segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Audiodescrição em Eventos Culturais: Tão importante e tão escassa!

Por: Débora Rossini

Ooooopa! O post de hoje é para falar sobre um recurso de acessibilidade chamado Audiodescrição. Ele permite que pessoas cegas e de baixa visão tenham acesso a apresentações de teatro, dança, exibições de filme, exposições em museus, etc. O papel do audiodescritor é exatamente traduzir, para a pessoa com deficiência visual, o conteúdo visual das apresentações/exposições. Imagine um cego todo empolgado com o lançamento de ''Star Wars- O Despertar da Força'', ou então de ''Deadpool'', e podendo assistir aos filmes juntamente com seus amigos? Então: é isso que a Audiodescrição pretende proporcionar, hehehe!!! 

Pode parecer ''supérfluo'' eu estar assinalando a importância da acessibilidade cultural e de entretenimento - enquanto ainda se tem questões sérias de falhas de acessibilidade em atividades essenciais e básicas tais como estudo, trabalho e locomoção, e que estão pendentes. Maaas... 

 - Vocês concordam comigo que pessoas com deficiência visual que tenham, também, acessibilidade em eventos culturais e de lazer, acabam sendo pessoas que terão mais informação, mais senso crítico, maior sensibilidade artística? 

- Ou, pelo menos, concordam que seriam pessoas que teriam um opção a mais de distração, para relaxar a cabeça dos contratempos cotidianos? (e cá pra nós, vida de pessoa com deficiência visual tem hora que é estressante, hehehe). 

- Ou então, concordam que a audiodescrição (e a consequente maior acessibilidade) proporcionaria à galera cega e com baixa visão maior sensação de estar ''por dentro'' do que os colegas, amigos e familiares veem? (sem ter aquela sensação de que está num ''universo paralelo''?)

Pois é. Sendo assim, uma vez que as pessoas com deficiência visual tenham acesso aos mesmos filmes/apresentações/exposições que as pessoas videntes, elas terão mais ASSUNTO PARA CONVERSAR com quem enxerga -facilitando, assim, a integração/interação social de cegos e videntes, minimizando a discriminação e isolamento de quem não enxerga (ou que enxerga mal)...  

(Imagine a seguinte situação: um cego estuda ou trabalha em uma equipe na qual os colegas curtem, de montão, filmes e séries. Na hora do intervalo, enquanto a galera estará toda empolgada conversando sobre a mais nova série que foi lançada, o filme que está bombando nos cinemas, etc, o cego vai ficar ''boiando'' -  pois, sem audiodescrição, não terá acesso a estas produções artísticas. E aí ele vai ficar é num canto, isolado, enquanto os colegas conversam animadamente. Tá aí um exemplo de isolamento, de barreira para conseguir fazer amizades, não é?) 

Querendo saber um pouco mais sobre essa ferramenta de acessibilidade (afinal, eu já tinha lido algo, mas queria saber mais coisas) , fiz a seguinte postagem no Facebook, para que os internautas me respondessem: 
''#‎MeSentindoCuriosa‬ 
DÚVIDA... ALGUÉM PODERIA ME RESPONDER? 
Sabe-se que existem recursos de audiodescrição para cinemas - porém em poucos locais tem este recurso no Brasil. Inclusive em muitas cidades que são capitais, não há disponibilidade deste recurso. Lendo sobre o assunto, vi que há a necessidade de alguém gravar as vozes com a descrição, fazendo uma edição no vídeo a ser exibido. 
Enquaaaanto esse tipo de recurso não se torna disponível na esmagadora maioria das salas de cinema, fiquei com uma dúvida:Existem serviços de audiodescrição, feitos por pessoas, ao vivo, disponíveis para algum deficiente visual que precisar? Por exemplo: uma pessoa com deficiência visual quer ir com a galera ver um determinado filme. Haveria a possibilidade de ele entrar em contato com, por exemplo, uma pessoa habilitada para tal tarefa, em sua cidade, e, no dia e horário combinados, o audiodescritor estar lá, sentar perto da pessoa com deficiência visual (tomando cuidado para não incomodar os demais espectadores) e então fazer o serviço localmente, sob demanda?''

Vários internautas deram respostas bem interessantes no fórum de discussões (para acessá-lo, clique aqui) !!! Inclusive uma internauta, Mirian Rebeca, que trabalha com audiodescrição, me deu a seguinte resposta, em um texto bem didático e explicativo - e que reproduzo aqui com a autorização dela)! 
''Olá Débora. Na verdade temos alguns assuntos na sua pergunta. Primeiro vamos falar sobre a questão de como a AD (áudio-descrição) pode ser feita no caso de um vídeo (cinema, curta, etc). 
Gravada: o áudio-descritor faz um roteiro com o que é pertinente descrever no vídeo. Depois há uma locução desse roteiro que ele mesmo pode fazer ou outra pessoa habilitada e por último uma mixagem (edição) dessa locução com o som do vídeo. 
A outra forma é um áudio-descritor assistir ao vídeo, fazer um roteiro de apoio e lê-lo ao vivo. 
E a outra forma é quando um áudio-descritor nunca assistiu ao filme e faz a AD simultaneamente. Ele tem que ser "fera" ou topar fazer isso. Não é qualquer um que consegue. 
Aí entra outra questão. Os recursos para se fazer essa AD ao vivo ou simultânea, que são as que você sugere. 
No caso de cinema existe sim a situação de incomodarmos as pessoas ao redor. Eu fiz AD de um casamento em que uma pessoa que estava assistindo ao casamento (a mãe da noiva) é cega. Financeiramente não tínhamos recurso e só descobriram esse recurso em cima da hora. Eu fiquei num local da igreja do qual eu conseguia ter uma boa visão e não atrapalhasse as pessoas e fiz uma ligação telefônica gratuita (promoção de Vivo para Vivo) para o celular que a mãe tinha dentro de sua bolsinha, Eu estava com um microfone em headset para ficar com as mãos livres e a mãe estava com fone de ouvido conectado ao celular. Acredite, ficou legal...rsrsrs Sabíamos os riscos que corríamos de não termos qualidade ou a ligação cair, mas deu certo! 
No cinema pode-se fazer algo parecido. O áudio-descritor ficaria em poltrona sem pessoas próximas (se isso fosse possível) e fazer a ligação com os recursos que citei de fone e microfone. Ele não pode falar baixinho porque vira um sussurro. Existe um acessório que chama abafador de voz. É muito engraçado, mas ele não atrapalha às pessoas em volta. Existe um sistema no qual o áudio-descritor fica com um transmissor de rádio e qualquer pessoa com um celular com fone de ouvido e aplicativo de rádio, pode captar a sintonia da AD. O áudio-descritor tem que ter esse equipamento e o celular é da pessoa que quer ouvir. 
Agora vamos à ultima questão. Você sabe que para se fazer uma áudio-descrição tem-se que estudar diretrizes relativas às obras ou imagens que serão áudio-descritas. Acredito que seria muito interessante existir um banco de dados de áudio-descritores que poderiam ser encontrados por proximidade para fazer esse e outro tipo de áudio-descrições sob demanda. Um exemplo. Uma pessoa cega quer fazer compras em um shopping. Saber tudo o que vai surgindo para ela ficar à vontade para comprar. Poderia contratar os serviços de um áudio-descritor por esse banco de dados. A demanda existe tanto para a situação que você sugeriu quanto para muitas outras.''

Excelente esclarecimento, não é verdade, galera?? Quem quiser conhecer um pouco mais do trabalho da Mírian, o link para contato é este. 

Interessante, não? Porém, infelizmente a oferta de Audiodescrição ainda é escassa! Veja esta reportagem que mostra que apenas em algumas cidades de grande porte existe este recurso (e muitas vezes, em situações pontuais e olhe lá.)  A esmagadora maioria das capitais brasileiras não tem, só para você, leitor, ter uma ideia! :-/ Clique neste link para ler. 

Acredito que, pelo fato de terem poucos cursos de formação de Audiodescritores no Brasil, acaba tendo um número reduzido de profissionais para atenderem à demanda - daí o fenômeno da escassez de oferta do recurso.

Caso você tenha ficado curioso(a) em saber mais sobre o tema, e acompanhar novidades e atualidades sobre este assunto, não deixe de conhecer o Blog da Audiodescrição (o link é este). Ou então o site Audiodescrição, cujo link é este e que mostra, inclusive, exemplos de vídeos e trechos de filmes audiodescritos! ;-) 

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

PERGUNTAS FREQUENTES DOS INTERNAUTAS, SOBRE SÍNDROME DE IRLEN !!!

Por: Débora Rossini 

Oooopa! Frequentemente, recebo em minha fanpage ''Driblando e Vencendo a Síndrome de Irlen'' perguntas sobre este problema oftalmológico. UAU!!! Show de bola, né? Sinal de que a fanpage está cumprindo o papel dela, de informar para as pessoas sobre um distúrbio de visão tão pouco conhecido e que pode ser altamente impactante para o paciente, se não for tratado, né? 

Noto que diversas perguntas são frequentes entre os internautas! Para facilitar a vida de quem está ''peregrinando pelas informações'' (hehehe) resolvi fazer este post - com uma lista das dúvidas que ''mais aparecem'' nos espaços destinados a comentários e nas mensagens recebidas inbox! Veja se sua dúvida (enquanto paciente ou pai/mãe de um) consta aqui! 
(Caso não conste, é só enviá-la na seção de comentários, hehehe! Mas primeiro, por gentileza, verifique se sua dúvida já está respondida neste post! Ok? ) 
NOTA: ESTE POST ESTÁ SUJEITO A ACRÉSCIMOS/ATUALIZAÇÕES. Se eu perceber que tem uma pergunta legal, que lembrei e que ficou de fora da lista (ou se eu receber alguma pergunta interessante de algum internauta), vou atualizando o post, colocando-a aqui juntamente com as que já estão. Portanto, fique sempre atento às atualizações e novidades nesta página, caro leitor! :-) 

Bom, vamos lá. Já publiquei esta lista na minha fanpage, e agora estou re-publicando aqui no blog (para possibilitar o acesso àquelas pessoas que não têm ou não usam o Facebook, hehehe) 

-- ''LI NA INTERNET ALGO SOBRE A SÍNDROME DE IRLEN E ACHO QUE TENHO OS SINTOMAS. ONDE ENCONTRAR UM PROFISSIONAL QUE FAÇA O DIAGNÓSTICO, A FIM DE PROPORCIONAR TRATAMENTO?" 

R: Na ferramenta encontrada no link abaixo, vc pode encontrar o profissional mais perto de onde você mora. Os profissionais habilitados a fazer esta triagem obtiveram a certificação em um curso de capacitação fornecido pela Fundação H.Olhos - e a formação acadêmica deles pode ser tanto na área de saúde (oftalmologia, fonoaudiologia, psicologia, etc) quanto na área de educação (pedagogos, por exemplo.)  ;-) Na linguagem técnica, são chamados de ''Screeners''. O link para encontrar o nome, endereço profissional e telefone de um Screener é este: http://fundacaoholhos.com.br/profissionais/  . Depois de clicar, aí vai aparecer um mapa do Brasil na página. Clique no seu Estado; aí vai aparecer um menu no canto esquerdo da página; selecione então a cidade de seu interesse; e clique no botão PESQUISAR. Então, aparecerá a lista com os dados dos profissionais mais perto de você. =)

***NOTA DE CORREÇÃO: Todas as atividades de formação, captação e relacionamento com a Rede de Screeners é de responsabilidade da Fundação H.Olhos - e não do Hospital de Olhos, como dito anteriormente.(O Hospital de Olhos NÃO fornece curso técnico.  Ele presta assistência oftalmológica aos pacientes.)
Notem que ambas as organizações mencionadas acima pertencem aos mesmos donos, mas encarregam-se de atividades diferentes, e que se complementam!!! 

-- ''ONDE ADQUIRIR OVERLAYS PARA LEITURA?" 

R.: Entre em contato com o(a) Screener com o qual vc faz acompanhamento. Você poderá obter através dele. Lembrando que, para vc obter uma overlay, necessita ter passado pela triagem e diagnóstico, para ver qual a tonalidade mais adequada para vc (tonalidade errada pode piorar o problema! ) 

-- ''RECEBI DIAGNÓSTICO DA SÍNDROME DE IRLEN. COMO DEVO PROCEDER PARA SABER SE PRECISO USAR ÓCULOS PARA CORRIGIR O PROBLEMA?

R.: Primeiramente, é importante destacar que CADA CASO DA SÍNDROME DE IRLEN É UM CASO. Existem casos em que este problema de visão ocorre isoladamente, mas existem situações em que há co-morbidades (ou seja, o mesmo paciente apresentar outros problemas, sejam de visão ou até mesmo de outra natureza - tais como TDAH, Dislexia, outros distúrbios de aprendizagem, outros quadros clínicos, etc.)

Sendo assim, partindo do SEU diagnóstico realizado com o (a) Screener que detectou a S. de Irlen em você, converse com ele(a) - e veja se realmente necessita de óculos com lentes filtrantes (que são recomendados apenas para os casos mais graves.) 

Os casos mais leves são contornados com o uso de overlays (lâminas especiais de acetato, coloridas) para ler, papeis coloridos/reciclados para escrever, ajustes na tela do computador (diminuição do brilho da tela e recursos de acessibilidade que permitem alteração da cor de fundo e tamanho da letra) e uso de óculos de sol comuns em ambientes externos (principalmente.) Existe um aplicativo para navegação na internet, gratuito e que é extensão do Google Chrome, que ajuda MUITO pessoas com Síndrome de Irlen a usarem o computador! Veja mais sobre ele, chamado WebHelp, neste link aqui

Caso haja a recomendação para usar os óculos, você deve se dirigir ao Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, no qual se fazem exames oftalmológicos que atestam ou não a necessidade de usar os óculos. Eles possuem lentes filtrantes, com coloração que varia de paciente para paciente, dependendo da intensidade da Síndrome de Irlen que a pessoa possui. Para marcar consulta, veja os telefones de contato na página deles. Ou se quiser marcar online, utilize esta ferramenta, neste link
Importante salientar que, em caso de comorbidades da S. de Irlen com outros distúrbios, os recursos assistivos mencionados (sejam eles overlays, papeis de coloração diferente, recursos de acessibilidade computacionais, óculos, etc) irão atenuar apenas OS SINTOMAS RELACIONADOS À SÍNDROME DE IRLEN.  Os outros quadros clínicos que atuam em comorbidade serão atenuados/corrigidos por meio de intervenções específicas para eles. Exemplos: acompanhamento pedagógico/fonoaudiológico para ajudar nos sintomas de Dislexia; acompanhamento especializado para corrigir TDAH; e por aí vai... Caso você não tenha ''nada'' em comorbidade com a SI, então, seu acompanhamento vai ser mais de natureza oftalmológica mesmo. :-) E, claro, tem direito aos recursos de acessibilidade visual na escola ou trabalho, caso você ainda não tenha atingido a correção completa da SI com os óculos ou overlays... ;-)
Continuando com as perguntas & respostas:

-- "Sou pai/mãe de uma CRIANÇA com Síndrome de Irlen, mas recebi recomendação de que, mesmo com os óculos, ela siga seu acompanhamento com pedagoga/psicopedagoga e outros profissionais. E ela só tem Síndrome de Irlen, sem nenhuma comorbidade. Como se explica isso, então?? 

Resposta:  Como este texto foi escrito pensando majoritariamente em jovens e adultos, então, realmente, procede o fato de que ''a intervenção é mais de natureza oftalmológica mesmo".  MAAAS, em se tratando de CRIANÇAS, você tem toda RAZÃO em sua colocação!!! É que, no caso de crianças, que ainda estão em fase de crescimento, ajuste, adaptação, e trazem consigo inúmeras defasagens de competências de habilidades de leitura, escrita e aprendizagem (relacionados à sua ''vida antes dos óculos"), então elas fazem acompanhamento pedagógico sim - mas é para ''correr atrás do prejuízo", até que ela, aos poucos, fique com um rendimento próximo ao das crianças de suas idades e séries escolares, e possam futuramente, ter mais autonomia sem auxílio profissional, hehe. 🙂 Já no caso de Dislexia e outras comorbidades, aí, sim, o acompanhamento profissional costuma ser permanente, porque, vira e mexe, aparecem disciplinas novas, exigências diversas, e aí novas estratégias necessitam ser criadas para atender às demandas do momento, nas diversas etapas de suas vidas! 😃 

-- ''QUAL O VALOR ($$) DOS ÓCULOS PARA CORRIGIR SÍNDROME DE IRLEN? " 

R.: O valor dos óculos vai depender do tipo e quantidade de filtros que serão necessários para colocar nas lentes destes. Pelo fato de os filtros não serem fabricados no Brasil, o preço dos óculos é um pouco ''salgado'' :-P ... Segundo uma internauta seguidora lá da minha fanpage, me parece que o valor está, agora no início de 2016, no mínimo, entre uns 800 e 1400 dólares (para saber o valor em reais, é só fazer a conversão das moedas. ;-)  ) 

-- ''COMO OBTER OS ÓCULOS PARA SÍNDROME DE IRLEN? ''

R.: Se você recebeu a recomendação de usar os óculos, através do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, no referido estabelecimento você receberá as orientações. Resumidamente, você comprará na óptica de sua confiança a armação dos óculos de acordo com as especificações que você receberá em papel impresso; aí é só fazer as lentes com grau, caso necessite, de acordo com as orientações dadas. 

Então, leve os óculos ao Hospital de Olhos JUNTAMENTE COM A NOTA FISCAL DOS ÓCULOS (NÃO ESQUEÇA DELA, ''PELAMORDEDEUS'', senão eles não serão aceitos, hehehe!) , e a instituição encaminhará os óculos para um laboratório especializado nos EUA. Quando ficarem prontos, voltarão para o Brasil endereçados para o Hospital de Olhos. Aí, o estabelecimento entrará em contato com você. Caso more em Belo Horizonte ou região, é só ir lá buscar... se mora longe, eles enviam pelos Correios, via Sedex a cobrar. As despesas referentes ao envio dos óculos para os EUA, para colocar os filtros de Irlen, serão especificadas pelo Hospital de Olhos. 

--" COMO CONSEGUIR O TRATAMENTO CUSTEADO PELO GOVERNO?? SOU DE BAIXA RENDA E NÃO TENHO CONDIÇÃO FINANCEIRA PARA CUSTEAR CONSULTAS + ÓCULOS DE SÍNDROME DE IRLEN... E ISSO PIORA QUANDO A PESSOA NÃO MORA EM BELO HORIZONTE OU REGIÃO, POIS TEM DE PAGAR, AINDA, VIAGEM E ESTADIA PARA FAZER AS CONSULTAS NO HOSPITAL DE OLHOS EM BELO HORIZONTE. E O SUS NÃO COBRE SÍNDROME DE IRLEN. O QUE FAÇO??''

R.: Lancei a pergunta num grupo do Facebook sobre Síndrome de Irlen, já que não soube responder... Agora adquiri a resposta através de uma mãe de paciente, que está passando pelo processo.

Funciona assim: 
Primeiramente, o que precisa fazer é ir à secretaria municipal de saúde de seu município, levando o laudo do Hospital de Olhos que atesta a necessidade do uso de óculos e o retorno anual (cujos custos são consultas + óculos + viagem e estadia em BH). Aí eles tiram uma cópia do laudo, fazem uma avaliação e então dão um retorno, se o pedido foi deferido ou indeferido.

E quando o pedido é indeferido? (Geralmente, alegam que a prefeitura não tem verba para custear um tratamento tão caro.) 
Aí, deve-se fazer o seguinte, segundo a internauta que respondeu a pergunta:

''Bem.... Eu tentei MP mas não consegui, então procurei a defensoria pública, a qual montou todo o processo. Laudos, exames tudo q tiver.... Pediram uma avaliação de um médico q atendesse na rede pública para constar q esse tratamento é feito apenas em BH. Assim, acionaram a secretaria municipal de saúde a qual recusou pois não tem tratamento pelo SUS, daí eles mandaram pro juizado dá infância e juventude.[quando o paciente é de menor]."

Minha observação: Quando o paciente é de maior, me parece que aí entra com um mandado de segurança, desses destinados ao público adulto mesmo, para conseguir o tratamento - em vez de encaminhar pro juizado da infância/juventude. Geralmente, nesses casos, (como ocorre com pacientes de outros problemas de saúde), costumam pedir comprovação de renda do paciente, alegando que não tem como pagar particular, e que o plano de saúde não cobre.

Mais detalhes sobre este assunto, neste post cujo link é este aqui

-- VOU PRESTAR O ENEM. COMO SOLICITAR ATENDIMENTO DIFERENCIADO POR CAUSA DAS MINHAS NECESSIDADES ESPECIAIS? 

R.: Eis a resposta dada por uma internauta no Facebook - e que gentilmente me deu autorização para reproduzir o conteúdo que ela escreveu:

''
Lá na inscrição eles vão perguntar seus dados e afins. Logo após a pergunta de segurança e a resposta secreta, será o momento que colocarmos o auxílio que necessitamos (Leia tudo antes de confirmar a inscrição). Ficou grande, mas eu especifiquei tudo direitinho.
Possui deficiência ou condição especial? SIM
Indique a(s) deficiência(s) ou a(s) condição(ões) especial(is): BAIXA VISÃO / OUTRA DEFICIÊNCIA OU CONDIÇÃO ESPECIAL (eu marco as duas)
Informe o tipo do CID (Classificação Internacional de Doença): CID-10 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde)
Informe o código: F810
Aí aparecerá: "Descrição: Transtorno específico de leitura" (precisa aparecer)
Marcar em: "Declaro que possuo a(s) deficiência(s) ou a condição(ões) especial(is) indicada(s)...."
Aí eles perguntarão se você possui necessidade de atendimento específico (lactante, guardadores de sábado e coisas que não tem muito a ver com a Síndrome de Irlen) e, na outra página, eles pedirão para que você indique o(s) auxílio(s) ou recurso(s) necessário(s). Eu marco "Prova ampliada" que é em Arial 18. Tem gente que marca "superampliada" que é em Arial 24. Tem lá ainda outros recursos como ledor (eles disponibilizam alguém pra ler a prova pra você) ou auxílio para transcrição no gabarito.
Marcar em: "Confirmo que a solicitação de recursos e/ou auxílios por mim realizada são..."
E é só isso. Aqui no Espirito Santo, o ENEM nos "agrupam" em escolar apenas de pessoas que necessitam do recurso. Eu sempre faço minha prova em salas de no máximo 15 ou 20 alunos e todos com provas ampliadas. Os fiscais costumam ser bem legais e pacientes, muitos colegas usam lupas de mesa ou afins. O ENEM não considera a Síndrome de Irlen como "vaga para deficiente" mas nos dá os recursos. Eu indico que vocês leiam todos os auxílios com calma porque pode-se marcar mais de um, aí vai de acordo com sua necessidade.
No ano de 2014 foi só isso. No ano de 2015 o INEP me mandou um e-mail pedindo o laudo que deveria ser anexado na página do participante. Eu anexei o relatório da Screener da Síndrome de Irlen que me diagnosticou (acho que todo mundo tem, aquele que consta: alcance de reconhecimento, tarefas visuais, lado da overlay, etc). O INEP sempre aceitou sem problemas (e eu não tenho nada do Hospital dos Olhos porque não uso o óculos). Não usei a Overlay na prova porque só a letra ampliada "resolveu" meu problema, então não sei especificar como seria.
No dia da prova (não tem nada disso na inscrição, é só na hora da prova mesmo) o INEP dá, junto ao gabarito, um papel que você marca o recurso de se usar 1 hora extra de prova. Então a gente entra como todo mundo, marca esse recurso (um papel em cada dia de prova) e tem uma hora depois do "término" da prova pra acabar a sua ainda, mas se acabar antes, pode sair (desde que não fique entre os três últimos e aquelas coisas que valem pra todo mundo). A redação não tem jeito, precisa escrever naquele papelzinho com aquelas linhas super pequenas."

--''NÃO SOU PACIENTE, MAS TENHO FORMAÇÃO ACADÊMICA NA ÁREA DE SAÚDE / EDUCAÇÃO. QUERO MUITO SER UM(A) SCREENER DA SÍNDROME DE IRLEN! ONDE POSSO BUSCAR CAPACITAÇÃO? 

R.: Periodicamente, a Fundação Hospital de Olhos oferece cursos de capacitação. Para saber quando haverá a próxima edição do curso, como e quando fazer inscrições, formas de pagamento, etc, veja tudo neste link

(Obs: Se você não deseja ser Screener, mas assim mesmo pretende fazer o curso para dar um ''turbo'' na sua formação enquanto professor (desde o nível básico até o universitário), ou então como pedagogo/orientador educacional,  recomendo que faça o curso, se possível!!! Vai ajudar muito para você saber lidar melhor com algum aluno que tenha Síndrome de Irlen! Sem contar que o certificado a ser adquirido no curso irá enriquecer seu currículo, irá turbinar seu Lattes... =) Já pensou nisso? ) 

--"Pessoas com Síndrome de Irlen SEVERA, que sofrem bastante com as implicações da Sindrome (incluindo a famigerada sobrecarga sensorial) e que não tenham atingido neuroadaptação completa após anos usando os filtros, terão direito a se enquadrar nos critérios para aposentadoria especial no INSS ?? -após um determinado número de anos de contribuição?"

Resposta: (dada pela equipe de Comunicação do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães, e publicado com a autorização deles)

"É importante o uso constante de filtro espectral para melhora e até mesmo supressão dos sintomas e queixas, como sobrecarga sensorial. 
As pessoas com a Síndrome de Irlen (SI) não tem incapacidade, mas sim um  transtorno – não se enquadram, portanto, na categoria  de  DEFICIENTES VISUAIS  que se baseia em conceitos de acuidade visual  (tamanho  da letra que o indivíduo  consegue  enxergar de longe e para perto, usando óculos, lentes de contacto  ou nenhum grau, e que pode envolver conceitos de perda de visão de um olho ou ambos, visão subnormal, cegueira, etc). 
Alguns indivíduos com a SI podem apresentar deficiência visual ou outras deficiências, como uma comorbidade. Para a aposentadoria desses indivíduos deve ser avaliada a comorbidade, de acordo com cada caso. "  

Em outras palavras: a pessoa com Síndrome de Irlen é considerada ''pessoa com necessidades especiais" apenas para fins EDUCACIONAIS  (ou seja, em situações envolvendo escola, faculdade, cursos) - e não para fins legais ou trabalhistas, tais como pessoas cegas ou com baixa visão. 


E então? Este pequeno guia te ajudou? Tem alguma dúvida extra? Em caso positivo, ''bóra'' manifestar-se na seção de comentários... ou então, vamos lá para o facebook conversar mais! =) 

OBS: Para dúvidas mais específicas, que dependam de profissionais que trabalham com Síndrome de Irlen para responder, recomendo que entre em contato com o Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães ou com a Fundação Hospital de Olhos, para maiores esclarecimentos! 
Ou então entre em contato com um(a) Screener que consta na lista de credenciados mencionada neste texto - se assim preferir! 
Os links com os contatos deles já foram divulgados no texto acima. ;-) 

Caso queira ler todas as outras postagens sobre Síndrome de Irlen que já publiquei neste blog, clique aqui. São mais de 40 postagens sobre o tema!!! =) 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

DICAS PARA QUEM TEM DEFICIÊNCIA VISUAL E MORA SOZINHO(A)!!!

Por: Débora Rossini

Oooopa! O post de hoje é compartilhar umas dicas bem legais que vieram à minha cabeça, depois de ler esta reportagem que está neste link aqui. Ela fala dos prejuízos que podem ocorrer na vida da galera que não enxerga (ou que enxerga pouco), caso não tenham orientação adequada para fazer as atividades do dia-a-dia e de se portar socialmente, naquilo que se convencionou chamar de ''bons modos''.
E, como sabemos, existem um monte de gente com deficiência visual que mora sozinho(a)! Seja por opção (busca por independência), seja por necessidade (mudança de cidade para estudar ou trabalhar) ou simplesmente porque não tem familiares para morar com ele(a). E aí? Como fazer para se virar em atividades e tarefas de cuidado pessoal que, tradicionalmente, dependem da visão? Você, querido leitor com deficiência visual, com certeza vai querer ter aparência e modos aceitáveis pelo povo que enxerga, né? 
Afinal, cá pra nós, mesmo que alguém que não enxergue ande impecável igual modelo, já tá sujeito infelizmente a sofrer discriminação... imagine se andar ''mal-ajambrado'' e comportar '' de qualquer jeito'', né? :-/ Então, seguem -se estas superdicas para dar um ''gás'' no seu convívio social!
Vamos lá? 
Se você tem a ''potência visual'' ruim, mas não tem uma pessoa vidente para ficar constantemente checando se sua roupa, cabelo e sapatos estão ok, minhas sugestões são estas: 
1 - Adote cortes de cabelo que são mais fáceis de pentear e de cuidar (assim como ter mais facilidade para verificar, pelo tato, se o penteado está em ordem, hehe.) Às vezes, um corte pode ser legal e estar na moda, e ser fácil para uma pessoa de visão normal cuidar, mas para um DV (deficiente visual) pode ser mais cansativo. Claro que isso não significa que o corte tem de ser ''sem graça e cafona'', hehehe! Mas tente conciliar o prático/confortável com seu gosto pessoal. ;-)
2 - Quanto às espinhas no rosto, para a galerinha deficiente visual que é mais jovem e sofre com elas: pelo tato, fica fácil de percebê-las e de passar o creme/loção antiacne, certo? Mas anote aí essa dica esperta: use a mão CONTRÁRIA à que você usa para ler em Braille. Explico o porquê: como esses produtos antiacne foram feitos para ressecar a pele (por motivo óbvio) eles trazem o efeito colateral de ressecar a pele das mãos, sobretudo a ponta dos dedos. E mão com pele ressecada dificulta um pouquinho na hora de ler em Braille (é como se um vidente ficasse com seus óculos meio embaçados ao ler um texto com os olhos, hehe). Por exemplo, se você lê Braille com a mão direita, reserve a ESQUERDA para passar seus produtos antiacne no rosto. E o contrário vale para quem for canhoto.
3 - Se você - que é cego ou tem baixa visão- , trabalha e usa uniformes, utilize este ponto a seu favor no dia-a-dia!!! Pelo menos, não tem de gastar tanto ''neurônio'' se perguntando se aquelas roupas estão combinando ou não, hehe. Apenas se lembre de ter uma pessoa de confiança, para, dentro de algumas semanas ou meses, checar se as peças de roupa estão ficando velhas e se é hora de substituí-las. O mesmo vale se você vai para a escola/faculdade e usa uniforme (tem faculdades que vendem a camisa de uniforme, de uso facultativo, que pode ser combinada com calças e sapatos do seu gosto.) Já abrevia um trabalho e tanto, né??
4 - Para guardar suas roupas de sair de casa, separe-as por categoria (social, informal, esportiva, etc) , por cor (aí vai ter de pedir a ajuda de um vidente, hehe), etiquetando tais informações em Braille ou letras grandes, para ficar fácil de localizar quando estiver sozinho(a). E deixe seu guarda-roupa sempre organizado, com tudo no mesmo lugar. A memorização das posições das roupas lhe ajudará um tantão!!!
5- SAPATOS: Importante saber o tipo de sapato adequado para cada ocasião , mas lembre-se (SOBRETUDO SE FOR MULHER!) que um sapato considerado ''fashion e bonito'', dependendo do modelo pode ser perigoso para você que tem deficiência visual. 
EXPLICO O PORQUÊ: sabe-se que há peculiaridades características da marcha (modo de andar) de uma pessoa com deficiência visual, que são diferentes do jeito de pessoas que enxergam. Do jeito que essas ruas estão esburacadas por aí, essas calçadas estão uma porcaria e a acessibilidade muitas vezes dá ''tchau'' pro cidadão, minha dica é escolher calçados que deem estabilidade ao andar e ao mesmo tempo proteja os pés. 
Suponhamos que você é uma mulher cega que queira usar sandálias: principalmente se não tiver muita prática em orientação e mobilidade, sugiro que deixe estes calçados para usar preferencialmente quando estiver acompanhada por alguém vidente -e mesmo assim se a caminhada a pé for curta (sabe aqueles trajetos nos quais 99% deles são de carro, ônibus, etc? Pois é.) Senão, o risco de chutar algo que a possa machucar, ou pisar em algo nojento que vá grudar em seus pés (éca!!!) pode ser significativo.
Caso vá andar sozinha, sugiro usar sapatos fechados, confortáveis. Tem muito sapato confortável e bonito por aí, mulherada, que vai te deixar linda!!! Acredite!!!
Outra recomendação que não posso deixar passar ''batida'' pra galera cega feminina é a questão dos SAPATOS DE SALTO. Gente, já vi mulheres cegas andando sozinhas de salto, e... pensei... pra quem enxerga já tem de ter cuidado dobrado (maior risco de tombo, queda, torcer o pé, etc),imagine para quem não enxerga (ou enxerga pouco) e, consequentemente, tá mais vulnerável aos riscos da má-conservação das ruas e calçadas??? Dica: opte por saltos mais baixos e grossos, e dê preferência a situações em que estiver acompanhada com um vidente e que as caminhadas sejam curtas.
Obs: Não tô querendo causar polêmica na ala feminina que tem problemas de visão, no que se refere à moda & estilo. Não fiquem bravas comigo, ok? A ideia é apenas diminuir os perrengues que toda pessoa com deficiência visual enfrenta, valorizando os quesitos conforto + praticidade+ segurança, sobretudo para quem mora sozinho, tem de sair sozinho por aí, e tem de fazer muita coisa sem a ajuda de um vidente, tá??? ;-)
6- Barba (para homens)... ih, aí me apertou, não manjo disso (kkkk). Mas conheço cegos que moram sozinhos, e que fazem a barba muito bem. Com técnicas de orientação espacial do próprio rosto, e um tato apurado, é possível ser independente na hora de barbear. Mas se sua intenção é ser um cara barbudão (existe gente que gosta desse estilo), aí não precisa de se preocupar com isto!
7- Maquiagem (para mulheres): Também não manjo de maquiagem para deficientes visuais, logo não posso dar as MINHAS dicas. Mas como sei que na internet tem gente que manja, então... transfiro a palavra a elas, hehehe! A blogueira Lúcia Fiorio, que tem deficiência visual, entende do assunto e dá dicas no blog dela, intitulado ''Beleza na Ponta dos Dedos'' . Outra internauta que entende disso é a Letícia Capato, autora da fanpage ''Inspirações de Uma Deficiente Visual'', no Facebook.

AGORA É COM VOCÊS, LEITORES - SOBRETUDO AQUELES QUE POSSUEM DEFICIÊNCIA VISUAL:
O que acharam das dicas dadas acima?
Têm alguma sugestão adicional, que não foi mencionada?
Ou, pelo contrário, discordam de algo e têm alguma bronca a dar? (Hehehe!!)
Contem aí na seção de comentários!!! Tô aguardando, galera!!! :-D

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA x ZONA DE CONFORTO

Por: Débora Rossini 


Dizem por aí que é muito importante para um ser humano não se acomodar, sempre encarar novos desafios, testar seus limites, para seu crescimento e amadurecimento pessoal e profissional. Enfim, vira e mexe a gente vê e ouve: ''-Saia da zona de conforto''! 

Mas e para uma pessoa com deficiência (PcD)? Será que um conselho como este não seria, digamos, ''redundante''? Veja só o porquê disso:

Definitivamente, ''zona de conforto'' é uma coisa que não existe no cotidiano de uma pessoa com deficiência. Afinal, dia após dia, a PcD tem de reavaliar planos, tem de criar estratégias, tem de saber improvisar, tem de saber lidar com gente inconveniente (mas que por um motivo ou outro depende dela e que não pode mandá-la a m****), tem de saber coisas relativas à medicina e a tecnologia (mesmo não sendo da área acadêmica relacionada à sua formação)... enfim, a pessoa com deficiência muitas vezes acaba até mesmo se superando, em termos de amadurecimento, em relação a uma pessoa ''comum'', haha!

E quando a intensidade do quadro clínico da pessoa com deficiência não é estável (ex: doenças progressivas)? Vira-e-mexe a pessoa tem de fazer adaptações e readaptações, inventar métodos e reinventá-los, pesquisar, descobrir, adaptar, aprender... além de ter, constantemente, de ficar ensinando aos outros à sua volta, como lidar com essas características - e muitas vezes não tendo o resultado esperado...  
O mesmo, na minha opinião, vale para os pais/mães de crianças e adolescentes com deficiência. 

Do jeito que as empresas hoje em dia, para aceitarem currículos e avaliar entrevistados, valorizam pessoas que sejam criativas, proativas, dinâmicas, que se adaptem às adversidades, talvez se elas enxergassem que a pessoa com deficiência já faz isso todo dia (e que acaba usando tais habilidades no dia-a-dia), talvez as PcD até seriam contratadas mais facilmente que as pessoas ''comuns'', hehehe...  Uê, não são justamente essas habilidades aí que os empregadores valorizam??!! Mas pena que na realidade é o oposto (os empregadores só enxergam as limitações, em vez de valorizar as habilidades!) Chato, né? :-/
Mas vai aí uma dica para você que é um internauta com deficiência: procure pegar todos esses ''perrengues'' que você enfrenta no cotidiano, e transforme-os em oportunidades de aprendizado. E na hora de concorrer a uma vaga de emprego, de estágio, de bolsa-trabalho na faculdade/universidade, etc, deixe subentendido, na entrevista, que esse aprendizado foi incorporado ao seu jeito de lidar com tarefas para cumprir e problemas para resolver... e que, sem dúvida, isto pode ser utilizado a favor da equipe de trabalho à qual você pretende se integrar. Ou seja, pegue o ''limãozão azedo'' e faça dele uma limonada bem saborosa, do qual todos vão querer beber, e vão querer repetir!!! Hehehehe!!!!

E você, o que acha do que foi dito acima? Manifeste-se nos comentários abaixo! =)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A POLÊMICA CAMPANHA REALIZADA PELA PREFEITURA DE CURITIBA

 Por: Débora Rossini

Ooopa!!! A postagem de hoje é sobre a polêmica campanha que ''deu o que falar'' nesta semana, e que foi realizada pela prefeitura de Curitiba, tendo como tema os direitos das pessoas com deficiência!

Para quem não acompanhou o agito pelas redes sociais, eu explico: 

Na última segunda-feira, 30 de novembro, começou a circular pela internet reportagens falando de um ''Movimento Pela Reforma de Direitos'', que propunha uma petição para acabar com os ''privilégios'' (hãããã??) que as pessoas com deficiência teriam no dia-a-dia - tais como prioridade em filas, cotas em empresas, etc (sob a alegação de que isto estaria prejudicando a maioria da população, ou seja, uma minoria atrapalhando o cotidiano da maioria). Até página no Facebook eles criaram, como forma de dar visibilidade ao movimento. 

Como era de se esperar, em poucas horas o conteúdo ''viralizou'' pela internet afora - causando inúmeras reações de indignação, de revolta, entre a população (principalmente, claro, das pessoas com deficiência). Afinal, não se trata de ''privilégios'' concedidos a pessoas com deficiência - mas sim DIREITOS, conquistados às custas de muita luta, ''suor'' e exposição pessoal da população com necessidades especiais (e seus pais, no caso de crianças e adolescentes que apresentam tais limitações). 

E, cá pra nós: nunca se sabe o próximo instante de nossas vidas, não é verdade?  Alguém que é considerado clinicamente ''normal'' hoje, infelizmente pode integrar o time das pessoas com necessidades especiais amanhã... bastam poucos segundos, e tudo pode mudar para sempre na vida de uma pessoa... basta um acidente automobilístico, uma queda, um episódio de violência, uma intoxicação ou alergia... e pronto: mais uma pessoa com deficiência física, auditiva, visual ou infelizmente até múltipla...! :-/ Isso sem contar as necessidades especiais a que todos nós estaremos sujeitos, devido ao envelhecimento! Portanto, nunca se deve fazer pouco-caso das conquistas ''suadas'' das pessoas com deficiência, pois talvez, queiramos ou não, elas poderão ser úteis para qualquer um de nós um dia. Mesmo que sejam incapacidades temporárias, tais como quebra de um braço ou perna, dificuldade temporária de enxergar devido a algum procedimento cirúrgico, etc. ;-)

Por motivos fáceis de entender, muita gente ficou revoltada, denunciou a página do referido ''movimento'' (justamente por ela violar as leis que asseguram os direitos dos deficientes e incitação de discriminação e ódio em seu conteúdo) e grupos de ativistas estavam se mobilizando, online, para denunciar formalmente às autoridades competentes, por via judicial. Aliás, de acordo com o que foi publicado na fanpage do Deputado Romário Faria (defensor da causa das pessoas com deficiência e pai de uma menina com Síndrome de Down), ''discriminar ou incitar ódio à pessoa com deficiência é crime passível de multa e reclusão. Está no artigo 88 da Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei Brasileira de Inclusão (LBI). E tem mais: se qualquer dos crimes previstos é cometido por intermédio de meios de comunicação social ou de publicação de qualquer natureza, a pena é dois a cinco anos e multa.''

No dia seguinte (que foi ontem) foi amplamente divulgado pela mídia que o suposto ''movimento pelo fim dos direitos dos deficientes", com todo o conteúdo divulgado, nada mais foi do que uma jogada de marketing feito pela prefeitura de Curitiba - a fim de chamar a atenção para a necessidade dos DIREITOS das pessoas com deficiência. E, para causar impacto, segundo os idealizadores da campanha, a ideia era justamente causar o choque, impacto e revolta na população, para surtir efeito. 

Maaas... fico pensando o seguinte: mostrar a importância dos direitos das pessoas com deficiência é uma coisa boa, mas será que teria que ser DESSE jeito??? Será que a forma que foi feita não extrapolou os limites da ética, indo ''longe demais''? Mesmo que haja pessoas falando que ''é apenas um experimento social para ver a capacidade de indignação das pessoas'', acho que foi muito de mau gosto...

Digo isso pelo seguinte:
Imagina alguém que tem um tipo de deficiência e que, com o estado emocional alterado, possa ter seus sintomas acentuados (ex: se fica com raiva, os sintomas pioram), e que leram a notícia como o referido ''movimento contra os deficientes'' ontem. Imaginem o impacto emocional que isso pode causar em uma pessoa já tão desgastada pelas limitações físicas (e pelo consequente desgaste psicológico)... uma pessoa dessas corre o risco de passar mais mal ainda, ficando mais comprometida e causando até mesmo uma ida às pressas ao hospital, causando transtorno para ela e seus familiares... 


Por isso, se me perguntarem o que achei da tal campanha, minha opinião é: '' -Não gostei, mesmo! '' Acho que extrapolaram os limites éticos.
Mesmo tendo a alegação que, na organização da campanha, houve também pessoas com deficiência envolvidas no ''projeto'', ainda assim, na minha opinião, não justifica a forma como a campanha foi feita. 
Veja o porquê de eu afirmar isso: é que nem toda pessoa com deficiência lida, da mesma forma, com a condição física/sensorial apresentada!

Há pessoas com deficiência que, felizmente, são bem-resolvidas e ''em paz'' com a condição que apresentam, apesar das dificuldades cotidianas (e que até mesmo fazem piadas bem-humoradas sobre suas características!) . Mas tem pessoas com deficiência que não aceitam suas condições físicas e/ou sensoriais, ficam muito nervosas quando aparece alguma situação chata ou constrangedora em virtude de sua deficiência e até mesmo apresentam quadro de depressão por causa disso. Tem gente que fica tão desgastada emocionalmente, devido a ser alguém com deficiência (sobretudo quem a ADQUIRIU ) que até faz terapia com psicólogo por causa disso! Principalmente se é alguém que passou para o ''time das pessoas com necessidades especiais'' devido a algum acontecimento traumático e repentino. O indivíduo fica com o emocional fragilizado, sacam? :-/ Portanto, se alguém nessas condições lê um notícia como essa, que propõe o fim dos privilégios, DIREITOS dos deficientes, pode até piorar seu quadro clínico devido à ansiedade e nervosismo!!!


Então, mesmo que haja pessoas com deficiência que já fizeram ''as pazes'' com suas limitações e que participem da organização da tal campanha da prefeitura de Curitiba, elas se esqueceram de que acabaram causando muitos transtornos emocionais para quem é fragilizado emocionalmente por causa de suas necessidades especiais e as implicações destas... Ou seja, contraditoriamente, esqueceram-se das ''diversidades''! Não acha? 


Pela internet afora, pude ver as opiniões dos próprios internautas com deficiência, e ter uma ideia do que eles acharam da campanha. Vi que eles não gostaram nem um pouco! 
No facebook, pude ler algo como: ''A causa é boa, mas os fins não justificam os meios'' Outro internauta disse mais ou menos assim: ''Se o objetivo foi chamar a atenção, e causar rebuliço, conseguiram; porém , em vez de promover reflexão, a propaganda causou foi revolta e indignação''. Um outro internauta postou mais ou menos assim: ''Uê, então para fazer campanha sobre algo que NÃO se deve fazer, tem de 'sair' fazendo? Então para fazer campanha sobre não agredir os outros, tem de sair agredindo?'' 

Só para finalizar este texto: quem me segue pelo facebook já deve ter percebido que as ideias que expus acima, sobre o que achei dessa controversa campanha, já publiquei por lá - na timeline e em comentários como resposta a outros internautas... apenas reorganizei o conteúdo em forma de um texto mais adequado ao formato de um blog, hehehe!

E você, o que acha disso tudo? Manifeste-se na seção de comentários abaixo! =)

sábado, 26 de setembro de 2015

USANDO MELHOR SEU TEMPO LIVRE !!!

Por: Débora Rossini

Oooopa! O post de hoje foi inspirado levando em conta a greve das universidades federais neste ano de 2015, e alguns fóruns de discussão que tenho visto na internet (principalmente em redes sociais) nos últimos dias. 
IMPORTANTE: O foco deste post NÃO tem a finalidade, de forma alguma, de criar polêmica em relação a quem é favor ou contra a greve que está ocorrendo. Sei que cada internauta tem seu posicionamento (a favor ou contra), seus motivos, suas ideologias que influenciam nisso, etc. Em momento algum estou tentando convencer, aqui, se greve é boa ou ruim. Minha finalidade com este post é APENAS mostrar para os estudantes que , se de alguma forma eles se sentem improdutivos com essa ''pausa'' do período letivo, que há formas de aproveitarem este momento e fazerem coisas úteis e produtivas, que beneficiem tanto eles quanto a sociedade, em vez de simplesmente ficarem se queixando de tédio. ;-) ''Manjaram''? ;-)

Pois bem. Há uma página pública no facebook criada por estudantes universitários da instituição na qual estudo, e na qual eles abordam temas diversos. Ela funciona assim: alguém manda para lá algo a ser postado publicamente na página pela administração, sem se identificar. E aí os internautas curtem, comentam, elogiam, dão bronca, etc... 

Nos últimos dias, tenho percebido que um dos assuntos que mais está rolando por lá é a questão da greve que não acaba - e, não raro, vem postagens e comentários escritos mais ou menos assim: 

''Tô cansado(a) desta greve porque estou sem nada para fazer em casa''

''Tô cansado(a) desta greve porque não aguento muito ficar em casa de pai e mãe por mais de uma semana'' [presume-se que o(a) internauta em questão teve de se mudar de cidade em função dos estudos, e gostou mais do novo ambiente]. 

''Tô querendo ocupar o tempo livre durante a greve para conseguir um dinheiro extra e ao mesmo passar o tempo; no entanto ninguém vai querer dar emprego para alguém que não sabe quanto tempo vai ficar ali e que pode sair do emprego de uma hora para a outra, já que nunca se sabe quando uma greve acaba'' . (O que, cá para nós, até COMPREENDO o lado de um possível empregador... ficaria difícil para ele se organizar e planejar a rotina de trabalho dele e dos outros funcionários! Acredito que a forma de um estudante arrumar um $$ extra, nessa situação, seria fazer algum ''bico'' informal - principalmente para parentes e conhecidos -, ou então criar um blog, um canal no You Tube, dar aulas particulares - principalmente nesta época do ano que tem muita gente tentando o Enem, etc.)

E por aí vai. Onde quero chegar: Muitos estudantes alegam, publicamente, na internet, que estão cansados da greve PELO FATO DE ESTAREM SEM NADA PARA FAZER, SE SENTINDO IMPRODUTIVOS E ENTEDIADOS DENTRO DE CASA.

Isso me fez lembrar de uma experiência que tive (e que relato neste texto) ... e que serve de dica ou sugestão para quem é estudante universitário e estiver ''sem nada para fazer em casa durante a greve''! :-)  Dá, sim, para aproveitar este tempo sem aulas para adquirir novas experiências e habilidades que, sem dúvida, poderão turbinar - e muito!- seu currículo, experiência e ''networking'' quando as aulas voltarem... ou até mesmo quando você for arrumar um estágio ou emprego algum tempo mais à frente! 

Claro que tem estudante que aproveita esse tempo ''sabático forçado'' (rsrsrs) para aproveitar e por em dia matérias que tem dificuldade, resolver pendências pessoais que normalmente em tempo de aula ficam difíceis de conciliar com o estudo, ou mesmo adiantando tarefas relacionadas a algum projeto de pesquisa. Mas se você não optou por nenhuma das atividades acima, este post foi escrito para você mesmo(a)! 

Segue-se a experiência pessoal que prometi contar: 

Lembro-me de que ''peguei'' uma greve na universidade, enquanto estudante, há alguns anos atrás. Ela foi longa. Sabem como aproveitei o tempo? Procurei a coordenação do cursinho pré-vestibular no qual eu tinha estudado antes de entrar na faculdade, oferecendo atividades de reforço de estudos para os alunos com deficiência visual que estudavam lá. Eu dava a eles monitorias complementares de reforço de Química, com base no material didático adotado no cursinho, e ainda transcrevia para o Braille as apostilas de Química para que eles pudessem estudar - já que recursos de áudio nem sempre eram suficientes e adequados para o aprendizado de uma disciplina que requer grande compreensão de gráficos, desenhos, fórmulas, esquemas, etc. A greve em questão tinha sido no segundo semestre do ano. Quando ela terminou, obviamente parei de fazer o trabalho voluntário, por falta de tempo e até mesmo por questões de deslocamento. Mas tive notícias de que a maior parte dos alunos que realmente estavam ''focados'' no preparo para o vestibular tinham sido APROVADOS!!! E, de quebra, acabei ganhando novos amigos! (Além de reforçar as amizades com quem eu já conhecia!)

Ou seja, foi uma experiência bem gratificante! Pude ajudar pessoas que precisavam, ganhei experiência em lidar com pessoas em uma instituição de trabalho, e ainda por cima fiz novas amizades (além, claro, de fortalecer as amizades que eu já tinha até então - já que era um ambiente que eu conhecia previamente.) 

Quem acompanha este blog, já deve ter percebido que atualmente sou estudante de... Bacharelado em Ciência da Computação!!!! E aposto que deve ter internauta se perguntando: 

''-Tá, mas em termos acadêmicos, o que essa experiência ocorrido há vários anos atrás acrescentou para você? Qual a utilidade dela para seu atual curso e carreira?? " 

Lá vai a respostinha, querido leitor!!!! 

Isto me ajudou MUITO a conhecer, de perto, a realidade da galera que não enxerga, na hora de estudar - principalmente matérias cuja metodologia de ensino é fortemente baseada em fórmulas e representações gráficas que os softwares leitores de tela não conseguem repassar para o usuário com deficiência visual. Ainda que fosse uma experiência de trabalho informal, ela me ajudou a ganhar ''pontos'' em processos seletivos na universidade para trabalhar como monitora remunerada de apoio a estudantes cegos - fazendo materiais didáticos adaptados para eles, só que usando recursos computacionais. Além disso, atualmente participo de um projeto de iniciação tecnológica na universidade, na área de Computação, cujo objetivo é desenvolver uma ferramenta que descreva imagens e fórmulas para estudantes de exatas que tenham deficiência visual (para matemática, física, química, etc.) Legal, não é? :-D

... E então... ? Você, estudante de universidade federal em greve, já pensou em aproveitar este tempo ''livre'' para fazer algum trabalho voluntário? 

Mesmo que ele não dê dinheiro, ele pode abrir muitas portas - no sentido de lhe proporcionar mais experiência, mais ''jeito'' em lidar com pessoas e conviver num ambiente de trabalho, mais ''networking''... quanta gente, quantas instituições públicas e privadas precisam desta mão-de-obra voluntária? 

Podem ser asilos... creches... instituições que auxiliam pessoas carentes... instituições que atendem pessoas com deficiência... que tal??? Caso você não se sinta confortável em algum destes ambientes (por timidez, por exemplo!), você pode ajudar alguém que você conheça, individualmente, que se enquadre em alguma necessidade listada acima. 
Como, por exemplo, uma mãe que precise de alguém que cuide de seu filho pequeno para poder ir trabalhar. Principalmente se você é estudante de algum curso que envolva lidar com crianças, é uma boa forma de treino ... além de ajudar alguém!

Ou, então, dar um ''help'' para uma família que tem alguém doente ou idoso e que precise de uma forcinha nas atividades cotidianas. Principalmente se você for estudante de algum curso da área de saúde, já é um bom ''laboratório'' para você! 

Ou, se você quiser, pode ajudar alguma pessoa com deficiência que você conheça e que esteja precisando de ajuda na escola, ou para estudar para concursos, etc. Principalmente se você for estudante de alguma área relacionada a ensino: olha que experiência interessante para você... e para a pessoa ajudada, também!!! 

Seja qual for a forma de ajudar alguém, tem o saldo positivo tanto para você quanto para quem recebeu a ajuda! Para a pessoa a quem vc auxiliou, o saldo positivo é óbvio. E para você... além de ganhar experiência e contatos úteis, quem sabe dali podem surgir diversas amizades??? 
Geralmente, pessoas com deficiência quando são ajudadas, são bastante gratas - e, mesmo cessada a necessidade de ajuda em uma situação pontual, a amizade frequentemente permanece! Geralmente tais pessoas costumam ser muito discriminadas, deixadas em segundo plano... aí, quando se deparam com alguém que as ajuda e demonstra gostar delas como são, elas fazem questão de manter a amizade... que pode inclusive, estender a longo prazo! Legal, não é? E tais pessoas (sobretudo as com deficiência visual) acabam, ao fazer uma amizade, a aceitar a pessoa como ela É enquanto ser humano - e não por aspectos superficiais tais como estilo de roupa, sapato, cabelo, tipo físico, rosto cheio de espinhas, etc (já constatei isso por experiência própria, hehehe!!!)

E você, o que acha disso? Tem alguma experiência para contar? ''Mande ver'' na seção de comentários, hehehe!!!

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

BRAILLE OU AUDIOLIVRO: O QUE É MELHOR?

Por: Débora Rossini 


Oooopa! A inspiração para o post de hoje veio da adaptação de um comentário que fiz no Facebook em um fórum de discussões, em resposta a uma internauta - e que acabei transformando neste texto! :-) 

O tema que estava em discussão é a questão da quantidade elevadíssima de erros ortográficos cometidos por parte de pessoas cegas, quando escreve - e uma internauta cega estava falando sobre isto, e alertando o restante da galera que não enxerga, para este fato, e incentivando o restante dos cegos a treinarem a escrita em português correto, para o próprio bem deles! 

Argumentei favoravelmente, dizendo o seguinte: ''[Tal fato tem explicação, principalmente] porque [os cegos] não treinam suficientemente o Braille, que é uma excelente forma de a galera que não enxerga saber como as palavras são escritas, treinar ortografia... analogamente ao pessoal que enxerga e aprende as regras de escrita por meio da leitura em tinta!!!"  Algumas pessoas curtiram o comentário.

Percebo, nos meus mais de 10 (DEZ!!!) anos que convivo e lido com diversas pessoas com deficiência visual, que esta tendência de abandono progressivo do Braille pelos próprios cegos vem aumentando em cada vez mais - sobretudo por causa dos avanços tecnológicos, do aprimoramento dos leitores de tela (sintetizadores de voz) de computador, dos audiolivros, etc. Os usuários sempre alegam que "é mais fácil, mais prático, etc". Noto que, embora faltem exemplares em Braille de diversos livros (sobretudo didáticos de ensino superior) , existem centenas de exemplares em Braille nas bibliotecas com obras de literatura ou didáticos para educação básica, e que... ficam ociosos, infelizmente! Olhem só o que escrevi num outro comentário sobre este tema, no mesmo tópico de discussões no Facebook: 

"Há alguns anos atrás, eu estava em uma biblioteca pública, observando os cegos que estavam em uma fila para fazerem empréstimo de livros... e todos os que eu vi queriam AUDIOLIVROS! 

E as estantes lá, abarrotadas de livros em Braille... pensei comigo: é, desse jeito a galera não vai fixar ortografia e outras regras gráficas de jeito nenhum... 

Em uma outra biblioteca pública, de outra cidade, vi livros NOVINHOS em Braille que nem tinham saído do pacote lacrado da fundação Dorina, e que já tinham sido adquiridos FAZIA já algum tempo. Perguntei para a responsável pelo acervo por que aqueles livros novinhos estavam ali sem uso, e ela respondeu: ''-É, a gente faz o possível para adquirir esses livros para o pessoal, mas eles não dão valor, não gostam de ler, não gostam de Braille e preferem os audiolivros.''

Fiquei pensativa com isso tudo... Depois, na hora de tentar um emprego, um concurso público, etc, [os cegos] vão ficar reclamando que não conseguem a vaga e pôr a culpa APENAS na discriminação contra cegos (quando na verdade a não-conquista da vaga é por não saber redigir um texto adequado, o que elimina também VIDENTES que também não dominem essa habilidade). Claro que não se deve negar que existe preconceito contra PcD no mercado de trabalho ; então, já que infelizmente é assim, aprender a escrever corretamente  é mais um motivo para a galera que não enxerga procurar se aperfeiçoar, e qualificar, ainda mais, a fim de se tornar mais competitivo que um candidato que enxergue, a fim de vencer o processo seletivo... ou seja, não dar mais motivo para que rejeitem, não é verdade? ;-) "  

Gostei de ver que teve gente que curtiu o comentário!

Notem que as pessoas que enxergam, além de exercitar mais a leitura (com os olhos) de livros, revistas e jornais (e, assim, visualizar como as palavras são escritas e organizadas, e consequentemente escrever corretamente), têm também contato constante com leituras (com os olhos) em telas de dispositivos eletrônicos, de placas ao redor, paineis, bulas de remédio, embalagens de produtos diversos, etc. No caso de pessoas cegas, por motivos óbvios, elas acabam não tendo essa estimulação ''ortográfica'' o tempo todo...

Imagino que você, leitor, deve estar se perguntando: ''-Ah, mas é inviável sair transcrevendo TUDO para o Braille... as letras ocupam muito espaço... a autora deste texto tá é 'viajando na maionese', kkkk! 

Meu argumento: Relaxa, querido leitor! Não é isso que tô falando, hehehe!!! Reconheço que há momentos, até mesmo por questões de espaço, de menor rapidez na leitura, de local onde a pessoa está, etc, em que fica difícil ler em Braille e a solução é o acesso ''por áudio'' das palavras, mesmo. :-) Mas, se a pessoa tem uma oportunidade de praticar a leitura e escrita em Braille, se tem livros (pode ser de literatura, mesmo!) à disposição, gratuitamente, nas bibliotecas (ou até mesmo podendo ter os próprios livros, fornecidos pela fundação Dorina Nowill e entregues pelo correio em sua casa!) por que não aproveitar essa chance, em vez de se limitar aos audiolivros? 
Em outras palavras: não tô criticando, de forma alguma,  um hipotético cego universitário que tenha de ler um livro cujo original em tinta tenha 800 páginas (imaginem o equivalente em Braille, heim? kkkkk) e queira OUVI-LO; uê, afinal, fica penoso para ele levar para lá e para cá o livro composto por vários volumes em Braille!!! Então, nesse caso, recomendo SIM o audiolivro equivalente. Mas se ele tá tranquilão em casa, lendo um best-seller para relaxar do corre-corre cotidiano, por que ele não pode ler em Braille mesmo?  

Por isso é que digo: não se trata de criar uma polêmica ''Braille versus recursos tecnológicos'', mas sim, adotar AMBOS os recursos como complementares! 

Vejam um outro exemplo disso: 
Imaginem um cego estudando matérias de Química. Tem aquele monte de desenhos envolvendo comportamentos e estruturas dos átomos e moléculas, modelos atômicos, estruturas moleculares, escrita de fórmulas, etc. Os atuais softwares leitores de tela não dão conta de ''ler'' isso tudo para o aluno cego!!! Como fazer? 
É aí que entra o Braille como recurso auxiliar: com o conhecimento da Grafia Química Braille para uso padronizado no Brasil, o próprio aluno,se tiver um livro didático em Braille, terá condição de, por meio tátil, entender tais estruturas e representações gráficas. Mesmo que ele não tenha um livro em Braille, se ele tiver monitor de auxílio ou um grupo de estudos de colegas que leiam os materiais didáticos em tinta para esse aluno cego, ele poderá tomar notas com sua reglete ou máquina Braille de forma a fazer tais representações em suas anotações - para posterior estudo. 

Para finalizar este longo texto: claro que sei que há cegos que têm dificuldades em aprender e praticar o Braille - como os que ficaram cegos por causa de diabetes (já que a doença, além de comprometer a visão, pode comprometer o TATO do paciente também!) Neste caso, é claro que o audiolivro acaba sendo uma opção mais apropriada... ;-) 

E então, galera que pertence ao clube dos que não enxergam? O que acham deste texto? Manifestem-se na seção de comentários!!!