Por: Débora Rossini
Ooooopa!!!! Olha eu cá de volta,pilotando o teclado aqui no "Sopa"!!!
Primeiramente, gostaria de pedir desculpas àqueles leitores assíduos do "Sopa" que enfrentaram um "jejum de postagens" (risos) nos últimos tempos!!! É que, conforme já contei aqui neste blog, também sou autora de uma fanpage no Facebook, que se chama "Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen" . E ela, modéstia à parte, está "bombando"!!! :-) Acesse a referida página você também... as chances de você gostar e querer "curti-la" são altas, rerrerré!!!
Em cerca de três meses, a referida página está com quase 90 "curtidas" - um número que considero expressivo, se levarmos em conta que Síndrome de Irlen (um distúrbio oftalmológico) é pouco conhecida!!! Quase todos os dias, faço uma postagem nova por lá - afinal, esse assunto PRECISA URGENTEMENTE de ser mais conhecido e divulgado, a fim de atender melhor aos pacientes desse distúrbio (e seus pais, no caso de crianças), bem como de facilitar a professores e profissionais de saúde a lidar melhor com quem tem o referido problema de visão!!!
E não é que a fanpage está fazendo sucesso?? :-) Quase todo os dias, aparece uma nova "curtida", uma mensagem no mural (de visualização pública), uma mensagem "inbox" para minha leitura particular, mães de pacientes pedindo dicas, pacientes já adultos comentando sobre o conteúdo, e... um tantão de visualizações a cada postagem!!! Conforme já postei na referida página, fico muito - mas muito, mesmo!!!- feliz em poder ajudar as pessoas, a melhorar a qualidade de vida delas através de dicas, orientações, informações!!! Esse sucesso mostra que o trabalho está dando retorno!!!
Conforme já disse aqui no "Sopa" e lá na minha fanpage, eu não sou profissional da área de Saúde ou de Educação. Sou apenas uma estudante universitária que, há vários anos, se envolve em atividades e iniciativas que deem aquela "forcinha" a pessoas com necessidades especiais... Tanto online (aqui no blog e lá na fanpage) quanto offline (em atividades presenciais desenvolvidas na universidade em que estudo), rerrerré!!!! Logo, mesmo sendo uma estudante que não é de nenhuma das duas áreas mencionadas, tento fazer minha parte para dar um "turbo" nas questões relativas à Inclusão e Acessibilidade... (Para quem não sabe, eu cursava Matemática na universidade, mas transferi minha matrícula para Ciência da Computação... sonho antigo, rerrerré!!!) E procuro estar sempre "ligada" no que se refere às Tecnologias Assistivas - especialmente aquelas de auxílio a pessoas com deficiência visual.
Minha fanpage, "Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen", na verdade está funcionando como um verdadeiro "laboratório" - visto que, ao contrário de outras condições limitantes (cegueira, baixa visão, surdez, etc), eu não conheço pessoalmente pessoas com esse distúrbio de visão (no qual a visão da pessoa é aparentemente normal, mas ocorrem distorções que afetam bastante o desempenho escolar/acadêmico, profissional e social de quem apresenta esse problema.) Assim sendo,eu já escrevi muita coisa sobre cegueira e visão subnormal aqui no blog, baseando-me não só em pesquisas na internet, mas também em vivências, adquiridas com a convivência com pessoas com deficiência visual. Mas e sobre Síndrome de Irlen...? Eu não conhecia ninguém assim, pra trocar ideias...! Tá certo que muita coisa pesquisei na internet (sobretudo em sites americanos), mas... eu sentia falta de "ouvir a voz da galera" - e esse foi exatamente um dos motivos que me motivou a criar a referida página!
Aí, através da fanpage e da consequente interação com os leitores desta, pude perceber que existem, sim, diversas pessoas com esse problema no Brasil, e que têm muuuito o que dizer (seja em forma de perguntas, seja em forma de compartilhamento de experiências)... Ou seja, elas EXISTEM, mas estão, digamos, "espalhadas" por aí - o que dá aquela sensação de que os portadores deste distúrbio estão "sozinhos". (Essa sensação é "turbinada" pelo fato de a Síndrome de Irlen ser pouco conhecida...!) Assim sendo, com a criação e a divulgação da referida fanpage, notei que as pessoas com esse distúrbio sentem uma certa alegria em , finalmente, acharem um ponto de encontro (ou o "point da galera", como dizem os jovens, rerrerré!!!) a fim de se "agruparem" e trocarem experiências ... e não se sentirem sozinhos na hora de enfrentar as adversidades diárias proporcionadas pela Síndrome de Irlen - e pelo desconhecimento desta pela maioria das pessoas!!!
Noto também, pelos relatos no mural da referida página, que várias pessoas, já diagnosticadas, usam em sua maioria as "overlays" (lâminas especiais para leitura, feitas para quem tem Síndrome de Irlen); e poucas usam os óculos com filtros espectrais para corrigir ou atenuar o problema (que são mais difíceis de serem adquiridos, devido ao alto custo e a demora em ficarem prontos). Assim sendo, muitas pessoas em fase escolar possuem correção incompleta do distúrbio, já que, nem sempre, as "overlays" sozinhas "dão conta do recado", dependendo da intensidade com que os sintomas da Síndrome de Irlen se manifestam...!
Logo, minha vida de blogueira anda bastante agitada (risos)!!! E tenho percebido que minha tarefa de "pilotar o teclado" do computador tem sido bastante gratificante!!! :-)
E você? Identificou-se com o conteúdo exposto acima? Manifeste-se na seção de comentários, rerrerré!!!!
QUEM DISSE QUE ESTUDANTES COM NECESSIDADES ESPECIAIS NÃO PODEM, TAMBÉM, SE "DIVERTIR" COM AS CIÊNCIAS EXATAS??? :-) Se você procura ler algo sobre Deficiência Visual, Síndrome de Irlen, Deficiência Auditiva, Deficiência Locomotora e... enfim, quaisquer conteúdos sobre Inclusão & Acessibilidade, seu lugar é aqui!!!! "Chegue mais!"
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
COMO ANDA SEU ESTÁGIO DE LICENCIATURA?
Se
você é estudante de alguma Licenciatura e é estagiário com
necessidade especial, este texto é para você!
Por:
Débora Rossini
Sabe-se
que estudantes de Licenciatura têm de fazer o Estágio
Supervisionado que é obrigatório. O MEC estipula que têm de ser
cumpridas 408 horas de atividades relativas a ele durante a graduação
- mas a distribuição semestral fica a critério de cada
universidade (na universidade em que estudo, para a Licenciatura em
Matemática são 4 semestres de 102 h cada, ao passo que tem
universidade que coloca, por exemplo, 2 semestres de 204 h cada).
Conforme
todos sabem, os estagiários têm direitos e deveres. Os deveres
estão listados no Termo de Compromisso assinado no início das
atividades de estágio - e incluem postura adequada a um ambiente de
trabalho, pontualidade, assiduidade, sigilo de tudo o que acontece no
ambiente de estágio (similar ao sigilo profissional de diversas
ocupações de trabalho), ética e respeito , dentre outros.
Entre
os DIREITOS, é só dar uma “googlada” que você encontra aí.
(Exemplos: a compatibilidade de horário com os estudos e o
não-prejuízo destes; seguro do estudante contra acidentes, que a
universidade deve fornecer; dentre outros.) No entanto, fiquei
pensativa: e quais são os direitos específicos do ESTAGIÁRIO COM
NECESSIDADES ESPECIAIS quando fazem disciplinas de estágio
obrigatório de Licenciatura????
Procurei
no Google, e achei alguns direitos que amparam o estagiário com
deficiência - mas sem distinção entre o estágio de licenciatura
(em escolas de ensino regular) e os estágios feitos por estudantes
de bacharelado (normalmente, em empresas, repartições públicas,
etc.) Por exemplo: um estagiário, normalmente, pode estagiar no
mesmo local no máximo por 2 anos - mas o estagiário com deficiência
, segundo o que vi na internet, pode pedir prorrogação deste prazo
(já que ele costuma, na PRÁTICA, ter mais dificuldades em
conseguir vaga em outro lugar, possui mais especificidades de
acessibilidade, costuma ter maior "trabalho" ao se
ambientar em um novo lugar devido às suas limitações, pode haver
problemas de locomoção, etc.) Além do mais, todo local que
oferece vagas para estágio É OBRIGADO a ofertar 10% delas a pessoas
com deficiência na época de inscrições.
Fiquei pensativa
sobre o assunto, e gostaria imensamente de saber se isso se aplica
aos estágios de licenciatura em escolas. (TOMARA QUE SIM!!!!) Algum
leitor aí sabe?
Se
você tem necessidades especiais e tá precisando de fazer essas
disciplinas obrigatórias de estágio em escolas de Ensino
Fundamental e Médio, leve estas ideias para o professor
responsável por elas na faculdade, para o coordenador de estágios,
e para o coordenador de curso da sua graduação. Elas são
extremamente úteis a meu ver, pois:
--
como todo mundo sabe, o ambiente de sala de aula da Educação
Básica, repleto de estudantes , digamos, "cheios de energia",
oferece uma certa vulnerabilidade para o estagiário com necessidades
especiais!!! Se o estagiário com deficiência sentiu-se melhor em
uma determinada escola ao realizar o estágio (devido à
estrutura, o perfil dos alunos, o fato de ter como "tutor"
um professor regente que já o conhece e sabe como lidar com ele, já
facilita E MUITO o andamento das atividades), então, por que
insistir forçosamente em trocá-lo de estabelecimento sem motivo
relevante? Há Colegiados de Cursos e Câmaras de Estágios que
recomendam ou estabelecem que os estagiários troquem de escola
periodicamente, para conhecerem realidades diferentes, o que, de
acordo com os objetivos da disciplina, a princípio é válido -
mas, para um estudante com deficiência, que é cheio de
especificidades e vulnerabilidades, seria interessante ter uma
flexibilização nessa regra... até porque, quando este futuro
professor for trabalhar, ele vai escolher um estabelecimento que
encaixe melhor nas suas limitações e habilidades, não é verdade?
:-)
--Em
caso de estagiário com deficiência considerada acentuada (ex:
deficiência visual ou auditiva ou locomotora graves), seria
interessante a possibilidade de a universidade enviar um
acompanhante, oriundo da universidade, para auxiliar o
estudante-estagiário com deficiência e garantir-lhe maior
integridade física. Afinal, do jeito em que está a realidade nas
escolas hoje, corre-se o risco de algum aluno da escola do estágio
aproveitar da vulnerabilidade do estagiário e agir com má-fé,
causando-lhe transtornos... :-(
BOA NOTÍCIA: Já foi me relatado um caso
em que um estagiário cego foi acompanhado pelo seu professor da
faculdade, e que a medida foi bem-sucedida. :-)
--Há
universidades em que o seguro obrigatório, garantido pela
instituição de ensino superior ao estagiário, apenas contempla a
questão da integridade FÍSICA PROPRIAMENTE DITA do estagiário
(despesas médicas, hospitalares ou seguro pra família dele em caso
de falecimento.) No entanto, não contempla segurança de órteses
e próteses acopladas ao corpo de um estudante com deficiência
(pernas mecânicas, artigos ortopédicos em geral, aparelho de
surdez, óculos especiais que sejam raros e caros)!!!!! :-O
E
aí? Os equipamentos mencionados têm custo
elevado, e são de difícil reposição (não só pelo preço, mas
também pela oferta - alguns são importados, e levam muito tempo
para ficarem prontos de acordo com a prescrição do paciente). Sem
contar que, quem adquire esses equipamentos pelo SUS, demora mais
ainda para tê-los (devido aos procedimentos burocráticos que
normalmente são feitos para a aquisição de tais apetrechos). Se
quebrar, como é que fica a reposição de tais itens - que na
verdade acabam por fazer parte da "anatomia" do estagiário
com deficiência? Eles fazem falta não só para o andamento das
atividades acadêmicas, como também para o próprio dia-a-dia da
pessoa que os usa!!!!!! Basta um esbarrão/empurrão de
mau-jeito, ou o ato de ser atingido por algum objeto jogado por algum
aluno da escola ou alguma agressão física, que... o estagiário,
incluindo sua prótese ou órtese de uso contínuo, estão em risco!
Se esses equipamentos estragam, o conserto ou nova obtenção ficam
INTEIRAMENTE POR CONTA DO ESTAGIÁRIO, PELO VISTO!!!!! :-O :-O
Sugestão: as universidades deveriam
tomar providências para que o seguro obrigatório, no caso de
estudantes com deficiência, os ampare adequadamente também... ou
então tomem medidas paliativas enquanto isso não ocorre - tais como
arranjar um acompanhante da universidade para ajudar a minimizar
situações que possam danificar a prótese.
(Por
exemplo: o estagiário com deficiência está explicando um exercício
de matemática para um aluno da escola, e dois outros estão
iniciando uma briguinha ali perto. Como é que o estagiário vai se
sentir tranquilo em explicar o exercício pro aluno, diante da
'ameaça' de levar um esbarrão a qualquer momento? Ele tem de se
"desdobrar" para simultaneamente concentrar em sua tarefa e
ter de ficar atento para se proteger para não ter a prótese ou
órtese atingida - algo que seria minimizado se ele não tivesse o
equipamento... Aí é que entraria o papel do acompanhante - para
ficar atento a isso e alertar o estagiário se necessário,deixando-o
apenas com a "preocupação" de desempenhar a tarefa. )
Ou
então, o professor responsável pela disciplina de Estágio na
universidade poderia reduzir, para esse estagiário com limitações
comprovadas, o cumprimento de sua carga horária dentro de sala (se
ele assim o desejar) - para diminuir a probabilidade matemática de o
estagiário ter seu equipamento danificado no local ... substituindo,
assim, parte da carga horária que seria cumprida em sala, na escola,
por atividades alternativas - tais como atendimentos individuais a
alunos, preparação extraclasse de atividades, ou deixá-lo fazer
pelo menos uma parte do estágio em centros de apoio educacional (com
atendimento individual ou grupos pequenos de alunos) em vez de
escolas regulares com 30, 40 alunos por sala!!
Claro
que essas sugestões por si sós não resolvem totalmente o problema,
mas já ajudam um pouco.
--Em
relação à reserva de 10% de vagas em estabelecimentos para
estágio, destinadas a estagiários com deficiência, vale a pena
verificar se eles valem não só para empresas,mas também para
escolas. Converse com o coordenador de seu curso universitário!!!!
Veja por que tal medida é bastante útil: se as escolas tiverem 10%
de vagas reservadas para estagiários com deficiência, estes
podem escolher mais facilmente a escola em que melhor sentem-se
adaptados para estagiarem, de acordo com suas limitações e
habilidades, bem como a questão do deslocamento até ela, sem
ter de "disputar" pelas vagas com os colegas sem
deficiência (que, por sua vez, naturalmente, escolherão esta ou
aquela escola por questões de comodidade e não de acessibilidade.)
Assim
sendo, um estagiário com deficiência, que se sente melhor em uma
sala de aula de um colégio particular pequeno (com 15 ou 20 alunos
por turma) e que é mais próximo de sua casa ou faculdade, não
precisaria de ficar preocupado em perder essa vaga pro colega sem
deficiência (e que procura esse estabelecimento apenas para maior
comodidade) e ter de enfrentar uma sala de aula com 40 alunos, longe
de casa ou faculdade, tendo um trabalhão para se deslocar.
NOTA:
Mesmo que o estudante com deficiência não tenha dificuldades
físicas de locomoção - tais como deficiência locomotora ou visual
grave- há diversos casos em que ele, se for estagiar em uma escola
mais distante, vai ter de pegar ônibus. E, dependendo do grau e/ou
tipo de deficiência, ele não tem passe-livre ; ou seja, paga
passagem para ir e voltar do estágio... e que é muitas vezes cara.
Levando
em conta que um estagiário com deficiência já tem , por si só,
mais despesas do que um sem deficiência - por causa de troca de
próteses/órteses/manutenção de equipamentos auxiliares para o seu
dia-a-dia - seria ,mais do que justo, priorizar a vaga perto de casa
ou da faculdade para ele, não é? A economia com passagem de ônibus
ajudaria a compensar as despesas inerentes às suas necessidades
especiais - ou seja, o que ele gastaria com ônibus ele pode juntar
para custear novos equipamentos auxiliares, novas tecnologias
assistivas, novos aparelhos que necessitem ser trocados ou levados
para manutenção periodicamente! (A não ser que ele seja
visivelmente "MUITO BOM DE BOLSO", desses de classe
social-econômica bem alta, cujas despesas adicionais com transporte
- carro, táxi, ônibus, etc - somadas às despesas específicas das
suas necessidades especiais não lhe tragam dificuldades
financeiras,né??!!! Mas, em se tratando de uma pessoa com o $$$
"contadinho ali" como a maioria de nós, vale a pena
considerar o benefício proporcionado por essa prioridade! )
Logo,
diante de tudo que foi exposto acima, se você é estagiário com
necessidade especial, não perca tempo: mostre esta página a seu
professor responsável pela disciplina de Estágio Supervisionado,
mostre para o Coordenador de seu curso, mostre para os responsáveis
pelo Núcleo de Acessibilidade de sua universidade, e... bata um papo
com eles! Troque ideias!!! Discutam soluções ou alternativas de
acordo com a realidade da sua universidade!!! Se você realmente
gostar de ser estudante universitário de alguma licenciatura, e
quiser tirar o máximo proveito de seu curso, corra atrás de
direitos que possam turbinar seu desempenho nas atividades
curriculares!
E
então? O que achou das ideias propostas acima? COMENTE!!! É para
trocar ideias mesmo! (Vá que
eu esteja enganada em alguma ideia proposta... precisaria então de
uns toques aqui para reformular o exposto, né???? ) ;-)
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
DICAS PARA TAMBÉM SER UM BLOGUEIRO!!!
Quer
também ter o seu próprio blog, relativo às questões da Inclusão
e Acessibilidade, mas não sabe como começar? O "Sopa" te
ensina!!!! :-)
Por:
Débora Rossini
Certo
dia, eu estava trocando mensagens com uma leitora da minha fanpage no
Facebook ("Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen"), e ela relatava, no mural da minha página, do pouco
conhecimento das pessoas acerca do distúrbio oftalmológico
denominado Síndrome de Irlen - e da "luta" dela em relação
a garantir os direitos da filha dela na escola, que possui o referido
distúrbio.
Sugeri-lhe,
então, que ela fizesse como muitas mães/pais ou pacientes de
crianças e adolescentes que possuem alguma necessidade especial:
criasse um blog, de caráter informativo, que pudesse não só servir
como "repositório" de informações que pudessem ajudar
professores e administradores escolares, como também servir de
espaço virtual para compartilhamento de ideias. A leitora pareceu
achar a ideia interessante - mas alegou ter dificuldades em iniciar
uma tarefa deste tipo.
Talvez
existam por aí diversas pessoas na mesma situação, não? Afinal,
esse negócio de ajudar na disseminação de informações sobre um
determinado tema de interesse público ajuda muita gente. Eu mesma já
aprendi muita coisa sobre deficiências visuais, auditivas,
locomotoras e outras através de blogs escritos por pessoas que
possuem esses quadros clínicos. Muita gente que, embora não seja
profissional da área de Saúde ou de Educação, têm muita história
para contar (sem tirar o mérito dos profissionais citados,
rerrerré!!!), devido às suas vivências , experiências e sensações
diante do fato de possuírem limitações - paralelas, claro, a
diversas habilidades que lhes são peculiares.
Aí
fica a grande pergunta que deve estar passando na cabeça de muita
gente: "-Quero começar um blog, de cunho informativo, acerca de
um determinado tipo de deficiência / necessidade especial, mas não
sei como começar".
Relaxa,
meu amigo! :-) Seguem-se superdicas que podem lhe auxiliar:
1-
Os pontos principais que, certamente serão abordados pelo blog,
serão: a) O quadro clínico do tipo de deficiência relatada; b)
Experiências pessoais (consultas médicas, convivência social com
pessoas com e sem deficiência, vida escolar, acadêmica ou trabalho;
c) Dicas que podem facilitar a vida de pessoas com o mesmo tipo de
deficiência; d) Impressões pessoais acerca dos fatos listados nos
itens anteriores. Para facilitar a localização dos temas das
postagens pelos leitores, crie "marcadores" - que são uma
espécie de divisão do blog em seções temáticas (navegue no canto
direito da página deste blog e veja, na prática, como eles
funcionam).
2-
Se você não quer se expor, contando sua vida pessoal e chamando a
atenção para sua pessoa, pode fazer o seguinte: narrar as suas
experiências em terceira pessoa, dizendo "ele", "a
pessoa com deficiência", em vez de "eu". Assim, dá
para narrar um tantão de coisas interessantes sem se expor, se assim
o desejar.
3-
Se você, pelo contrário, não se importa em se colocar como o
protagonista das "peripécias de uma pessoa com deficiência"
(ou pai ou mãe de uma), tudo bem. Mas tome cuidado em NÃO ficar
expondo demaaaaaais sua vida pessoal ali (tipo: em que escola você
ou seu filho estuda, em que local você trabalha, nome completo,
nomes de familiares, todos os "hobbies" que você curte,
locais que gosta de frequentar, etc). Já vi diversos
blogueiros fazendo isso, e... cá pra nós, não acho isso legal,
pois pode despertar a atenção de internautas mal-intencionados que
não sejam apreciadores propriamente ditos do blog - mas sim pessoas
que ficam de olho em informações dos outros, para práticas
ilícitas. A internet é algo bem legal, mas tem lá seus
perigos... tenha uma certa dose de malícia e fique de olho!!! ;-)
Veja se o que você vai escrever realmente necessita ser dito ali - e
tome cuidado com a FORMA que você coloca a informação na rede...
;-) Resumindo: conte o que realmente seja pertinente em um espaço
público como a internet, e não todas as particularidades de sua
vida íntima! Publicar algo na rede é o mesmo que discursar num
palanque virtual. Pense nisso!!!!!
4-
Blog exige dedicação. Encontre temas interessantes para ir
"alimentando" a página regularmente. Procure se informar
de blogs ou sites com temas semelhantes ao seu, e mantenha contato
com os seus autores. Tipo: deixe um comentário lá, sempre tendo a
ver alguma postagem que o autor fez... aí se ele interessar pela sua
página e se ele gostar de uma determinada postagem, vai comentar na
sua página também... ;-) Atenção: nada de "spam", viu?
Ou seja: nada de aproveitar o espaço destinado a comentários na
página alheia só para deixar o link da sua página e "nada
mais". É considerado pouco simpático, entende? ;-)
5-
Nada de ficar copiando assuntos pertinentes, de outros blogs ou
sites. PLÁGIO É CRIME! Tente fazer o SEU diferencial, com os SEUS
textos!!! Afinal, ponha-se no lugar de outro blogueiro: é "duro"
gastar um tempão elaborando e digitando textos, para vir um outro
"folgado" que quer ser blogueiro mas tem preguiça de
escrever e... tal como uma espécie de "parasita"
(risos!!!) só recorta o conteúdo "prontinho" e
cola na página dele... aaafff...! Para copiar um texto de outro
lugar, É OBRIGATÓRIO citar a fonte original, dando créditos ao
autor... e,mesmo assim, procure obter AUTORIZAÇÃO dele(a), para
evitar problemas com as questões dos direitos autorais. O mesmo vale
para reprodução de fotos de outros sites.
Bom,
mas se mesmo assim você achou MUITO LEGAL um texto disponível em
outra página da internet e quer divulgá-lo (já fiz muito isso aqui
no "Sopa"), faça o seguinte: que tal escrever uma
resenha sobre o mesmo, como uma espécie de "convite" para
a pessoa ler o texto original ? (E, em vez de copiar o texto em sua
página, coloque o link, de forma que a pessoa acesse o site
original para ler... isso evita "roubar" leitores da
página original; pelo contrário, aumenta o número de visitantes
delas; muitos blogueiros já demonstraram gostar da divulgação
dessa maneira). Veja um exemplo desse tipo de resenha aqui.
6-
Se você tem perfil em redes sociais (Facebook, Twitter, etc), use-os
para divulgar os links para seu blog, para as novas postagens que
você fizer - bem como discutir assuntos pertinentes à temática
dele. Ou então, se não quiser usar seu perfil pessoal para isso,
crie um só para o blog... O perfil do Facebook deste blog, por
exemplo, é o "Sopa de Números". Dá
uma olhada lá!!! :-)
7-Se
você dispõe de pouco tempo para escrever - ou então acha que não
leva "jeito" para escrever textos longos , que tal se, em
vez de blog, você construísse uma "fanpage" no
Facebook? Uma fanpage é uma página temática que você cria, e
vai alimentando-a sempre que tiver alguma ideia nova! Funciona como
um "mini-blog". Conforme o nome diz, as pessoas que possuem
conta no Facebook que veem e acham legal a página (ou seja, "fãs")
clicam no botão "Curtir" que aparece nela. Uma vez feito
isso, sempre que é publicada alguma atualização, elas recebem-na
automaticamente, no "feed de notícias" dos perfis delas no
FB.
8-
A diferença de uma fanpage para um blog é que, nela, podem-se
escrever textos mais enxutos e concisos, no "ato" em que
você tem a ideia (isto é, desde que você tenha conexão à
internet, rerrerré!) É mais fácil de divulgar e ter seguidores,
pois o FB dispõe de ferramentas "prontas" de
compartilhamento - e, como hoje em dia quase todo mundo que
conhecemos tem conta pessoal no Facebook, fica muito mais fácil de
uma postagem sua se propagar rapidinho entre leitores, tornando-se um
"viral". Também, no Facebook, as pessoas parecem se sentir
mais à vontade para fazer comentários que num blog (pelo menos,
por minha experiência, noto isso; mas ainda não formulei uma ideia
que explique o porquê. Quem tiver uma resposta ou uma outra opinião,
por gentileza se expresse? Desde já, obrigada!).
No Facebook,
devido às ferramentas de busca dele, fica muito mais fácil
localizar pessoas e instituições que porventura interessem pelo
tema sobre o qual você escreve. Já num blog, essa tarefa dá um
pouco mais de "trabalho" - pois você tem de fazer, "por
fora do ambiente do blog", os contatos de divulgação (por
e-mail, por perfis em redes sociais, por contatos com outros
blogueiros), nos quais você tem de fazer o contato com quem lhe
interesse escrevendo mensagens completas em e-mails ou seções de
comentários (em vez de, com um simples clique, garantir uma "fatia"
da divulgação, tal como na fanpage... com ela, basta entrar no
perfil de um potencial leitor, clicar em "curtir" em algo
que ele escreveu, e... o potencial leitor já vai saber que você
existe!!!)
Uma
fanpage permite, portanto, uma propagação mais rápida , mais
imediata, do conteúdo. Porém, elas têm o risco de ter vida mais
curta - ou seja, enquanto a rede social que a hospeda for sucesso
entre os internautas. Se ela começa a perder adeptos (como o caso do
Orkut, que já teve seus tempos de sucesso e depois "caiu",
perdendo espaço para o Facebook e outras), aí, já viu... :-( A não
ser que você faça backup da página, e, quando uma nova rede social
for a "bola da vez", você a reconstrua no novo espaço
virtual copiando as informações... mas mesmo assim, quem garante
que os recursos e ferramentas da outra rede serão os mesmos, a fim
de permitir uma página criada no mesmo estilo... ? Hãããã...?) Os
blogs, pelo contrário, são algo que vêm durando há muito tempo -
e pelo visto, prometem ter "vida longa" ainda, tais como os
bons e "velhos" e-mails. Desde o início da década
passada, quando eu ainda nem manjava direito de computadores, eu já
ouvia falar nos "tais de blogs" - que na época ainda eram
encarados como "diários virtuais". Ou seja, blog dá um
pouco mais de trabalho, mas promete ter vida muito mais loooongaaa!!!
;-)
Veja
um exemplo de fanpage aqui.
9-
Mais dicas para blogueiros iniciantes - o Google tá repleto delas,
sobretudo em relação à parte técnica da "coisa":
técnicas de SEO (para facilitar a aparição nos mecanismos de busca
na internet), segurança computacional, dicas de parcerias com outros
blogueiros, etc. Digite estes termos de busca, e ... dê uma olhada
lá!!! :-)
E
então? Gostou das dicas dadas? Comente abaixo!!!!
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
Como comprovar, a todo instante, suas necessidades educacionais especiais, na universidade?
Por: Débora Rossini
Ooooooopa!!!! O post de hoje traz superdicas para aqueles estudantes que possuem algum tipo de necessidade educacional especial, e que precisam comprovar constantemente sua condição na instituição de ensino!!!!!
(Nota: O foco aqui é para universidades, pois é o tipo de ambiente em que mais conheço de perto em relação à temática do estudante com deficiência... portanto, é desse contexto que sei escrever melhor, né? ;-) Mas se você é aluno da educação básica (ou pai/mãe de aluno da educação básica), tente se informar para ver se o procedimento é similar, ok? Mas eu acredito que devem ter semelhanças, sim... )
Muitos estudantes universitários com necessidades educacionais especiais seguem o já conhecido procedimento de, no ato da matrícula, apresentar ao setor responsável pela Graduação (Pró- Reitoria de Graduação, como é denominado em diversas instituições de ensino superior) toda a documentação comprobatória de que é pessoa com deficiência. Mas será que apenas esse arquivamento dos laudos médicos é considerado suficiente?
Pelo que acompanho no dia-a-dia, não!
Mesmo com o laudo médico arquivado na universidade, diversos estudantes com necessidades educacionais especiais enfrentam, no dia-a-dia, dificuldades no que se refere ao planejamento de atividades com professores. Como, por exemplo: aquele estudante que tem maiores dificuldades de leitura e escrita, e que precisa de mais tempo para estudar e para fazer a prova - e que, quando vai "negociar" com o professor as condições mais adequadas para suas avaliações, veem uma certa insegurança do docente, uma vez que pode ocorrer de eles não saberem se dar certos tipos de "concessões" (digo, adaptações) a esse tipo de estudante é considerado dentro do regulamento da instituição ou não.
(NOTA: Eles sabem, sim, que o estudante tem seus direitos assegurados por lei; porém, frequentemente, não sabem QUAIS as medidas são permitidas pela instituição de ensino para atender a esses estudantes e quais não poderiam ser feitas).
Aí, o aluno tem de ter um trabalhããããão para convencer o professor de que determinadas práticas são aceitas e regulamentadas para estudantes como ele,e que outro professor de outro semestre já fez e que funcionou, etc... aaaafffff!!!!!!!!
Nossa... será que todo início de semestre, o "coitado" do aluno tem de passar por todo esse "desconforto"?
Não, necessariamente!!!
"-Uê, mas como assim?" - você deve estar pensando.
Relaxa, leitor! Vou explicar tudinho!!!! ;-)
Bom, sabe-se que cada universidade tem seu regulamento próprio, mesmo que sejam da mesma rede (ex: diversas universidades da rede pública federal, por exemplo). Vou citar o exemplo da universidade em que eu estudo - e aí, cabe a cada leitor verificar se isso coincide com a instituição em que ele estuda, ou se há adaptações. Bem, vamos lá:
Na universidade em que estudo, o caminho indicado para o estudante com necessidade especial ter seus direitos mais facilmente assegurados, sem constrangimento para ele e seus professores, é este:
Primeiro passo: no ato da matrícula (ou então, a partir do momento em que a pessoa torna-se estudante com necessidades especiais, visto que estas podem ser adquiridas ao longo do curso de graduação) , o estudante deve mostrar os laudos originais que atestam suas condições, digamos, "limitantes". Deixar uma cópia de cada laudo na DRCA (Diretoria de Registro e Controle Acadêmico), para ser arquivado junto com as fichas de matrícula.
Segundo passo: Dirigir-se à Pró-Reitoria de Graduação com cópias desses laudos, levando os originais, a fim de que haja autenticação destes. Em seguida, o aluno preenche um requerimento, solicitando que seja elaborada uma PORTARIA que dará direito ao estudante ter todas as adaptações necessárias.
Essa PORTARIA é um documento emitido pela universidade, que será redigido na Pró-Reitoria de Graduação. Será elaborado com base nos dados presentes no laudo médico (tipo de deficiência e quais as necessidades educacionais/adaptativas que esse estudante precisa de ter na universidade). Após uma reunião especial feita no referido órgão, ela é aprovada - e uma cópia é entregue ao estudante.
Terceiro passo: Assim sendo, todo início de semestre o aluno deve mostrar esse documento a cada um de seus professores, bem como ao Coordenador de Curso - e esse documento dá direito a adiamento/adaptação de provas, de desenvolvimento de planos de atividades adaptados de acordo com a necessidade, etc.
O modelo desse tipo de documento é mais ou menos assim:
Certinho? Com as orientações acima e com a posse desse documento emitido pela universidade, fica muito mais fácil de o estudante conversar com seus professores sobre adaptação de atividades, sobretudo as avaliativas - garantindo-lhes quais as práticas que atendem às suas necessidades, amparadas pela legislação, sem estar infringindo nenhuma norma institucional. Ok, galera??? :-)
Ooooooopa!!!! O post de hoje traz superdicas para aqueles estudantes que possuem algum tipo de necessidade educacional especial, e que precisam comprovar constantemente sua condição na instituição de ensino!!!!!
(Nota: O foco aqui é para universidades, pois é o tipo de ambiente em que mais conheço de perto em relação à temática do estudante com deficiência... portanto, é desse contexto que sei escrever melhor, né? ;-) Mas se você é aluno da educação básica (ou pai/mãe de aluno da educação básica), tente se informar para ver se o procedimento é similar, ok? Mas eu acredito que devem ter semelhanças, sim... )
Muitos estudantes universitários com necessidades educacionais especiais seguem o já conhecido procedimento de, no ato da matrícula, apresentar ao setor responsável pela Graduação (Pró- Reitoria de Graduação, como é denominado em diversas instituições de ensino superior) toda a documentação comprobatória de que é pessoa com deficiência. Mas será que apenas esse arquivamento dos laudos médicos é considerado suficiente?
Pelo que acompanho no dia-a-dia, não!
Mesmo com o laudo médico arquivado na universidade, diversos estudantes com necessidades educacionais especiais enfrentam, no dia-a-dia, dificuldades no que se refere ao planejamento de atividades com professores. Como, por exemplo: aquele estudante que tem maiores dificuldades de leitura e escrita, e que precisa de mais tempo para estudar e para fazer a prova - e que, quando vai "negociar" com o professor as condições mais adequadas para suas avaliações, veem uma certa insegurança do docente, uma vez que pode ocorrer de eles não saberem se dar certos tipos de "concessões" (digo, adaptações) a esse tipo de estudante é considerado dentro do regulamento da instituição ou não.
(NOTA: Eles sabem, sim, que o estudante tem seus direitos assegurados por lei; porém, frequentemente, não sabem QUAIS as medidas são permitidas pela instituição de ensino para atender a esses estudantes e quais não poderiam ser feitas).
Aí, o aluno tem de ter um trabalhããããão para convencer o professor de que determinadas práticas são aceitas e regulamentadas para estudantes como ele,e que outro professor de outro semestre já fez e que funcionou, etc... aaaafffff!!!!!!!!
Nossa... será que todo início de semestre, o "coitado" do aluno tem de passar por todo esse "desconforto"?
Não, necessariamente!!!
"-Uê, mas como assim?" - você deve estar pensando.
Relaxa, leitor! Vou explicar tudinho!!!! ;-)
Bom, sabe-se que cada universidade tem seu regulamento próprio, mesmo que sejam da mesma rede (ex: diversas universidades da rede pública federal, por exemplo). Vou citar o exemplo da universidade em que eu estudo - e aí, cabe a cada leitor verificar se isso coincide com a instituição em que ele estuda, ou se há adaptações. Bem, vamos lá:
Na universidade em que estudo, o caminho indicado para o estudante com necessidade especial ter seus direitos mais facilmente assegurados, sem constrangimento para ele e seus professores, é este:
Primeiro passo: no ato da matrícula (ou então, a partir do momento em que a pessoa torna-se estudante com necessidades especiais, visto que estas podem ser adquiridas ao longo do curso de graduação) , o estudante deve mostrar os laudos originais que atestam suas condições, digamos, "limitantes". Deixar uma cópia de cada laudo na DRCA (Diretoria de Registro e Controle Acadêmico), para ser arquivado junto com as fichas de matrícula.
Segundo passo: Dirigir-se à Pró-Reitoria de Graduação com cópias desses laudos, levando os originais, a fim de que haja autenticação destes. Em seguida, o aluno preenche um requerimento, solicitando que seja elaborada uma PORTARIA que dará direito ao estudante ter todas as adaptações necessárias.
Essa PORTARIA é um documento emitido pela universidade, que será redigido na Pró-Reitoria de Graduação. Será elaborado com base nos dados presentes no laudo médico (tipo de deficiência e quais as necessidades educacionais/adaptativas que esse estudante precisa de ter na universidade). Após uma reunião especial feita no referido órgão, ela é aprovada - e uma cópia é entregue ao estudante.
Terceiro passo: Assim sendo, todo início de semestre o aluno deve mostrar esse documento a cada um de seus professores, bem como ao Coordenador de Curso - e esse documento dá direito a adiamento/adaptação de provas, de desenvolvimento de planos de atividades adaptados de acordo com a necessidade, etc.
O modelo desse tipo de documento é mais ou menos assim:
"Portaria nº xxxxxxx , da data xxxxxxxx.
O [nome do órgão] , de acordo com as recomendações médicas que determinam o seguinte: xxxxxxxxxxxxxxx [escrever aqui o quadro clínico do paciente e de suas necessidades] determina que deve-se: conceder regime especial a(o) discente [nome completo deste] que deverá, ao início de cada semestre letivo, mostrar o teor deste documento aos seus professores, para, juntos, elaborarem um plano de atividades a ser seguido".
Certinho? Com as orientações acima e com a posse desse documento emitido pela universidade, fica muito mais fácil de o estudante conversar com seus professores sobre adaptação de atividades, sobretudo as avaliativas - garantindo-lhes quais as práticas que atendem às suas necessidades, amparadas pela legislação, sem estar infringindo nenhuma norma institucional. Ok, galera??? :-)
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
"Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen" !!!!!
Ooooopaaaa!!! Navegando pelo Facebook afora, já encontrei diversas fanpages e grupos de discussão específicos sobre Síndrome de Irlen (S.I.) Nelas, pacientes, pais e educadores trocam suas ideias, impressões sobre a SI e como lidar com ela, dicas e truques para conservar os óculos espectrais e "overlays", etc. Entretanto, todas essas que encontrei estão em idiomas estrangeiros, sobretudo em Inglês (por serem americanas em sua maioria); não encontrei nenhuma em nosso idioma (a não ser páginas de instituições que oferecem tratamento desse distúrbio - e cujo objetivo, naturalmente, é estar divulgando os serviços e tirando dúvidas)...
Não que eu ache ruim ter essa "enxurrada" de fanpages sobre esse tema apenas em Inglês (ou então em idiomas europeus que boa parte das pessoas, assim como eu, desconheçam)... Pelo contrário: é uma excelente oportunidade para treinarmos o Inglês, idioma falado universalmente!!! As dicas encontradas por lá são legais, e várias delas já serviram de "matéria-prima" para desenvolver textos aqui no blog! Entretanto, por razões fáceis de entender, tais grupos virtuais de discussão acabam por não se inserirem no contexto da realidade brasileira (seja em relação à oferta de tratamento, seja em relação ao processo e tempo de aquisição de óculos, etc). É fácil de compreender o porquê, galera: cada país, com seus contextos, localização geográfica, indicadores socioeconômicos, políticas públicas de educação/saúde e diversas outras coisas, tem a sua "realidade" apresentada no que se refere às condições e acesso de tratamento da Síndrome de Irlen... certinho? ;-) Por isso é que eu queria ver páginas do Brasil - até mesmo para convidar os internautas (que ali frequentassem) para conhecerem o "Sopa", rerrerré!!!!
Procurei, procurei por fanpages brasileiras sobre o assunto, e não encontrei. Claro que encontrei algumas que são mantidas por instituições que oferecem tratamento para quem tem SI - o que, claro, já é alguma coisa, hehehe!!!- mas o enfoque delas, naturalmente, é para divulgação dos serviços e tira-dúvidas dos pacientes (por sinal, muito boas, e que atendem aos objetivos delas!) Mas eu senti falta de grupos feitos por leigos - tais como pais, pacientes, professores, etc- que tivessem um objetivo mais amplo: que dessem a oportunidade para que pessoas interessadas no assunto discutissem entre si, trocassem ideias, promovessem debates sobre a SI no contexto brasileiro, etc.
Diante disso, pensei: "já que não tô achando isso na internet, por que não criar um? ;-) Vai ver que tem mais gente, por motivos diversos, sentindo falta desse tipo de espaço virtual também!!!" E assim fiz! Criei e botei no ar ontem uma fanpage, sobre isso, no Facebook!!!!! :-D (Quem souber de algum outro grupo brasileiro de discussão sobre SI no facebook, por gentileza me indique? Desde já, "valeu"!!! )
O nome dela é "Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen". Se você tem facebook, entre lá na página e clique em "Curtir"!!!! :-D
Além de ela agrupar os links para todas as postagens acerca de Síndrome de Irlen que fiz aqui neste blog, ela tem o objetivo de proporcionar um espaço bem gostoso e dinâmico para troca de ideias, debates e divulgação de novidades acerca do referido distúrbio oftalmológico. E, principalmente, de tentar conhecer mais de perto a realidade de pacientes BRASILEIROS com esse problema... ;-)
Oras, à medida em que eu for "conhecendo" gente com esse distúrbio oftalmológico, dá para inclusive ir tendo ideias de postagens futuras neste blog, sobre esse tema! Como, por exemplo: dúvidas frequentes; alguma pergunta/questionamento que eu nem pensei até hoje (e ir pesquisar a resposta com profissionais que entendem do assunto); quais os problemas enfrentados mais comumente pelos pacientes; etc.
Então, se você é paciente de Síndrome de Irlen - ou se é pai/mãe/professor de alguém com esse distúrbio oftalmológico - ou se é profissional de Educação ou de Saúde, não deixe de acompanhar as novidades que aparecerem aqui no "Sopa" e lá na fanpage também!!! Fiquem à vontade para fazerem seus comentários tanto aqui no blog quanto lá no Facebook!
GOSTOU DESTA INICIATIVA? ENTÃO, COMENTE NO ESPAÇO ABAIXO!!!
POSTS RELACIONADOS
-Síndrome de Irlen e Dificuldades de Aprendizagem: Tudo a ver!
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
"Um Outro Olhar" !!!!!
Por: Débora Rossini
Ooooopa!!! Justamente hoje - 13 de dezembro, Dia do Deficiente Visual - estava eu na cantina da universidade, quando encontrei com o Paulo Vanderlei - que, além de colega, é colaborador eventual deste blog! Ele me disse que "tinha algo" para me mostrar e para ser abordado no "Sopa"!!!
Ele (como sempre, antenado nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação) me mostrou uma fotocópia de uma reportagem, publicada na revista "Veja" do dia 19 de janeiro de 2011, cujo conteúdo pode ser lido clicando aqui. Curioso é que, dias atrás, escrevi postagens abordando "dicas para quem é recém-deficiente visual" e "reações psicológicas à perda da visão"... Até comentei isso com o Paulo, enquanto eu lia o texto passado por ele, e verificava a pertinência com estes dois posts a que me refiro!!!
A reportagem que ele me mostrou fala de um executivo que perdeu a visão, num episódio de violência urbana numa grande cidade - e que teve de se "reinventar" para ir seguindo em frente com sua vida pessoal e profissional. Vamos à história: em agosto de 2008, Luiz Gustavo Lamac Assunção, então com 29 anos, estava saindo do trabalho - e dirigindo quando teve de parar o carro para atender a um telefonema no celular. Justamente nesse momento, um ladrão o abordou; Luiz Gustavo, então, se assustou e pisou no acelerador, para fugir do criminoso. O ladrão então atirou, e o projétil fez com que o jovem executivo ficasse cego.
A partir daí, tenta-se imaginar os desafios que o rapaz passou - principalmente do ponto de vista psicológico...! Além de ter de encarar a cegueira súbita (o que já dá um forte impacto emocional) ainda teria de lidar com o trauma da agressão, que resultou na falta de visão!
Segundo a reportagem, numa fase inicial, Lamac não aceitava de jeito nenhum sua nova condição de pessoa com deficiência visual (isto é comum principalmente para quem perde a visão de forma súbita) e tinha fortes esperanças de que, pelo menos, de um dos olhos pudesse voltar a enxergar. Só que isto não ocorreu! Mas nem por isso Lamac deixou de ir à luta! Ele, que trabalhava na construtora Odebrecht, como diretor de marketing, voltou a seu trabalho!!!
Isso mesmo: fez treinamento de Informática para Cegos, fez treinamento de Orientação & Mobilidade - e, de acordo com uma outra reportagem que encontrei aqui, a empresa em que ele trabalhava deu todo o suporte em sua reabilitação - possibilitando-lhe o treinamento em Informática Adaptada, em Locomoção com bengala... além do apoio de uma psicóloga para ajudar-lhe a lidar com seus traumas, medos e desafios...! Essa mesma psicóloga fez também um trabalho com as demais pessoas da empresa, a fim de prepará-las para lidar com o colega que, agora, estava em uma nova condição.
Lamac então se dedicou ao trabalho, foi promovido e ... lançou um livro contando tudo isso! O trauma, as dificuldades, os desafios, suas conquistas após ter ficado cego... tudo isso ele relata em sua obra, escrita com a parceria da psicóloga que o orientou na reabilitação ao trabalho! O referido livro é chamado "Um Outro Olhar", lançado pela Editora Gente, e possui 136 páginas.
Segundo a reportagem da revista Veja a que me referi no início deste texto, "Um Outro Olhar é um testemunho eloquente sobre a capacidade humana para adaptar-se as mais duras provações". A mesma reportagem termina assim: "As páginas iniciais (...) são verdadeiramente angustiantes. Mas este é, sobretudo, um livro sobre esperança. A mensagem básica é que a violência está lá fora - mas há algo em todos nós que resiste à brutalidade", escreveu o repórter Jerônimo Teixeira no texto da revista Veja.
Fica, então, como mensagem do "Sopa" neste 13 de Dezembro: a deficiência visual - sobretudo a adquirida, principalmente em situações como a descrita neste post- é algo que exige bastaaaante força emocional do indivíduo que está nessa condição. Porém, com força de vontade, dá para ir, pouco a pouco, contornando os obstáculos na vida pessoal e profissional... Não se desanime!!! FORÇA!!!!!!
Ooooopa!!! Justamente hoje - 13 de dezembro, Dia do Deficiente Visual - estava eu na cantina da universidade, quando encontrei com o Paulo Vanderlei - que, além de colega, é colaborador eventual deste blog! Ele me disse que "tinha algo" para me mostrar e para ser abordado no "Sopa"!!!
Ele (como sempre, antenado nas notícias veiculadas pelos meios de comunicação) me mostrou uma fotocópia de uma reportagem, publicada na revista "Veja" do dia 19 de janeiro de 2011, cujo conteúdo pode ser lido clicando aqui. Curioso é que, dias atrás, escrevi postagens abordando "dicas para quem é recém-deficiente visual" e "reações psicológicas à perda da visão"... Até comentei isso com o Paulo, enquanto eu lia o texto passado por ele, e verificava a pertinência com estes dois posts a que me refiro!!!
A reportagem que ele me mostrou fala de um executivo que perdeu a visão, num episódio de violência urbana numa grande cidade - e que teve de se "reinventar" para ir seguindo em frente com sua vida pessoal e profissional. Vamos à história: em agosto de 2008, Luiz Gustavo Lamac Assunção, então com 29 anos, estava saindo do trabalho - e dirigindo quando teve de parar o carro para atender a um telefonema no celular. Justamente nesse momento, um ladrão o abordou; Luiz Gustavo, então, se assustou e pisou no acelerador, para fugir do criminoso. O ladrão então atirou, e o projétil fez com que o jovem executivo ficasse cego.
A partir daí, tenta-se imaginar os desafios que o rapaz passou - principalmente do ponto de vista psicológico...! Além de ter de encarar a cegueira súbita (o que já dá um forte impacto emocional) ainda teria de lidar com o trauma da agressão, que resultou na falta de visão!
Segundo a reportagem, numa fase inicial, Lamac não aceitava de jeito nenhum sua nova condição de pessoa com deficiência visual (isto é comum principalmente para quem perde a visão de forma súbita) e tinha fortes esperanças de que, pelo menos, de um dos olhos pudesse voltar a enxergar. Só que isto não ocorreu! Mas nem por isso Lamac deixou de ir à luta! Ele, que trabalhava na construtora Odebrecht, como diretor de marketing, voltou a seu trabalho!!!
Isso mesmo: fez treinamento de Informática para Cegos, fez treinamento de Orientação & Mobilidade - e, de acordo com uma outra reportagem que encontrei aqui, a empresa em que ele trabalhava deu todo o suporte em sua reabilitação - possibilitando-lhe o treinamento em Informática Adaptada, em Locomoção com bengala... além do apoio de uma psicóloga para ajudar-lhe a lidar com seus traumas, medos e desafios...! Essa mesma psicóloga fez também um trabalho com as demais pessoas da empresa, a fim de prepará-las para lidar com o colega que, agora, estava em uma nova condição.
Lamac então se dedicou ao trabalho, foi promovido e ... lançou um livro contando tudo isso! O trauma, as dificuldades, os desafios, suas conquistas após ter ficado cego... tudo isso ele relata em sua obra, escrita com a parceria da psicóloga que o orientou na reabilitação ao trabalho! O referido livro é chamado "Um Outro Olhar", lançado pela Editora Gente, e possui 136 páginas.
Segundo a reportagem da revista Veja a que me referi no início deste texto, "Um Outro Olhar é um testemunho eloquente sobre a capacidade humana para adaptar-se as mais duras provações". A mesma reportagem termina assim: "As páginas iniciais (...) são verdadeiramente angustiantes. Mas este é, sobretudo, um livro sobre esperança. A mensagem básica é que a violência está lá fora - mas há algo em todos nós que resiste à brutalidade", escreveu o repórter Jerônimo Teixeira no texto da revista Veja.
Fica, então, como mensagem do "Sopa" neste 13 de Dezembro: a deficiência visual - sobretudo a adquirida, principalmente em situações como a descrita neste post- é algo que exige bastaaaante força emocional do indivíduo que está nessa condição. Porém, com força de vontade, dá para ir, pouco a pouco, contornando os obstáculos na vida pessoal e profissional... Não se desanime!!! FORÇA!!!!!!
E você, leitor? Já tinha ouvido falar do livro "Um Outro Olhar" antes? Se sim, já leu? Compartilhe suas impressões na seção de comentários abaixo!!! :-)
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
CARREIRA ACADÊMICA E DEFICIÊNCIA: SERÁ QUE "DÁ"?
Por:
Débora Rossini
Se
você é um estudante universitário com deficiência – sobretudo
de universidade pública- este post é para você mesmo!!!!! Digo
“sobretudo de universidade pública” porque tais instituições
costumam dar bastante atenção não só ao ensino, mas também à
pesquisa e a projetos de extensão. Em tais instituições, tem -se
a “cultura” de preparar o aluno não só para o mercado, mas
também para a carreira acadêmica (mexer com pesquisa, fazer
mestrado e doutorado, etc.) Isto porque boa parte das atividades de
pesquisa, no Brasil, são realizadas em universidades públicas.
Neste
post, o conteúdo está mais focalizado para a deficiência VISUAL –
pois é ela que, a princípio, parece ser a que mais prejudica o
aluno na hora de estudar, devido à pouca acessibilidade a material
escolar e acompanhamento das aulas num sistema de ensino que prioriza
a visão. Mas se você é uma pessoa com deficiência de outras categorias (auditiva,
motora, etc), esteja à vontade para ler este post e verificar
possíveis identificações com ele! Afinal, o surdo tem dificuldade
de acompanhar palestras, aulas expositivas e conversas; o deficiente
físico tem limitações de acessibilidade arquitetônica... que, de
uma forma ou de outra, podem prejudicar o”andamento” das
atividades cotidianas... certinho? ;-)
Assim
sendo, você já deve ter ouvido de seus professores – e de colegas
mais experientes- a “formulinha de sucesso” para seguir carreira
acadêmica:
“Tire
boas notas, e mantenha um coeficiente de rendimento acadêmico alto –
pois, para concorrer a uma bolsa de iniciação científica, um dos
requisitos é ter notas muito boas. Em seguida, procure um professor
que tenha algum projeto de iniciação científica em andamento e
peça para ele te aceitar como orientado dele (ou se você quiser,
pode escrever seu próprio projeto de pesquisa e levar para um
professor te orientar nele.) Participe também de congressos (mesmo
que isso implique em ficar viajando constantemente), participe de
simpósios, não perca o que está “rolando” em sua área,
participe de programas de monitoria, e... bola pra frente, porque
isso tudo conta numa seleção de mestrado. Ah! E se você não fez
curso de inglês quando era adolescente, 'bóra' matricular num curso
para adultos, porque isso é requisito para se virar na carreira
acadêmica!”
A
uma hora dessas, você já deve estar pensando assim:
“AAAAAAAFFFFFFFF!!!!!
Então quer dizer que, por eu ser alguém com deficiência visual, não 'sirvo'
para a carreira acadêmica?
Mal tenho acesso a livros
didáticos e nem sempre tenho monitor para me ajudar, o que faz com
que eu passe nas matérias com notas 'raspando' na média; sou mais
lento para estudar, o que faz com que eu gaste o dobro (ou o triplo)
de tempo que os meus colegas, para fazer as mesmas atividades e
estudar para as mesmas provas... com isso, não tenho tempo para
ficar participando de atividades extras, pois o tempo mal dá para eu
me preparar para as atividades obrigatórias do curso e passar de
ano.
Além disso, como vou participar
de congressos e eventos extras, sendo que, tendo deficiência visual,
não dá para acompanhar apresentações em Power-Point e explicações
esquematizadas na lousa? Ao contrário dos professores com os quais
estou acostumado, o palestrante não vai saber como lidar com um
'ceguetinha' ali, na frente dele...!
Além do mais, não dá para eu
ficar viajando constantemente, pois isso toma-me dias que eu tenho de
faltar as aulas e depois tenho de ficar igual doido correndo atrás
de matéria atrasada, ainda mais que sou mais lento para estudar; já
não me bastam eventuais vezes que, por conta da minha limitação,
tenho de viajar para fazer tratamento médico, perder dias de aula e
ficar correndo atrás de matéria atrasada? Isso sem contar que a gente faz planos de viajar para um outro lugar, 'feliz da vida', e quando chega no local de destino, tem pouca ou nenhuma acessibilidade para pessoas com a minha limitação!!! Aí não dá para aproveitar plenamente o evento!!! ”
Tais
argumentações hipotéticas, que devem frequentemente passar pela
cabeça de estudantes com deficiência visual, devem também acometer, por exemplo, quem tem limitações relativas à audição (pela dificuldade de acompanhar conteúdos
expostos oralmente, pelas eventuais ausências às aulas por
tratamentos de saúde que acarretam acúmulos de matérias para
pessoas que já são lentas para estudar), e relativas à locomoção (como conseguir acomodação e acessibilidade em
lugares desconhecidos a serem frequentados? Tem banheiro, hotel
adaptado? Dependendo da causa da limitação física, têm menos
tempo livre para estudar e fazer outras atividades como as listadas
acima, por terem de frequentar exaustivas sessões de fisioterapia e
tratamentos médicos, além de eventualmente terem de viajar
para fazer consultas...) E aí?
Bom,
meu estimado leitor: se você faz parte da galera com os problemas
acima, relaxe! :-) Este post é um pouco longo, mas leia até o fim:
quem sabe ele pode te inspirar para algumas soluções?
Primeiramente, você tem de pôr na
cabeça que você não é IGUAL aos seus colegas , que têm o
“padrão” de “normalidade” (hã???!!!) que possibilita atender à risca
àquela “formulinha de sucesso” mostrada acima. Ou seja, você
precisa compreender que é “configurado fisicamente”
diferentemente deles... mas que, NEM POR ISSO, É MENOS CAPAZ”! ;-)
Sacou, meu amigo? Em outras palavras: você tem um ritmo e tempo
diferentes, e que, respeitando isso daí, você pode, SIM, seguir uma
carreira acadêmica de sucesso. Basta valer-se de algumas
estratégias!!!! Sendo assim, seu jeitão de se organizar para
“correr atrás” do sucesso pode até ser diferente dos seus
colegas... mas o resultado final PODE, SIM, SER O MESMO! E é isso
que importa!!! Manjou? A "formulinha" dada acima necessita apenas de algumas adaptações, no seu caso!!!
“Tá, mas como?” - você deve
estar pensando.
Simples: a solução consiste em adequar
as atividades acadêmicas às suas limitações e habilidades.
Veja só: vamos analisar a “formulinha de sucesso” passada
anteriormente, passo a passo?
“Tire boas notas, e mantenha um
coeficiente de rendimento acadêmico alto – pois, para concorrer a
uma bolsa de iniciação científica, um dos requisitos é ter notas
muito boas.”
Isso daí é o básico – e que,
certamente, já é uma “labuta” para você, né? Dica: em vez de
puxar um número alto de disciplinas por semestre, puxe menos! Se
estão marcadas, lá para o seu período letivo, umas 6 disciplinas,
não matricule-se nelas todas: escolha umas 4 ou 5, conforme o grau
de dificuldade que elas mostram. Procure equilibrar disciplinas com
maior grau de dificuldade com aquelas que sejam mais fáceis (peça
ajuda ao coordenador do seu curso para isso, se for o caso).
Lembre-se que para, pessoas como você, é preferível demorar um
semestre ou dois a mais para se formar, mas fazer as matérias bem
feitas, a ignorar o seu ritmo diferente dos seus colegas e...
puxar aquele tantão de matérias, mas ter dificuldade de dar conta
delas!!! Ah! Pela lei da Educação Inclusiva, estudantes
universitários com necessidades especiais TÊM DIREITO a um prazo de
integralização curricular maior!!! Não se preocupe!
Infelizmente, para poder ter direito a
bolsa de iniciação científica, as agências de fomento exigem
notas ALTAS, sim... independentemente de você ter dificuldade de
aprendizagem e só conseguir tirar notas menores, por maiores que
sejam seus esforços... :-( Então, o jeito é batalhar mesmo!
DICA ESPERTA: Tendo limitações
( sobretudo visuais ou auditivas) procure “garantir” notas mais altas logo no
INÍCIO do semestre... pois, no fim deste, além de você estar
sobrecarregado de atividades nas quais nem sempre dá para seu
professor lhe conceder prorrogação de tempo para entregar, os
monitores e colegas que porventura te ajudem certamente estão
atarefados também, desesperados para passar de ano!!! (Risos.)
Então, faça o inverso do que a maioria dos estudantes faz: garanta
nota ALTA no início, pois, se no final você der o azar de ter
poucos recursos de ajuda, não te prejudicará tanto. (Embora o CERTO seja o estudante com necessidades educacionais especiais ter garantia integral de ajuda do início ao fim do
semestre, eu tô trabalhando aqui com a hipótese REALISTA que
infelizmente, frequentemente ocorre).
“Em seguida, procure
um professor que tenha algum projeto de iniciação
científica em andamento e peça para ele te aceitar como orientado
dele. (ou se você quiser, pode escrever seu próprio projeto de
pesquisa e levar para um professor te orientar nele.)”
Conforme eu disse no parágrafo anterior,
se não tirar nota alta, não tem bolsa. Mas vá que , por motivo de
força maior, você não consiga desfilar por aí com coeficiente de
rendimento acadêmico maior que 80: se seus professores verem que
você é esforçado e que tem potencial, eles podem te dar uma chance
como colaborador de algum projeto que eles já tenham em andamento.
Você pode até não ganhar uma bolsa, mas ganha experiência, que
pode ser aproveitada posteriormente na hora de incluí-la em seu
currículo.
Vale também inscrever em programas de
Iniciação Científica Voluntária. Como o nome diz, você não
receberá bolsa... mas receberá certificado de participação, além
da experiência! Para essa modalidade de iniciação científica, as
exigências de notas são um pouco menores... e de horas semanais de
dedicação à atividade também! (Bom que sobra tempo para você
fazer outras coisas de que necessita, né?)
DICA ESPERTA: procure um tema que você
tenha conhecimento aprofundado e/ou interesse grande. Vão aumentar
as chances de se envolver intensamente com a atividade, fazer um
trabalho bem feito e ter sucesso!!!!
“Participe também de congressos
(mesmo que isso implique em ficar viajando constantemente pra lá e
para cá), participe de simpósios, não perca o que está “rolando”
em sua área, participe de programas de monitoria, e... bola pra
frente, porque isso tudo conta numa seleção de mestrado.”
Sim, isso é bom para sua formação, e
para turbinar seu currículo! Mas vá que você disponha de menos
tempo que seus colegas – 'ditos normais'- , pelo fato de gastar o
dobro de seu tempo para estudar (devido a dificuldades de
aprendizagem e de acesso a material didático adaptado), de ter de
dedicar horas da sua agenda semanal a tratamentos médicos e/ou de
reabilitação (“que você 'poderia' estar usando para estudar ou
fazer atividades de enriquecimento curricular”)... e vá que também
já necessite, eventualmente, de ter de ficar viajando para fazer
tratamento médico (o que implica em um tempo a mais “consumido”,
matérias a mais acumuladas para você, que já é lento para
estudar, ter de correr atrás)... ou, então, vá que os locais de destino não tenham acessibilidade adequada para te receber... aí fica realmente inviável para você,
estudante com deficiência, participar de eventos acadêmicos
extracurriculares no mesmo ritmo que seus colegas!!! (Quem é,
ou já foi deficiente/pessoa com necessidade educacional especial,
sente bem na pele o que é isso...!!!)
DICA
ESPERTA: Procure otimizar a sua escassa disponibilidade de tempo da
seguinte forma: durante o semestre letivo, dê preferência, ao
máximo, de participar de eventos dentro da sua própria
universidade ou então de outra que seja mais perto (há
inclusive cidades com mais de uma universidade pública – como São
Carlos/SP, por exemplo, que tem a USP e a UFSCAR no mesmo município!)
Isso evita gastos desnecessários de tempo para alguém que já tem
MAIS compromissos e escassez de tempo que uma pessoa sem deficiência!
“Ah, tá, mas é bom ver o que 'tá
rolando' em outras universidades, também em outras cidades... e eu
QUERO ver!!!” - você deve estar pensando.
DICA
ESPERTA: diversas universidades promovem “cursos de verão”,
cursos de inverno” que são eventos acadêmicos realizados em
períodos de férias. Assim sendo, aproveite! Dessa forma,
você poderá conhecer outras universidades, se assim desejar, sem
atrapalhar sua tão atribulada rotina! Aí dá para você entrar no
“busão” e viajar despreocupadamente!!!!!!
Exemplos
de eventos de férias: Curso de Verão do DEX – UFLA , anualmente
realizado no mês de janeiro, com minicursos e eventos para
estudantes de Matemática e Física; Escola de Verão em Computação(EVCOMP) da UFMG, que terá sua segunda edição em janeiro de 2013.
“Ah, mas tem um
amigo/conhecido/colega meu que tem lá as necessidades especiais dele, e nem por isso deixa de
pôr a mochilinha nas costas e viver viajando pra lá e pra cá
durante o semestre letivo, para participar de cursos...” - você
pode eventualmente deparar com uma situação dessas e ficar pensando
assim.
Meu querido leitor, antes de ficar
lamentando que você não é igual a esse indivíduo hipotético,
questione-se: Qual o curso que esta pessoa faz? É da mesma área que
o seu? Qual a carga horária de estudos (em sala de aula e
extraclasse) dele? Será que as especificidades dele, por ser alguém com deficiência e estudante, são iguais às suas?
Cada indivíduo é único... então leve
isso em conta! Nada de ficar comparando-se com os outros. Mesmo que a limitação do outro seja da mesma categoria que a sua, há inúmeras
particularidades entre uma pessoa e outra! Manjô? ;-)
“Ah! E se você não fez curso de
inglês quando era adolescente, 'bóra' matricular num curso para
adultos, porque isso é requisito para se virar na carreira
acadêmica!”
Ah, meu
filho, disso aí não tem jeito de fugir
não: VÁ fazer o curso de inglês – nem que seja o instrumental a
princípio- sem “mi-mi-mi”... Mas se você encontra
dificuldades por ser alguém com deficiência (de aprender a ortografia, por ter problemas sérios de visão; o som correto das palavras, por escutar pouco ou nada; dificuldades de locomoção para frequentar o curso, por falta de potência da visão ou do aparelho locomotor...), verifique a opção de fazer o
curso com professor particular (que atenderá melhor as suas
especificidades e necessidades de acordo com o seu objetivo).
Posteriormente, quando você estiver “mais seguro” , aí sim,
procure uma escola de inglês conceituada; aí, você poderá
“eliminar conteúdos” matriculando-se em um nível mais avançado,
e obter certificações de proficiência no idioma (úteis na hora de
comprovar formalmente conhecimento do idioma).
E então, leitor? Tá mais tranquilo?
Agora não tem desculpa não: se você QUER seguir carreira
acadêmica, vá sem medo!!!
Se você
ainda acha que isso é utopia, veja aqui alguns exemplos de pessoas
com deficiência/necessidades educacionais especiais, que possuem limitações
sim... mas que têm
inúmeras habilidades e talentos, também!!!! Clique
nos tópicos abaixo para ler um pouco mais sobre essas pessoas:
GOSTOU DESTE
POST? IDENTIFICOU-SE COM ELE? COMENTE ABAIXO!!!!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2012
Quais as Reações Psicológicas apresentadas pelos ''Recém-Deficientes-Visuais''?
Por: Débora
Rossini
Ooooopa!!! Olha só que coincidência!!!! Dois dias depois de ter publicado aqui
no “Sopa” o “Guia do Calouro no Mundo Não-Visual”,
deparei-me, por acaso, com um texto no site do Instituto BenjaminConstant (IBC), abordando temática parecida!!! (Mas parece-me que esse texto que encontrei foi escrito bem antes da minha postagem, rirrirri!!!) Intitulado “Reações
Psicológicas à Perda da Visão”, o texto traz, de uma forma mais
técnica, e escrita por profissional da área (psicóloga do IBC),
quais as “coisas” que passam com mais frequência na cabeça da
turma que, não importando o motivo, perde a capacidade de enxergar.
Vale a pena dar uma conferida!!! Clique aqui para ler o material, que
achei superbacana e bem explicativo!!! ;-)
Obviamente, não quer dizer que
tuuuuuudo o que foi descrito no texto do site do IBC se aplica a
tooooooooodas as pessoas que perdem a potência visual... certinho?
Como cada ser humano é único, a presença ou ausência - bem como a
intensidade de cada uma das características listadas- varia de
pessoa para pessoa. Vale salientar que, inclusive, até depende do
meio em que a pessoa vive! Suponhamos um indivíduo “recém-deficiente
visual” que, na época em que enxergava, convivia bastante com
deficientes visuais e tinha amizades estreitas com vários deles: é
bastante provável que várias das características negativas
listadas no texto possam se manifestar de forma mais “branda” - ou mesmo não se manifestarem... justamente
porque a pessoa já entende que há vida, sim, após a deficiência
visual – e não vê a “coisa” tãããão incapacitante assim...
(Ela apenas precisará se reorganizar mentalmente e funcionalmente
para uma nova realidade repleta de desafios, encarados em “PRIMEIRA
PESSOA”... mas aí, “faz parte” do processo, rerrerré!!!)
Boa leitura! :-)
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
PERDEU A VISÃO? Seu Manual Básico para Cegos Iniciantes está aqui!!!
Por: Débora Rossini
Todos os dias, em diversas partes do
mundo, milhares de pessoas acabam perdendo a visão -seja parcial ou
totalmente. As razões são diversas: desde doenças congênitas, que
se manifestam depois de vários anos, até causas não-naturais -
como acidentes, por exemplo.
Claro que o fato de uma pessoa ficar com
a potência visual reduzida ou nula “mexe” bastante com o
emocional dela... e COMO!!!!!! Imagina a sensação de tentar se
organizar mentalmente, para o fato de ter de aprender a fazer as
coisas de outra forma, usando os sentidos remanescentes, (através de
cursos de reabilitação)? Ou mesmo de ter de deixar de fazer coisas
de que gostava (ex: dirigir, desenhar, pilotar motos, etc)?
Realmente, é um momento delicado na vida de alguém que acaba
entrando para o mundo dos que têm falta de potência visual. Mas
isso não significa que a pessoa tem de entrar num casulinho e dar
“tchau” para o mundo lá fora, passando a ficar só de pijama o
dia inteiro dentro de casa dormindo ou ouvindo rádio!!! Se você,
leitor, faz parte da turma que enxergava e que passou a não poder
contar mais com a potência dos “zôio”, vá lendo ou ouvindo
este texto até o fim!
Por estes dias, vi no blog do Jairo
Marques um mini-guia com dicas para quem se tornou cadeirante. Achei
muito legal a ideia dele... pois foi escrito de uma forma didática,
descontraída, leve e fácil de entender – principalmente para o
público-alvo do texto dele, que são pessoas que estão ávidas por
instruções para seguirem com suas vidas - apesar do “contratempo
com o aparelho locomotor”! Inspirando na ideia dele, resolvi fazer
algo parecido aqui no “Sopa”-
ou seja, um manual básico para quem
se tornou deficiente visual!
;-) Ó, já vou avisando: aqui neste blog não tem espaço para
depressão não, rerrerré! A forma bem-humorada de escrever sobre
algo que - a princípio- bota pra baixo qualquer pessoa que tá com
situação oftalmológica “complicada” é, justamente,
para descontrair tais pessoas …
e mostrar-lhes que há vida,
sim, após um diagnóstico oftalmológico pra lá de chato! Então,
segue-se o “Guia do Calouro
no Mundo Não-Visual!!!”
Para facilitar a leitura, vou fazer o
texto no formato de “Perguntas & Respostas”, ok? Imagino que
as perguntas formuladas abaixo são aquelas que, por coincidência,
são as mais frequentes na galera que perdeu ou tá perdendo a
visão... e que é o público-alvo deste post!
1-“É verdade que, daqui pra
frente, posso me considerar um coitadinho(a), que vai ficar em casa
só de pijama, sem poder estudar ou trabalhar, e que a única opção
de ganhar algum dinheiro é com o benefício do governo?”
Que nada, meu filho! Hoje em dia, com o
tantão de leis relativas à Inclusão e Acessibilidade, pessoas com
deficiência – incluindo a visual!- podem trabalhar e estudar! Hoje
há diversas tecnologias assistivas destinadas a dar uma mãozinha
para pessoas como você! Já falei de várias delas aqui no “Sopa”,
e a galera lá do site Movimento Livre também “manda” muito bem
no assunto. Vale a pena ler, usando recursos de ampliação e/ou
leitor eletrônico de telas! Caso você ainda não tenha feito curso
de Informática específico para deficientes visuais, peça alguém
para ir lendo o conteúdo do site para você. Tenho certeza de que
sua “animação” vai aparecer e, gradativamente, irá aumentar!!!
Quer um exemplo de pessoa com
deficiência visual, adquirida depois de adulto, e que mesmo assim
foi “tocando sua vida” normalmente? Clique aqui!!!
2-“Tô numa'deprê' geral...
não quero saber desses 'blá-blá-blá' de Tecnologias Assistivas,
nem de Braille, e nem de reabilitação. Quero meus olhos funcionando
direitinho, de volta, pô ! O pior é que já fui em vários médicos
e todos dizem que meu caso é irreversível...! ”
Especialistas em comportamento humano
afirmam que, em situações de perda visual (e de outros tipos de
perda também!), há três fases que a pessoa vivencia. A primeira é
chamada de “luto” ou não-aceitação (como a mostrada na
afirmação acima); e é frequente sobretudo quando a perda da visão
é repentina e a pessoa não estava preparada para ela (ex: em caso
de acidente, alergia grave, intoxicação, etc.). A fase seguinte é
aquela na qual a pessoa agarra-se a toda e qualquer possibilidade de
cura, mesmo “milagrosa”, para o problema dela, botando esperanças
em algo que pode não ser possível de se concretizar. Já na
próxima, a pessoa “amadureceu” mais suas emoções envolvidas no
processo de perda visual – e tem mais maturidade para lidar com os
desafios da sua “nova vida”. Quando a pessoa já “se aceita”,
fica mais fácil para ela fazer novas descobertas no interessante
mundo da Orientação & Mobilidade (embora algumas pessoas com
baixa visão não cheguem a necessitar fazer esse curso), da
Informática Adaptada, do Braille... Aos poucos, virão novas
descobertas: a de poder utilizar os sentidos remanescentes, por
treino, para compensar o déficit visual... a de desenvolver
habilidades de orientação espacial... a de aguçar inclusive sua
capacidade de memória (fácil entender o porquê: você não terá
papelzinho com tudo escrito para você a qualquer hora; portanto,
vai, por treino, desenvolver sua memória um tantão!!! ) Rerrerré!!!
E se você for uma pessoa extrovertida, vai acabar aprendendo também
a fazer “piadas de cego” com sua própria condição, com o
intuito de descontrair as pessoas normovisuais à sua volta – que,
por sua vez, perceberão que você tem senso de humor, e que acabarão
por querer fazer amizades com você!!!
3-“O que significa cada um
dos cursos mencionados no parágrafo anterior?
O curso de Orientação e Mobilidade é o
curso que se faz para aprender a andar com a bengala-branca. Ou você
pensou que é só comprar uma bengala e sair batendo por aí, sem
técnica nenhuma? Rerrerré! Assim como existem cursos para aprender
a andar de carro, de moto, existem cursos para aprender a andar com a
bengala!!!! (A diferença é que você não precisa ter carteira para
sair por aí com a varinha branca... rerrerré!) A finalidade de tal
curso é aprender a se deslocar com o apetrecho, usando técnicas de
orientação espacial adequadas, a fim de evitar ficar perdido por aí ou de sofrer acidentes desnecessários.
Já o curso de Informática Adaptada a
cegos é para você aprender a utilizar os softwares de leitura e
ampliação de telas. Tais softwares requerem o aprendizado de teclas
de atalho e de navegação, que são utilizadas para diversos
comandos... afinal, quem não enxerga não vai ter condições de
utilizar o mouse, certo?
Curso de Braille: o nome diz tudo , né?
Através de técnicas adequadas, a pessoa aprende a estimular seu
tato para aprender a ler em alto-relevo. Também aprende a escrever
no referido sistema, através da “dupla dinâmica” constituída
pela regléte e pelo punção. Pode também aprender a escrever na
máquina de datilografia Braille (a máquina Pérkins é a mais
conhecida).
Tem também um curso chamado de AVD
(“Atividades da Vida Diária”), cuja finalidade é capacitar a
pessoa com deficiência visual a ser independente e autônoma para
fazer tarefas domésticas, pequenas obrigações, vestir-se e
alimentar-se, etc. (Obs.: nem todo deficiente visual necessita fazer
esse curso; geralmente, quem tem baixa visão consegue reaprender a
fazer tarefas do cotidiano sem precisar de treinamento formal. Mas,
para cegos “completos”, é interessante ver o que esse curso pode
proporcionar!)
4-“Vou aprender Braille
rapidão, para ser um devorador/a de livros?”
Isso varia de uma pessoa para outra. Tem
gente que aprende mais rápido, tem gente que demora um pouco mais.
As variáveis a serem consideradas são diversas: idade em que se
perdeu a visão; condições gerais de saúde (sim!!! Quem é cego e
tem diabetes tem seu tato, infelizmente, DIMINUÍDO justamente por
causa da diabetes!); fatores psicológicos; dentre outros.
5-“Pode acontecer de algum
estabelecimento de ensino se recusar a me aceitar só porque sou
'ceguetinha', alegando que não tem condições nem infra-estrutura
de me receber?”
É LEI, meu amigo: TODA instituição de
ensino – seja pública ou particular, independentemente de ser de
educação básica, média ou superior- TEM DE aceitar o aluno,
independentemente de ele atender ao “padrão de normalidade física”
ou não!!!! Caso alguma instituição de ensino recuse sua matrícula,
não pense duas vezes: procure orientação jurídica e faça a Lei
da Educação Inclusiva valer: é DIREITO SEU estudar onde você
quiser!!!
6-“Qual o 'Kit Básico de
Sobrevivência Escolar' para um deficiente visual?”
É necessário que você possua a “dupla”
reglete + punção, que são os apetrechos de escrita manual Braille,
e que são IMENSAMENTE mais baratos que a máquina datilográfica
Braille (o preço dela dá pra comprar uns 5 computadores, só para
você ter uma ideia!) … são ideais para você tomar notas rápidas,
além de etiquetar objetos como pastas, CD, etc. Também é bom ter
um computador com leitor/ampliador de telas, para você fazer seus
trabalhos escolares e acadêmicos, além de dispositivos móveis de
armazenamento de dados (CD, pen-drive, etc). É bom que tenha também
um minigravador (um tocador de mp3 simples já ajuda!), pois há
casos em que um leitor de telas não faz a leitura correta de um
texto... e, aí, na hora do aperto, um leitor “humano” lendo um
texto em voz alta e gravando ajuda muito!!!
Já a instituição de ensino, por sua
vez, deve possuir monitores e/ou tutores de auxílio ao professor, a
fim de te dar aquela mãozinha na transcrição e leitura de textos,
de auxílio em tarefas acadêmicas, de ser o mediador entre você e o
professor... Além disso, audiolivros e livros em Braille didáticos
são extremamente importantes na biblioteca, né? Outra coisa que não
pode faltar é a sala de recursos didáticos – com computadores
adaptados para cegos, scanner, impressora Braille, kit de desenho em
alto-relevo... dentre outros equipamentos importantes!!!
7-“Quais cursos
universitários são 'bons' para cego fazer? E quais cursos a galera
que não enxerga deveria 'passar longe'deles?”
Sabe quais cursos você deveria passar
longe, meu querido estudante? Curso para piloto de avião de caça,
de Piloto de fórmula-1, Auto-Escola, Moto-Escola, dentre outros que dependam EXCLUSIVAMENTE DA
VISÃO!!!! Rerrerré!!!
“-Mas, espera aí... para ser piloto
dessas coisas aí acima, se fazem cursos livres específicos... não
cursos universitários... Essa blogueira doidona pirou?” - você deve estar pensando.
Uê, leitor... se você questionou isso,
é porque entendeu “o espírito da coisa” , que eu quis mostrar
de forma bem-humorada, né??? Ou seja: considerando suas habilidades
e limitações, você pode fazer o curso universitário que VOCÊ QUISER!!!! :-) "Bóra" estudar!!!
8-“Sou deficiente visual, e
passei no vestibular de uma universidade que está situada em uma
cidade longe da que eu moro – e para a qual não dá para ficar
indo e voltando todo dia. Apesar da visão comprometida, dá para eu
morar longe do aconchego e proteção da mamãe, tendo independência
e autonomia? Posso morar em pensionato, república ou alojamento
estudantil?”
Já escrevi aqui no blog duas postagens
sobre isso!!! Leia:
9-“Cego pode praticar
atividade física?”
Não só pode como deve!!! Além de
divertir e relaxar do stress cotidiano, ajuda a melhorar a
consciência corporal, a orientação espacial e, de quebra, enxugar
as gordurinhas que porventura estejam alojadas em seu corpinho!!!
Rerrerré!!! Procure ver locais que ofereçam atividades físicas
adaptadas para deficientes visuais. Caso você queira malhar junto
com o “povão que enxerga” mesmo, converse com o
professor/instrutor da academia ou clube, a fim de ele proporcionar
as adaptações necessárias para você praticar a atividade com
segurança.
10-“Como fazer para ver
tevê, filmes, etc? Tô com saudade de ver os figurinos das artistas
durante a minha novelinhaaa!!! E quando passam aquelas cenas 'mudas',
nas quais só fica tocando música e eu fico 'boiando', sem saber o
que tá passando nas cenas, me mata dos nervos... aaaaaffff!!!”
É, realmente isso dá um pouco de stress
mesmo. Existe por aí o movimento para que a Audiodescrição (isto é
, transformar as imagens em legendas sonoras) torne-se obrigatória
para programas televisivos, filmes, etc. Enquanto isso não se torna
realidade,vê se tem alguém aí para dar uma forcinha para você, na
hora de ver tevê ou filme (principalmente se for filme que você é
obrigado a assistir para trabalho de escola ou faculdade...). Caso
contrário, você tem duas opções: uma é tentar se conformar com
as “cenas mudas” e deixar a compreensão plena do enredo pra lá;
outra é juntar com um grupo de cegos e fortalecer o Movimento pela
Audiodescrição que já está rolando por aí. Existe um site bem
legal, chamado “Blog da Audiodescrição”. Quer ir lendo ele,
enquanto isso? Eu recomendo!!!
11-“E quanto à questão da
minha aparência, em relação ao rosto, na área dos olhos? Vou
ficar desfavorável do ponto de vista estético?”
Pra começo de conversa, não é toda
deficiência visual que muda o aspecto de seus olhos, comparado ao
tempo em que você enxergava. Depende da causa da sua cegueira. E,
mesmo que altere alguma coisa na coloração do globo ocular (tal
como ocorre em casos de glaucoma, retinopatia da prematuridade,
dentre outros), o que é que tem? Não vejo problema! Tem muitas maneiras de contornar
isso! Uma delas é usar óculos escuros (peça para alguém te ajudar
a escolher um modelo bem estiloso, bem “fashion”, derrubando
aquele estigma de “óculos-pra-cego”. Que tal? )
Outra maneira é ficar
antenado em outras partes do seu corpo que podem ser valorizadas,
desviando a atenção da aparência dos seus olhos. Ou seja: um corte
de cabelo bem bacana; uma roupa moderna que combine com seu corpo,
jeito de ser e ambiente que você frequenta; cremes para a pele;
unhas feitas (para mulheres), etc... Afinal, esse negócio de
valorizar certas partes do corpo para desviar a atenção de outra
“que o(a) dono(a) não gosta, não se aplica só a cegos! Veja casos
em que a pessoa "boa dos 'zôio' " se sente insatisfeita com altura, ou com peso, ou com
traços genéticos de rosto, cor de cabelo, etc... enfim, quase todos
nós, cegos ou não, frequentemente usamos desse recurso, manjô? ;-)
O mesmo vale para aquelas pessoas que ficaram com visão subnormal e
que se veem obrigadas a usar óculos com lentes muuuuuuito grossas
e/ou de coloração pouco comum!!!
12-“Vou conseguir namorar e
casar? Ter filhos...?”
Claro que pode! Ainda existe gente bacana
por aí, que vai se interessar por você, independentemente de você
enxergar ou não. Já vi tanto cego casado por aí, sendo pai ou mãe
de família!
Evidentemente, ser pai ou mãe cego(a)
vai dar um pouco mais de trabalho, em algumas situações relativas a
tomar conta das crianças, de buscar na escola (por causa da questão
da locomoção), de acompanhar no dever de casa... mas aí já é uma
escolha que varia de pessoa para pessoa, esse negócio de ter filhos
ou não. Tem muita gente por aí que topa o desafio – conta com o
cônjuge, ou mais gente da família, ou babá para ajudar a cuidar...
além , claro, de desenvolver estratégias pessoais para fazer certas
tarefas com as crianças. Então, você pode casar e ter filhos, se
assim o desejar!
13- Como faço para trabalhar?
E para fazer estágio?
Quanto mais estudo e capacitação você
tiver, melhor!!!! Para vagas em instituições privadas, há a
questão da Lei das Cotas, que prevê uma percentagem mínima de
vagas reservadas para pessoas com deficiência. Nos concursos
públicos, também tem essa lei de cotas, a fim de garantir que
deficientes preencham vagas.
Para estágios, também tem essa lei! E
com um detalhe: segundo a lei de estágios, uma pessoa pode estagiar
em uma mesma instituição por no máximo dois anos. Porém, uma
pessoa com deficiência pode ter a PRORROGAÇÃO DESSE
PRAZO! :-) Certinho?
Bom, essas perguntas (respondidas) acima
foram as que vieram na minha cabeça...Pode ser que eu tenha
esquecido de alguma, e que seja bastante “pensada” pelos
recém-deficientes visuais (ou por familiares destes). Você que está
lendo este post: tem alguma pergunta adicional a fazer, e que queira
que seja respondida aqui no blog? Em caso positivo, MANIFESTE-SE JÁ
na seção de comentários, logo abaixo! Rerrerré!!! Corre, corre,
corre! Mãos ao teclado!!! :-)
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