDAS (oralizadas) que fazem uso de leitura labial/orofacial: quanto mais as outras pessoas estiverem usando máscara de material transparente, mais será possível que tais pessoas surdas consigam comunicar com elas adequadamente;

-PESSOAS SURDAS QUE USAM LIBRAS - Tanto para tais pessoas entenderem os outros quanto para serem entendidas, as máscaras serem transparentes seriam de fundamental importância, pois, como sabemos, Libras não é uma língua na qual se usam apenas as mãos para "falar", mas sim expressões faciais que as complementam fortemente!!! Ou seja, POSSIBILITA que tais pessoas se comuniquem!

-PESSOAS COM SÍNDROME DE IRLEN (OU OUTROS DISTÚRBIOS DE VISÃO EM QUE A PESSOA PRECISA USAR ÓCULOS ESCUROS COM LENTES FILTRANTES EM TEMPO **INTEGRAL** )- tais pessoas já ficam com metade do rosto coberto pelos óculos escuros; se usam máscara como as que temos disponíveis, o que acontece?? O ROSTO INTEIRO fica coberto!! Aí dificulta sua inclusão social em um monte de situações, uma vez que não dá para os outros verem os olhos delas - dificultando assim a identificação/reconhecimento, comunicação nāo verbal (sobretudo em situações onde não dá pra falar explicitamente algo, por questões de etiqueta e/ou pra evitar confusão com alguém que esteja perto, ou mesmo por segurança!!), interações interpessoais necessárias, etc. Não dá nem pros outros identificarem as expressões faciais!

Inclusive poderiam haver riscos principalmente em espaços públicos -tais como agências bancárias e lojas, ou andar por aí a noite, caso a pessoa esteja com o rosto totalmente coberto pelo conjunto composto por máscara (que não é transparente) mais os óculos escuros! -  risco de tais indivíduos serem confundidos erroneamente como "maus-elementos" por seguranças, guardas e autoridades policiais... e que, mesmo com a devida identificação por documentos, sabemos que ainda existem, sim, vários guardas e policiais com comportamento truculento, com abuso de poder contra minorias, e que aparecem aí nos telejornais. 

-POPULAÇÃO DE MINORIAS ÉTNICAS MARGINALIZADAS: As últimas linhas do parágrafo acima também se aplicam a várias delas, visto que há minorias étnicas que infelizmente ainda são estigmatizadas, e se aparecerem com o rosto coberto, muita gente inocente vai ser tachada erroneamente de mau-elemento, podendo por em risco até mesmo sua integridade física e emocional devido a racismo e preconceito. Já até li e compartilhei reportagens que mostravam casos reais sobre isso - como esta aqui,  mais esta aqui e também esta aqui.

***IMPORTANTE: SEI QUE A REGRA NO BRASIL, ATUALMENTE, É #FicarEmCasa... mas fico imaginando quem PRECISA de sair para trabalhos essenciais (usando máscara) e/ou
se daqui a alguns meses houvesse a reabertura gradual dos estabelecimentos e universidades (como já está sendo cogitado na Alemanha) e tivesse a recomendação EXPRESSA de usar máscaras para poder frequentar estes locais.

OBS: Antes que alguém refute meus argumentos dizendo que isso "é temporário e uma hora vai acabar", eu digo: sim, de fato é temporário, maaas...
1- Não sabemos quando isto irá durar, se serão vários meses... e num país de dimensões continentais como o nosso, e as tendências de mobilidade humana, não sabemos se poderá ter outro surto mais pra frente;
2-Se isso durar longos meses, pessoas com surdez vão ter sua capacidade de comunicação REDUZIDA DRASTICAMENTE,  e pessoas com óculos escuros de correção e/ou de minorias étnicas vão ficar mais inseguras em determinados ambientes e situações, devido ao encobrimento do rosto ocultando sua face e expressões, estando mais vulneráveis a abordagens policiais/de seguranças e de guardas que, SE FOREM mal-preparados, poderão ser truculentos causando constrangimentos. Isso sem contar os "ruídos" e mal-entendidos na comunicação cotidiana entre uma pessoa com Síndrome de Irlen e as demais - já que os outros não verão nem os olhos nem a boca de uma pessoa que usa óculos escuros MAIS a máscara ...e nem sempre a comunicação verbal sozinha dá conta da tarefa sem o apoio não verbal de olhares, expressões, movimentos da boca.
3-Vale lembrar que boa parte de tais pessoas já carrega consigo um histórico de vida de exclusões sociais somadas, maus-tratos, desrespeitos que deixam marcas emocionais difíceis de corrigir. Então, esse tipo de coisa, que pode parecer "bobagem" pra muita gente que não se afeta por isso, pode representar um impacto ENORME em diversas pessoas de tais minorias - danificando mais ainda a saúde mental de tais pessoas. Então, qualquer "coisinha" a mais que essa pessoa vivencia, já entra pra sua coleção negativa de experiência, deixando cicatrizes emocionais que podem ser de duração muito mais longa que a pandemia! :-/
4-Além do mais, pensem comigo: se MUITA GENTE que não é "minoria social" já está em situação emocional delicada com essa pandemia (devido a mudanças na rotina, na dinâmica familiar, no ritmo de trabalho, nas possíveis dificuldades financeiras, etc) imaginem então as minorias? Além dessas incertezas normais a todo mundo, tem as especificidades de sua condição - somando coisas que pode deixar sua saúde emocional mais vulnerável ainda, sobrecarregando o psicológico!!!

POR ISSO A IMPORTÂNCIA DE SE FABRICAREM MÁSCARAS DE PROTEÇÃO COM UM DESIGN MAIS INCLUSIVO, CERTO???

Além do mais, mesmo quando essa onda de covid-19 acabar, a disponibilidade de tal EPI "inclusivo" poderia ser um legado permanente, pois: quantos surdos vão ao dentista e médico, mas não entendem o que os profissionais com máscara branca/colorida dizem? Quantos profissionais de saúde possuem Síndrome de Irlen, usam óculos escuros, TEM que usar máscara, mas acaba impossibilitando que os interlocutores vejam suas expressões faciais?  Pois é... Seria uma grande oportunidade de inclusão de pacientes e de profissionais, não acham??  Sem contar que na história da Humanidade, podem ocorrer diversas pandemias, e é bom que já se tenha uma cultura de preparo (comportamental e de equipamentos) para quando isto ocorrer.

IMPORTANTE: Para se produzirem máscaras transparentes, é importante que tenha uma padronização liberada por algum órgão competente (OMS/ Ministério da Saúde) e **não** sair improvisando qualquer gambiarra feita de plástico por aí!! Além de colocar a saúde sua em risco, pode por a dos outros também (o material proporciona barreira de proteção adequada? Permite respiração adequada? Evita acúmulo de umidade? - que seria um "prato cheio" pro coronavírus se multiplicar ainda mais? Tem fácil higienização? Tem de considerar essas coisas!!!)  

PRA FINALIZAR: Enquanto as indústrias, confecções e laboratórios não implementam a solução proposta neste post, 

1) PELAMOOOOR DE DEUS, FIQUE EM CASA SE PUDER!!! (Vale pra TODO MUNDO que puder!) A MÁSCARA MAIS SEGURA (E CONFORTÁVEL!)  É A SUA CASA, HEHEHE!!!!

2) Pra vc que pertence a uma das minorias descritas neste texto: Em caso de emergência que tenha de sair na rua, USE A MÁSCARA QUE VC TIVER DISPONÍVEL, SIM (descartável ou de pano), mesmo com os PROVÁVEIS perrengues sociais mostrados neste post! Vamos ser racionais: de que adiantaria vc deixar de usar a máscara para evitar alguma coisa que te deixaria emocionalmente abalado, mas acabasse pegando uma doença grave que pode deixar sequelas e até matar você? Ou vai que vc teve contato com o vírus covid-19 sem saber, foi assintomático, mas pode transmiti-lo, causando doença ou óbito de algum de seus entes queridos???? Aí o prejuízo emocional seria BEM MAIOR E IRREVERSÍVEL, concorda? A ideia deste post não é de forma alguma desencorajar certos grupos de pessoas a usarem máscaras - mas, sim, mostrar uma solução que vai GARANTIR MELHOR inclusão de tais pessoas numa emergência de saúde coletiva e pública, ok?? Pense nisso! :-) 


PORTANTO, SE VOCÊ GOSTOU E CONCORDA COM O QUE FOI DITO ACIMA... COMPARTILHE ESTE POST, E FAÇA ELE RENDER UM MONTE DE DISCUSSÕES NA INTERNET!!!  

Em vez de espalhar o coronavírus, ESPALHE ESTE TEXTO!!!  É uma questão não só de saúde pública, mas de inclusão social e de cidadania!!!!!!!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

O FENÔMENO DO YOU TUBE: "CARECA TV"

Por: Débora Rossini

''E aí, carecas e cabeludos!!! Tudo certo???"
Com esse cumprimento, Lorena Reginato, agora com 13 anos, saúda os seguidores nos vídeos do seu canal no You Tube, chamado ''Careca TV". 

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[Descrição da foto: Lorena Reginato, diante do computador, fazendo pose e sorrindo. Créditos: Renata Marconi, do site G1 - ver link aqui.

E por que este nome para o canal? 

Para quem não conhece a história da Lorena, vamos lá: ela sempre quis ter um canal no You Tube, para falar de coisas de que gosta: brincadeiras, games, esportes...enfim, o que qualquer pré-adolescente curte. Porém, lá pelos 11/12 anos, a garota de Jaú/SP recebeu o diagnóstico de câncer no cérebro. Ela foi operada, e fez sessões de quimioterapia (daí o fato de ela ter perdido os cabelos). Como sequelas do câncer, ela teve a fala e as funções motoras bastante afetadas, e perdeu a capacidade de andar.

Por diversão, 
 Lorena resolveu por seu sonho em prática - enquanto ainda se dividia entre as viagens para fazer as sessões de quimioterapia e a frequência à escola: criou um canal no You Tube, ao qual denominou Careca TV , o qual a irmã mais velha lhe ajuda a administrar. Adorei ver os vídeos!!! 
Considerando que foi feito por uma menina pré-adolescente, cujo público-alvo a princípio é o público infanto-juvenil da mesma idade, curti pra caramba! Dá para se divertir de uma maneira sadia com os vídeos da Lorena... (afinal, quantas meninas de 12/13 anos já publicam coisas que, a meu ver, seriam impróprias para a idade delas, mas com a ânsia de ganharam likes e mais likes? Aff... ) Então, justamente pelo fato de a Lorena não ter ''entrado nessa" e feito vídeos adequados à sua faixa etária, ganhou, então, meu ''joinha", Lorena!!! ;-)

Sem contar que, à medida em que ela fala de assuntos diversificados em seus vídeos, pertinentes a uma menina de sua idade, ela acaba passando para as outras crianças que ela é uma menina como qualquer outra... apesar de não andar, não ter cabelo e ter dificuldades na fala, ela gosta das mesmas coisas que as outras crianças gostam... e que, mesmo apesar das dificuldades, consegue manter o alto-astral lá em cima!!! #PromovendoAInclusão


Demonstrando ser uma garota bem-resolvida com o desafio de saúde que enfrenta (bem como a aparência e condições físicas), a garota fala não só da sua rotina de cuidados com a saúde e de sua vida escolar, mas também de brincadeiras, jogos, e outros tipos de entretenimento que um(a) pré-adolescente da sua idade curte. De uma forma leve e descontraída, ela trata com bom humor o fato de não possuir cabelos e ter as sequelas motoras e de fala - mas também, quando precisa falar ''sério", ela fala: quando viu caso de internautas fazendo deboche de gente com câncer, ela publicou um vídeo no qual diz mais ou menos assim: "A gente que tem câncer não tem uma vida nada fácil, mas a gente procura, apesar de tudo, manter o bom humor e a cabeça erguida. Por isso que é errado as pessoas acharem que , só porque a gente aparece alegre e sorrindo no vídeo, é porque supostamente não tá sofrendo... a gente 'rala', sim... no entanto, ter otimismo é sempre fundamental" - e, depois diz algo mais ou menos assim ao público: "[Para esse pessoal que ironiza, dizendo que também quer ter câncer] Espero que vocês nunca, nunca tenham de passar por esse tipo de experiência, pois não é fácil". Isto porque, da mesma forma que a Lorena possui admiradores, possui também os chamados ''haters", que infelizmente dedicam seu tempo a desmerecer seu trabalho e até tentar prejudicá-la, como quando seu site foi hackeado logo após uma reportagem no Fantástico sobre a menina ser exibida. 

Mas a menina, com apoio da sua família, de seus amigos e até de outros YouTubers, não se deixou abalar. Fez imediatamente outra conta idêntica no You Tube, reconstruiu o canal e reconquistou seus seguidores (e ainda ganhou novos!!!). Participou também de inúmeros programas de televisão - como o do Raul Gil e o do Danilo Gentili - e escreveu um livro, chamado ''O Sonho de Lorena", no qual ela conta sua história. Ah, e no último sábado ela foi, novamente, ao programa do Raul Gil!!! Vejam o vídeo aqui neste link

E é justamente esse bom humor - além, claro , de uma família que a superapoia e amigos que a curtem de montão - é que, segundo sua oncologista, ajudou no fato de o tratamento ser bem-sucedido. Segundo a oncologista em uma (das inúmeras!) reportagens que andei vendo pela internet afora, muitos efeitos colaterais gravíssimos em pacientes com câncer cerebral mostraram-se um pouco mais brandos na Lorena - isso mostra que, sem dúvida, o emocional conta muito, ao recuperar-se de uma doença, não é verdade???

Uma coisa que gostei MUITO de ler, em uma reportagem feita pelo portal G1, que a Lorena teve o maior carinho dos colegas e professores, durante o tempo em que ela estava fazendo quimioterapia.  Os colegas não só ajudavam-na nas tarefas escolares e em companhia durante o recreio, mas também os professores faziam o possível para colaborar. O professor de Educação Física, sabendo que a Lorena gostava de esportes mesmo antes da doença, adaptava as aulas de educação física para que ela, como cadeirante, pudesse participar também!!! Vejam esta reportagem, cujo link se segue, até o final. OLHA A INCLUSÃO AÍ, GENTE!!! CURTI!!!  
Se bem que, em um post do Facebook, a Lorena já tinha dito que teve uma fase em que ela perdeu amigos, quando ela ficou doente. Mas a gente pode perceber quem são os verdadeiros amigos de verdade, quando ''estão juntos" numa fase difícil da pessoa, né? Olhem quantos amigos ela ganhou depois disso... e a vida é assim mesmo! ;-)  


Recentemente, ela publicou em seus canais (e a mídia repercutiu) que ela foi curada do câncer, propriamente dito, recebendo alta da quimioterapia. Porém, o que vem causando polêmica em alguns internautas nas redes sociais é o fato de ela - cuja família não possui carro - desejar ter um veículo, e estar fazendo vaquinha para adquirir um - sob o argumento de que é para ajudar em seu tratamento fisioterápico (para voltar a andar e movimentar os membros adequadamente) e fonoaudiológico (para vencer as dificuldades de fala) - que são sequelas do câncer que teve. Em sua página Careca TV no facebook, nas seções destinadas a comentários, há internautas a favor, há internautas contra, e internautas que colocam isso em dúvida.


Bom, gente, minha ideia aqui neste post não é discutir se ela está certa ou errada em desejar o carro para tal finalidade e fazer vaquinha para isso (e muito menos discutir a veracidade do fato). Mas, vamos analisar do ponto de vista de muitas pessoas com limitações físicas: CARRO PODE SER CONSIDERADO UM RECURSO ASSISTIVO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA? SIM!!!! É compreensível, SIM, a iniciativa de uma pessoa com deficiência física (qualquer uma!!!) comprar um CARRO para a finalidade descrita!!! Vejam só:

Primeiramente: Quem conhece o canal deve pensar: ''oras, mas ela está curada". Não é bem assim, gente. Ela recebeu ''alta'' da quimioterapia - o que foi amplamente divulgado pela mídia - mas ela continua com as SEQUELAS do câncer, já que o tumor foi no cérebro... Ou seja, ela está sem andar, com limitações motoras e na fala, tudo isso por conta do câncer que teve. E ela faz fisioterapia, fonoaudiologia, dentre outros tratamentos para recuperar o máximo possível de funcionalidades que ela tinha antes de ficar doente!

Logo, a Lorena é cadeirante. E, como sabemos, a acessibilidade nas ruas é PÉSSIMA PARA CADEIRANTES - que, tocando a cadeira, levam muuuito mais tempo para se deslocar na rua que um ''andante".

E o transporte público costuma ser PÉSSIMO no que refere a acessibilidade para cadeirantes!!! Tem motorista apressado que, quando vê cadeirante no ponto, evita até parar, e passa direto com o ônibus, sob a mentalidade de que ''atrasa a viagem". Ou, mesmo, não sabem operar direito o elevador do ônibus -isso quando o elevador não está estragado!!!

E, como se não bastasse,  ela precisa frequentemente de viajar até alguma cidade próxima para fazer tratamentos, visto que ela mora em um município do interior de seu estado. Segundo ela, muitas vezes depende da carona e boa vontade de amigos para fazer o transporte (certamente teve dificuldades, ou enfrenta burocracia, para conseguir o transporte gratuito na ambulância do SUS, no chamado Tratamento Fora de Domicílio, ou TFD -para os inúmeros tratamentos que ela ainda afirma fazer.).

Perguntem a vários cadeirantes adultos sobre a falta de acessibilidade para cadeirantes, e a primeira coisa que eles procuram fazer, assim que podem, é comprar um carro adaptado!!!

No caso da Lorena, como é de menor, claro que não vai precisar das adaptações, pois alguém da família é que irá dirigir. Mas, sem dúvida, o carro ajuda muito... ou vamos esperar que o mundo torne-se acessível a cadeirantes, tanto arquitetonicamente quanto atitudinalmente, ou que as solicitações pra TFD sejam atendidas ''num passe de mágica", para só então a Lorena (ou qualquer pessoa nas condições dela) fazer reabilitação motora e de fala?? Manjaram? ;-)

Porém, é importante saber que existem diversos benefícios e descontos para a compra de carros por pessoas com deficiência, MESMO QUE ELAS NÃO SEJAM CONDUTORAS DO CARRO. Isto é garantido por leis que asseguram a inclusão das pessoas com deficiência! Vejam , nos hiperlinks que se seguem, um pouco mais sobre tais benefícios (tais como isenção de impostos e desconto na compra do carro), e como adquiri-los.


Quer saber mais sobre a Lorena e seu canal? Acesse a fanpage dela no facebook, cujo link se segue! =) 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Dicas de convivência - para colegas de um(a) estudante com Síndrome de Irlen

Como aproximar dele(a)? Como ajudá-lo(a)? Será que ele(a) topa fazer as mesmas coisas que você? Descubra aqui!!! 


Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! Você volta às aulas e se depara com um(a) colega que tenha um distúrbio de visão denominado Síndrome de Irlen (SI). Certamente, perceberá que ele tem necessidades e características que você nunca viu até então em alguém! 

OBS: ESTOU PARTINDO DO PRINCÍPIO QUE OS LEITORES-ALVO DESTE POST SÃO JOVENS E ADULTOS SEM A SÍNDROME DE IRLEN, MAS QUE POSSUEM ALGUM COLEGA (NA ESCOLA OU UNIVERSIDADE) COM ESTE DISTÚRBIO DE VISÃO! ;-)

Depois que seu colega e/ou o professor, explica(m) a situação para a turma, você passa a perceber as peculiaridades de quem tem este problema de visão. Você nota que seu colega prefere os cantos menos iluminados da sala de aula e da biblioteca. Você prefere que ele gosta de ler e fazer as coisas dele quase ''no escuro''. Você nota que ele usa óculos escuros ou coloridos o tempo todo em sala de aula (o que lhe confere uma aparência diferente da comumente encontrada nas pessoas no dia-a-dia.) Você nota que ele prefere papeis coloridos e/ou reciclados para ler e escrever, sob a explicação de que o fundo colorido força-lhe menos os olhos. Você percebe que, quando ele se vê forçado a ler em papel branco (ex: livro da biblioteca, caderno emprestado), acaba usando uma transparência colorida especial por cima do papel a ser lido, para alterar a cor de fundo. E vê que ele usa o computador com pouco brilho na tela, além de pedir aos professores que escureça ou altere a cor de fundo de projeções de slides (sob pena de ter de aguentar uma bruuuuuta dor nos olhos)! :-P

''Nooossa...'' - você pensa. ''Como deve ser a convivência com um 'brother' (ou 'sister', hehehe) nestas condições?''

Caaalma, meu querido leitor! Te garanto que o dia-a-dia com um colega com SI não é nenhum bicho de sete cabeças, hehehe! Bóra conferir as dicas abaixo? 

1) NÃO TENHA MEDO de se aproximar de seu colega com SI
[Descrição da imagem: silhueta de uma mão humana atrás de um vidro fosco.]

Há relatos de pessoas que se sentem meio ''sem graça'' diante de alguém com SI usando óculos de lentes escuras (talvez por não conseguir contato visual com ela, talvez por receio do ''diferente/desconhecido'', talvez por medo de dizer algo inapropriado e ofender). Fique tranquilo... pessoas com SI ''não mordem'', hehehe! (Se você que estiver lendo isto não for um ser humano- mas sim um pão de queijo ou um pratão gigantão do restaurante universitário, aí a história muda, kkkkkkkkk!!!!) Aproxime-se dela e tente fazer amizade, como faria com qualquer outra pessoa! 

--> Mas CASO você perceba que a pessoa é chata (assim como inúmeros chatos que não tem esse problema de visão, hehehe), aí é direito seu optar ou não pela amizade (ninguém é de ferro, né, ''véi''? )  

DICA ESPERTA: Acredito que vai facilitar muuuuito sua vida, nesse sentido, se você ler algo sobre a Síndrome de Irlen, para fins informativos! Dê uma olhada nas postagens bem ''massa'' que fiz sobre este assunto aqui no blog! E se ''quiser mais'' (hehehe!!) leia, curta e compartilhe as postagens da minha fanpage - intitulada ''Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen''! :-)

2) INDEPENDENTEMENTE DE GOSTAR OU NÃO DO COLEGA com Síndrome de Irlen, o RESPEITO é fundamental! 
[Descrição da imagem: duas mãos, de 2 pessoas diferentes, fechadas e se tocando como forma de cumprimento.] 

Claro que se seu colega com SI for uma pessoa bastante engraçada, divertida e brincalhona, certamente ele próprio fará piadas das próprias dificuldades cotidianas, hehehe! Tem muita gente com o problema de visão, mas que é brincalhão, alegre, falador e adora fazer piadas de tudo, kkkkk!!! E que ri também das piadas direcionadas a ele, quando percebe que é apenas brincadeira. 

--> Mas, se por OUTRO LADO a pessoa for mais ''fechada'', tímida e com problemas de autoaceitação, talvez isto não aconteça. E o melhor, neste caso, é ter respeito, carinho e compreensão pelo colega! =)

De todo jeito, fica a dica: independente do seu colega ser bem-resolvido ou não com o distúrbio visual dele, ''PELAMORDEDEUS'', NADA de fazer piadinhas de mau-gosto, ''bullying'', assédio e outras coisas do tipo!! :-P

3) COMO AJUDÁ-LO NO DIA-A-DIA DA SALA DE AULA
[Imagem, meramente ilustrativa, de estudantes jovens em sala de aula. Duas moças dividem uma bancada, e estão estudando juntas.]

Viu que seu colega com Síndrome de Irlen está com dificuldade em alguma atividade proposta? Ou simplesmente está tentando copiar algo da lousa, mas não consegue devido à luz ambiente (sobretudo a que vem de projetores de slides e ''lousas inteligentes'')? Ou não consegue copiar e ouvir o professor ao mesmo tempo? (sim, há vários estudantes com SI que mesmo com os óculos, não tem a correção completa). Que tal ajudá-lo na tomada de notas, ou de emprestar o caderno para ele tirar fotocópia, ou de sentar com ele para mostrar em uma versão impressa dos slides aquilo que o professor mostra mas ele não vê devido à luminosidade excessiva? Além de estar fazendo uma boa ação, seu colega com SI vai ficar muito grato por isso!! E quem sabe surge daí uma grande amizade entre vocês? ;-)

4) GRUPOS DE ESTUDOS 
[Descrição da imagem: jovens estudando juntos numa biblioteca. Imagem meramente ilustrativa.]

Viu que seu colega com Síndrome tem dificuldade em certas disciplinas? Mas que por outro lado ele é bom em outras? Junte então você, ele e quantos colegas vocês quiserem! O colega com Síndrome de Irlen, por um lado, sairá ganhando - pois frequentemente ele irá ter dificuldade e cansaço ao ler longos textos impressos ou em tela, e certamente acabará aprendendo melhor com alguém explicando oralmente. Por outro lado, você e seus colegas SEM esse problema de visão sairão ganhando também, pois, ao ajudar quem tem dificuldade, vocês acabarão fixando melhor os conteúdos! Como diz o ditado velho: "QUEM ENSINA, APRENDE DUAS VEZES!" :-) 


5) SEJA VOLUNTÁRIO
[Descrição da imagem: duas jovens debruçadas sobre os livros e cadernos, estudando. Imagem meramente ilustrativa.]

O voluntariado é uma outra maneira de ajudar seu colega com Síndrome de Irlen a estudar, à medida em que você o ajuda nas matérias que ele tem dificuldade - e explica, sob um outro ponto de vista, os conteúdos que o professor passou em aula e que o aluno em questão não conseguiu ''captar'' direitinho. Se quiser, peça a orientação para um professor, ou para o coordenador do curso, sobre como fazer tal atividade mais adequadamente. 
--> Aliás, sabia que trabalho voluntário pode dar um ''up" no seu currículo, abrindo portas para o mercado de trabalho? Para comprovar a atividade, peça para um professor apoiar a sua iniciativa, e no fim do período previsto, lhe fornecer uma declaração comprobatória de ''monitoria voluntária"! Verifique em sua universidade, mais exatamente no departamento em que você estuda, quais as regras para que isso possa ser implementado. Em caso de dúvida, procure a coordenação do curso em que o estudante com Síndrome de Irlen a ser ajudado esteja matriculado. 

6) TRABALHOS EM GRUPO 
[Descrição da imagem: 2 rapazes e 2 moças fazendo trabalho acadêmico diante do laptop. Imagem meramente ilustrativa.]

Pode ser que o seu colega com Síndrome de Irlen seja extremamente tímido e não tenha iniciativa para sair perguntando: "-Quem tem grupo completo para fazer trabalho?" Caso você perceba isto, convide-o! Ocorrem situações em que um aluno nestas condições acaba por fazer um trabalho sozinho, por não conseguir colegas para dividir e ajudá-lo nas tarefas. E, para quem já tem uma dificuldade EXTRA, ter de fazer um trabalho SOZINHO, e que foi ORIGINALMENTE FORMULADO PARA SER FEITO POR DUAS OU TRÊS PESSOAS, não é nada mole, né? 

--> Uma dica: descubra os pontos fortes do colega com SI, e então delegue as tarefas levando em conta suas habilidades. Com certeza, ele terá dificuldade para atividades mais ''visuais" - tais como montar slides e editar vídeos - mas pode perfeitamente elaborar o texto da apresentação, pode fazer o relatório escrito, pode coletar dados para um trabalho prático... e, claro, pode falar lá na frente  caso o trabalho seja um seminário, hehe. (desde que não tenha nenhuma outra deficiência que implique em limitações da fala, obviamente.) 

7) DESCOBERTAS DE HOBBIES E TALENTOS
[Descrição da imagem: moça fazendo pose em frente a baterias musicais. Imagem meramente ilustrativa.] 

Se você é colega de alguém com SI, e conversar informalmente com ele (chamando-o para tomar café junto nos intervalos, ou almoçando junto com ele no ''bandejão'', por exemplo), irá descobrir, certamente, que, a despeito do problema de visão, ele tem alguns hobbies, talentos e outras formas de diversão nas horas vagas. Se ele se revela ser bom de xadrez e na faculdade tiver um time, que tal convidá-lo para participar? Se ele for bom de jogos de mesa (alguns podem não ser, devido à dificuldade de visualização de objetos em movimento, mas não custa tentar, né?), que tal convidá-lo para ir com você jogar sinuca, totó ou pingue-pongue? Se ele for bom em algum esporte que você ou algum amigo seu pratique, que tal chamá-lo? Se ele sabe cantar, desenhar, escrever, tocar algum instrumento, que tal convidá-lo a participar de algum evento cultural da universidade, ou escrever para o jornal ou blog da faculdade? Ou, simplesmente, se ele gosta de conversar sobre coisas que você também curte (carros, esportes, livros, moda, etc?), já pensou que companhia bacana? Além de você ganhar a amizade da pessoa com SI, sem dúvida estará lhe dando oportunidade e aumentando sua auto-estima. E, claro, aprendendo muita coisa bacana com ela também! 

8) CENTROS ACADÊMICOS UNIVERSITÁRIOS
[Imagem meramente ilustrativa de três estudantes reunidos, ao redor de uma mesa, em frente a um computador desktop.]

- Vai aí uma dica para os membros do Centro Acadêmico (ou Diretório Acadêmico, como é chamado em algumas universidades): se vocês SABEM que tem um colega com Síndrome de Irlen, procurem aproximar dele, ouvir o que tem a dizer acerca de suas necessidades acadêmicas, quais as ajudas/adaptações que ele porventura necessite em salas de aulas e laboratórios. Ofereçam-se para mediar e apoiar o aluno, caso necessário, em situações nas quais ele deve apresentar-se para professores novos ou outras autoridades da faculdade, a fim de solicitar adaptações em atividades acadêmicas. 
Tem aluno com deficiência/necessidade especial que se sente confiante em fazer isso sozinho, porém tem aluno que é mais tímido ou mesmo emocionalmente comprometido - e que, ao ver que algum colega o apoia nessas situações, sente-se bastante grato! ;-) 
Outra sugestão para os Centros Acadêmicos é apoiar o aluno na questão de integração/socialização/inclusão, referente aos demais colegas com o aluno que possui Síndrome de Irlen. Por desconhecimento, por timidez ou ''receio de ofender'', pode acontecer de os demais colegas deixarem o aluno com SI meio que ''de lado''. Isso pode afetá-lo negativamente na hora de se encaixar em grupos de trabalho, de exercitar relações interpessoais com colegas de mesmo curso, de formar contatos interpessoais acadêmicos (e até futuramente profissionais, quem sabe?) Daí a importância de os membros do Centro Acadêmico (do curso no qual o aluno com SI se encontra matriculado) promoverem meios de encorajar toda a turma, todos os demais colegas, a incluírem o aluno com necessidades especiais. Valem dinâmicas de grupo, vale convidar algum profissional capacitado em SI para dar palestra... se o aluno com SI for desinibido e não se importar em falar em público sobre seu problema de visão, vale marcar um dia para que ele mesmo dê uma palestra aos colegas (e quem sabe até aberta a professores!) sobre o assunto. Se necessário, os membros do Centro Acadêmico podem recorrer à ajuda de algum professor, ou de algum pedagogo lotado na universidade, para orientá-los melhor nas atividades.  

O que você e seus colegas SEM a Síndrome de Irlen ''ganham'' com a convivência com um colega COM esta condição oftalmológica? 

--> Em termos de amizade/convivência: MUITO! A diversidade de pessoas, com suas respectivas histórias de vida, dá uma "bagagem" e habilidade prática enorme para entender e lidar com as pessoas à sua volta! E, a cada amizade bacana que você faz, mais ''histórias para contar" na roda de conversa, não é? 
[Descrição da imagem: três rapazes conversando animadamente sentados em um sofá. Imagem meramente ilustrativa.]

--> Mercado de trabalho: Saber lidar com a diversidade de seres humanos ajuda muito quando vocês forem lidar com futuros colegas, chefes, clientes... Em outras palavras; tá preparando pro seu futuro, hehe! :-) E seus futuros chefes saberão identificar tal habilidade, direitinho, na hora da entrevista de emprego, ok? 

Dica esperta para estudantes universitários de Exatas - sobretudo bacharelados: Sabe que em muitas faculdades de Exatas pode ter aquela ''cultura" do ''nerd de exatas" que prefere estudar sozinho e que não tá nem aí para os outros, e que TEM de ser autodidata e autossuficiente. MAAAS os tempos estão mudando! E inclusive o mercado de trabalho está PRIORIZANDO pessoas que tenham boas habilidades de comunicação, de espírito participativo, de trabalho em equipe... E MAIS: Com a Lei de Cotas no mercado de trabalho, as chances de vocês terem colegas com necessidades especiais, pelo menos uma vez em tooooda sua carreira até se aposentarem, é grande! Então... taí uma boa oportunidade de começar a praticar essas habilidades interpessoais, hehehe!! 
[Descrição da imagem: entrevista de emprego, envolvendo uma pessoa como entrevistadora e a outra como entrevistada. Imagem meramente ilustrativa.]

 Importante salientar que seu colega com Síndrome de Irlen tem, SIM, dificuldades... Mas por outro lado, como qualquer outro estudante, tem seus talentos, tem facilidade em outras coisas, pode ajudar vocês também com coisas que ele sabe... com um bom relacionamento , há a grande (e desejada) possibilidade que essa ajuda a seu colega não seja apenas uma relação de ''dependência" dele em relação a você ... mas sim uma relação de TROCA na qual ele também poderá contribuir com coisas bacanas para vocês! Não só em tarefas diretamente relacionadas às obrigações da faculdade, mas também com uma amizade que, quem sabe, pode durar muitos anos após o término do curso??  Ou seja, veja seu colega com Síndrome de Irlen (ou qualquer outra necessidade especial que algum outro colega tenha) como uma OPORTUNIDADE de desenvolvimento de habilidades interpessoais para você e sua turma... e não como alguém, digamos, ''coitadinho e dependente que amola os outros". Manjou? 

Ufa! Acho que já escrevi demais, kkkk! Bóra sair do computador e colocar as dicas em prática? Se gostou do texto, e tiver algo para comentar, use o espaço abaixo destinado a comentários!!! :-D 

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Dicas de como lidar com alguém com Síndrome de Irlen (para professores) 
Estratégias de sucesso para professores com Síndrome de Irlen

(CRÉDITOS DAS FOTOS DESTE POST: Retirado do banco público de imagens Getty Images.)

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

ACESSIBILIDADE: Quem reconhece a importância de oferecer, CORRE ATRÁS!!!

Por: Débora Rossini 

Fala, galera! 
Recebi um link bem bacana de uma postagem feita no blog ''O Corvo Veloz", e que tratava de uma iniciativa bem interessante relacionada a Acessibilidade no lazer e entretenimento. Achei bem interessante e, por isso, resolvi abordá-la aqui!!! Prova de que, quando alguém QUER MESMO promover acessibilidade, corre atrás e consegue!!! 

Trata-se de uma dupla musical (Cezzar e Rodolfo) , do gênero ''sertanejo universitário", da cidade de Lavras/MG - e que, para ampliar seu público, resolveu não se restringir apenas às pessoas, digamos, ''dentro do padrão tradicional"; mas deu um jeito de se esforçar para atingir também o público com alguma dificuldade (ou impossibilidade) de enxergar e de escutar!!! 

Um exemplo é a música ''Anjos", de autoria da dupla, que foi traduzida para LIBRAS. A estratégia foi bem-sucedida, ganhando popularidade entre pessoas surdas e pessoas que trabalham com a língua de sinais. Um outro exemplo de acessibilidade é a descrição textual das fotos da dupla sertaneja, em seu facebook - na qual descreve as cenas, o tipo físico dos cantores, o que eles estão fazendo ou segurando, etc. Desta forma, a galera que não enxerga consegue ter um acesso mais amplo ao conteúdo postado na página deles!!! Há planos, também, de colocar audiodescrição nos videoclipes da dupla, para a galera cega curtir o trabalho feito! Uaaaauuu!!! Show de bola, né, galera?? 

Para conseguir todo esse trabalho de inclusão (e consequente ampliação do número de fãs), a dupla Cezzar e Rodolfo está contando com a assessoria do estudante de Letras/Libras Delmir Rildo Alves, da UFJF. O rapaz já fez diversos trabalhos envolvendo Inclusão e Acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva e/ou visual. (Conheço de perto o trabalho do cara: é TOP!!!! :-D ) 

Conforme Delmir disse em entrevista ao site ''O Corvo Veloz", ''O trabalho que estamos realizando não se restringe apenas à interpretação em Libras, pois já começamos a descrever as fotos para que as pessoas cegas também tenham acesso à informação. Além disso, já estamos realizando o trabalho para colocar a áudio-descrição nos vídeo clips", conta ele.  

O legal disso tudo é que, mesmo que uma pessoa que tenha deficiência visual ou auditiva não tenha como gênero preferido o sertanejo universitário, ela pode, por meio dessa iniciativa de acessibilidade, conhecer o trabalho da dupla - e ficar ''por dentro" do que está rolando! Imagina, numa roda de conversa, na qual há apenas uma pessoa com deficiência (visual ou auditiva) e onde todos estão falando sobre os ''hits" que estão sendo tocados... em vez de a pessoa com deficiência ficar ''boiando", ela pode participar do papo e dar seu parecer... Ou seja: iniciativas como estas acabam, indiretamente, dando um ''turbo" no processo de socialização da pessoa com deficiência!!!! Já pensaram por este lado?? :-) 

MORAL DA HISTÓRIA: Não tem mais ''desculpa" de que acessibilidade e inclusão são coisas difíceis de se fazer, hehehe!!! Quem realmente TEM INTERESSE no acesso universal de pessoas a seu trabalho, produto ou serviço , corre atrás, vai lá, busca ajuda e faz! E olha que estamos falando, neste caso, de um trabalho de lazer/entretenimento! Então, mais um motivo para os prestadores de trabalhos essenciais (educação, saúde, adequação de uma empresa ao trabalhador com deficiência, dentre outros serviços básicos e essenciais) verem o exemplo, e saírem do ''comodismo"! Viram só?? :-D 

Gostou do texto? Comente abaixo! Ou bóra lá pro Facebook conversar mais!!! 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Universidade Acessível

Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! De volta à blogosfera, trazendo mais uma "rodada" de "Sopa" quentinha para você, rerrerré!!! 

Navegando pela internet, encontrei um texto, relativo ao projeto "Todos Nós: Unicamp Acessível", e que mostra diversos problemas e questões que afetam o acesso, a permanência e o prosseguimento dos estudantes com deficiência na universidade! Pelo que pude entender, parece-me que foi realizado um workshop, com oficinas, nas quais foram levantadas e mostradas diversas questões relacionadas à realidade dos universitários com deficiência na referida universidade paulista... e tudo o que foi observado e realizado ali foi documentado no texto a que me refiro! Segue-se o link: vale a pena ler!!! :-)

http://styx.nied.unicamp.br/todosnos/historico/workshop-todos-nos-unicamp-acessivel/livro/questoes_problemas.html

Listei alguns pontos principais do texto, que vale a pena ser lido por inteiro - e que seriam interessantes para "turbinar" políticas de inclusão e acessibilidade em todas as universidades - sejam elas públicas ou particulares- que existem por aí. Vale a pena refletir sobre os pontos destacados abaixo!!!
Olha só:

- Apesar de a sociedade ter o já famoso preconceito em relação às pessoas com deficiência, há, por outro lado, aquela atitude (talvez até inconsciente!) de a pessoa com deficiência querer "se esconder", "não aceitar suas limitações", "sentir constrangido em pedir ajuda".
Isto pode ser mostrado pelo seguinte trecho:  

"Foram citados os seguintes problemas com relação aos aspectos atitudinais: "o aluno com deficiência se exclui"; há, algumas vezes, "preconceito do próprio deficiente em relação à ajuda" que pode ser necessária para sua locomoção, comunicação ou aprendizado; em alguns casos, as pessoas com deficiência podem apresentar "problemas psicológicos"; há, em determinadas situações, um "individualismo do próprio deficiente" que aparece no seu modo de se comportar socialmente."

Ao meu ver, acredito que tal reação possa ser até uma espécie de "defesa" psicológica da pessoa com deficiência: ela já está tão cansada, tão desgastada psicologicamente com situações de preconceito, de não-aceitação, que acaba "negando" sua deficiência (mesmo que inconscientemente) e se "fechando" - a fim de tentar evitar mais situações que lhe tragam mais sofrimento... No entanto, tal atitude que a princípio parece ser uma autoproteção, na verdade acaba dificultando ainda mais o processo de inclusão... :-(

Achei bastante interessante um outro parágrafo do texto, que diz o seguinte:

"Entre os pontos levantados pelos participantes da oficina, foi destacada a existência de problemas da própria pessoa com deficiência em relação à sua condição. Alguns salientaram que a postura preconceituosa e a dificuldade em aceitar ajuda acarretariam a auto-exclusão dessas pessoas. Esses destaques indicam que os participantes compreendem que a inclusão não depende somente da disposição favorável de uma comunidade, mas também da pessoa com deficiência que, como agente importante desse processo, deve tornar claramente conhecidas as suas necessidades. Podemos dizer, então, que as pessoas com deficiência não deveriam entender a busca por apoio como um constrangimento, mas como legítimo exercício dos seus direitos."

Pois é... é aí que vem a história: para facilitar o processo de inclusão, ele necessita ser de "mão-dupla"; por um lado, a sociedade necessita aceitar aquela pessoa com deficiência; mas, por outro lado, essa mesma pessoa com deficiência necessita, digamos, se aceitar e "sair da toca" (risos) ... e mostrar para os outros suas necessidades, mostrar como os outros deve agir com esse indivíduo, etc - para que a sociedade saiba incluí-la adequadamente... RESUMINDO: por mais que a sociedade se conscientize e se "abra" para acolher a galera com deficiência, esta, por sua vez, tem de informar qual a melhor forma de lidar com ela... "sacou?" ;-)


Outra passagem interessante é a seguinte:  

"Faltam na opinião dos participantes, "campanhas educativas" que tratem desse assunto e uma atuação mais adequada e intensa da mídia (interna e externa à Unicamp), na abordagem do tema. Os participantes, apontaram que "a mídia não divulga materiais que facilitem, incentivem e eduquem as pessoas para a inclusão", assim como ainda não apresenta "programas educativos sobre as diferenças" que possam promover uma reflexão mais ampla sobre o tema."

Interessante MESMO!!! Afinal, tanto professores, quanto monitores, quanto funcionários, quanto colegas de estudantes com deficiência, PODEM E DEVEM ser informados da melhor maneira de lidar com quem tem problemas com a potência visual, auditiva, locomotora, de quem tem problemas de aprendizagem, etc... Atitudes como CAMPANHAS EDUCATIVAS NA UNIVERSIDADE, ENVOLVENDO TODA A COMUNIDADE ACADÊMICA, é de extrema importância... em vez de reduzir o grupo de estudantes com deficiência a um grupo "paralelo", com as medidas de inclusão limitadas apenas a eles!!! FICA A DICA PARA OS SETORES DE INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE DE TODAS AS UNIVERSIDADES!!!!!

E você, que está lendo este texto? É professor ou estudante universitário? Possui alguma deficiência/limitação? O que achou deste post? COMENTE ABAIXO!!! :-) 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pessoas com necessidades especiais: Que nome usar?

Oooooopaaaa! O tempero da "Sopa" de hoje vem lá do site "Movimento Livre"!!!! :-)

Bom, galera, o "xis" é o seguinte: muita gente, em diversas situações cotidianas que envolvam a temática das pessoas (d)eficientes (palestras, redação de textos, conversas formais e informais, etc), fica sem saber como denominar corretamente tais indivíduos. Sabe como é... há o receio de dar denominações fora do que é chamado de "politicamente correto". E então surge a dúvida:

"COMO denominar, de forma geral, as pessoas que não veem, e/ou não ouvem, e/ou não andam, etc"?

Aí, vem diversas respostas - entre elas, as mais comuns:
"Pessoas com necessidades especiais"
"Pessoas portadoras de necessidades especiais"
"Pessoas deficientes"...

Tá, mas acontece que, de tempos em tempos, algumas terminologias mudam. E algumas são melhor aceitas, outras nem tanto... e outras dependem do contexto no qual se fala ou se escreve. Ih, confundimos o leitor, né?
"Nóóó, e agora?"- certamente algum leitor está aí se perguntando, na frente do computador...

Calma, querido/a leitor/a do "Sopa"!!! :-) Um post feito lá no site Movimento Livre, escrito de maneira bem-humorada e bastante instrutiva e esclarecedora, chegou para resolver o problema!!! Tcham-tcham-tcham!!! Tó o link!!!
http://movimentolivre.org/artigo.php?id=121

Nela, o autor mostra o que é o mais aceito atualmente em termos de denominação referente às pessoas com necessidades especiais - bem como a (im)pertinência de algumas gírias utilizadas popularmente para denominar tais pessoas! Dê uma olhada... ou ouvida, se você for usuário de leitor de telas! Rerrerré!