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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Dia Nacional do Deficiente Visual: 13 de dezembro

Para quem não sabe, o dia 13 de dezembro é o Dia Nacional do Deficiente Visual. E nós, da equipe do "Sopa", não poderíamos deixar a data passar em branco de jeito nenhum, não é verdade? :-)

Aposto que você, leitor assíduo do "Sopa", já sabe algumas coisas acerca dos deficientes visuais no que se refere à educação destas. Bom ,mas e quanto a outros aspectos - tais como a locomoção destas e o espaço destas na sociedade? A equipe do Fantástico, da Rede Globo, também se lembrou da data na edição de ontem, ao exibir a reportagem sobre o "boné inteligente" que ajuda os cegos a desviarem de obstáculos na rua (disponível no site [4] no final do post). Para quem não sabe, os deficientes visuais , para se locomoverem, normalmente utilizam-se de um objeto conhecido como "bengala longa". É o método mais comum de locomoção utilizado por deficientes visuais (devido ao seu custo menor, em comparação a outros) ; no entanto, não é o mais eficiente (porque ele só indica obstáculos da cintura da pessoa para baixo. Sendo assim, nem sempre obstáculos altos, como orelhões, topos de abrigos de ônibus (caso a pessoa seja alta),lixeiras, etc são detectados - o que pode provocar acidentes.
















Cego usando bengala-longa. (Crédito da imagem: [I])


Existe também a locomoção auxiliada por cão-guia. No entanto, no Brasil,é difícil conseguir um cão-guia gratuitamente (tem uma longa fila de espera para adquirir cães que, muitas vezes, são treinados por profissionais especializados, no exterior). Além disso, os bichinhos geram bastantes despesas, tais como alimentação adequada, veterinário, etc - o que dificulta a manutenção por pessoas de menor poder aquisitivo [1].













Mulher cega com cão-guia. (Crédito da imagem: [II])



No caso do dispositivo eletrônico mostrado pelo Fantástico, na edição de 12/12/2010, ele é inspirado no sistema que os morcegos (animais quase cegos) utilizam para se mover.


Como tratar deficientes visuais corretamente?

Seguem-se abaixo algumas dicas úteis, para uma hipotética situação na qual você esteja lado a lado com uma pessoa deficiente visual:

"Ofereça sua ajuda sempre que um(a) cego(a) parecer necessitar. Mas não ajude sem que ele(a) concorde";











Peraí!!! Primeiro pergunte se o cego quer ajuda!!! (Crédito da imagem: [III])



"Sempre pergunte antes de agir. Se você não souber em que e como ajudar, peça explicações de como fazê-lo;
Para guiar uma pessoa cega, ela deve segurar-lhe pelo braço, de preferência no cotovelo ou no ombro. Não a pegue pelo braço: além de perigoso, isso pode assustá-la. À medida que encontrar degraus, meios fios e outros obstáculos, vá orientando-a. Em lugares muito estreitos para duas pessoas caminharem lado a lado, ponha seu braço para trás de modo que a pessoa cega possa lhe seguir";










Crédito da imagem: [IV]


Ao sair de uma sala, informe o(a) cego(a); é desagradável para qualquer pessoa falar para o vazio. Não evite palavras como "cego", "olhar" ou "ver", os(as) cegos(as) também as usam;
Ao explicar direções para uma pessoa cega, seja o mais claro e específico possível. Não se esqueça de indicar os obstáculos que existem no caminho que ela vai seguir. Como algumas pessoas cegas não têm memória visual, não se esqueça de indicar as distâncias em metros (por exemplo: "uns vinte metros para a frente"). Mas se você não sabe corretamente como direcionar uma pessoa cega, diga algo como "eu gostaria de lhe ajudar, mas como é que devo descrever as coisas?", ele(a) lhe dirá;
Ao guiar um(a) cego(a) para uma cadeira, guie a sua mão para o encosto da cadeira, e informe se a cadeira tem braços ou não;
Num restaurante, é de boa educação que você leia o cardápio e os preços;
Uma pessoa cega é como você, só que não enxerga; trate-a com o mesmo respeito que você trata uma pessoa que enxerga;
Quando você tiver em contato social ou trabalhando com pessoas com deficiência visual, não pense que a cegueira possa vir a ser problema e, por isso, nunca as exclua de participar plenamente, nem procure minimizar tal participação. Deixe que decidam como participar. Proporcione à pessoa cega a chance de ter sucesso ou de falhar, tal como qualquer outra pessoa;
Quando são pessoas com visão subnormal (alguém com sérias dificuldades visuais), proceda com o mesmo respeito, perguntando-lhe se precisa de ajuda, quando notar que ela está em dificuldade".
(Fonte: [3])


Bom, e quanto à história da vida dos cegos na sociedade? Sera´que eles sempre foram tratados da mesma forma, desde a antiguidade até os dias de hoje?












Crédito da imagem: [V]



Na antiguidade, pessoas com algum tipo de deficiência – entre eles, os cegos- eram consideradas “aberrações”, “anormais”, e, por isso, eram excluídas da sociedade, sendo abandonadas ou até mesmo eliminadas. Esse pensamento, que é considerado absurdo nos dias de hoje, infelizmente era normal e natural naquela época!!! :-( Quando veio a época da Idade Média, no qual a Igreja Católica mostrava todo o seu poder, essas pessoas passaram a serem vistas como “coitadinhas”, “indefesas”, que precisavam de proteção. “Justificava-se a deficiência como expiação de pecados ou como passaporte indispensável ao reino dos céus” [2] .











Crédito:[VI]



Foi quando começaram a surgir os asilos e instituições de caridade, nas quais essas pessoas eram alocadas.
Na época da Revolução Francesa, entretanto, esse quadro começou a mudar (ainda bem!!!) Entre seus ideais, pregava-se o direito das minorias de ter participação na sociedade.
“Nesta historicidade, destacaram-se pessoas cegas com suas expressivas contribuições nas diferentes áreas do conhecimento, revelando o ilimitado potencial humano de pessoas como:
-Homero: teria sido responsável pelo registro de fatos sociais que possibilitaram o levantamento da história de um povo;
-Didymus de Alexandria (Século IV d.c.) – Professor de filosofia, teológia, geometria e astronomia;
-Nicolas Sauderson (1682-1739) – um dos mais renomados cientistas cegos. Matemático, foi professor de Cambridge e membro da Royal Society;
-John Gough – biólogo inglês, especialista na classificação de animais e plantas;
-Leonardo Euler – matemático, duas vezes premiado pela Academia de Ciências de Paris;
Fracois Huber (Século XVIII) – zoólogo inglês, tido como a autoridade sobre o comportamento das abelhas” (Fonte: [2]) “

No que se refere à educação de cegos, o marco inicial foi o século XVI.
Em 1784 surge em Paris, criada por Valentin Huy, a primeira escola para cegos: o Instituto Real dos Jovens Cegos. Nela era adotado um sistema de leitura em alto–relevo com letras em caracteres comuns.

No século XIX, um novo sistema com caracteres em relevo para escrita e leitura de cegos é desenvolvido e proposto por Louis Braille, que também era deficiente visual. Dessa forma, o processo de ensino-aprendizagem de pessoas com deficiência visual vai mostrando sinais de desenvolvimento, permitindo-lhes maior integração na sociedade.

No século XVII e XIX,começaram a ser desenvolvidos estudos sobre as deficiências, do ponto de vista médico- clínico. No caso da deficiência visual, concluiu-se, através de estudos e pesquisas, que existem muitas doenças com patologia ocular -que aos poucos vai diminuindo a sua visão, dificultando desta forma a aprendizagem de um indivíduo.

Assim, as novas técnicas e métodos para ensinar pessoas com deficiência visual foram ganhando credibilidade. Aos poucos, a sociedade foi percebendo que as pessoas cegas também são capazes como as normo-visuais - apenas necessitam de metodologias adequadas às suas capacidades sensoriais e habilidades!










Crédito: [VII]



No século XIX, essas técnicas chegaram ao Brasil:

"-1854: Criação do Instituto Imperial dos Meninos Cegos, que era um colégio para pessoas cegas. (Atualmente, ele possui outro nome: Instituto Benjamin Constant, que está localizado no Rio de Janeiro).
1926 – Instituto São Rafael, Belo Horizonte – MG;
1928 – Instituto Padre Chico, São Paulo – SP;
1929 – Instituto dos Cegos da Bahia, Salvador – BA;
1941 – Instituto Santa Luzia, Porto Alegre – RS;
1943 – Instituto de Cegos do Ceará, Fortaleza – CE;
1946: Fundação para o Livro do Cego no Brasil 9Atualmente, se chama Fundação Dorina Nowill para Cegos).
1957 – Instituto dos Cegos Florisvaldo Vargas, Campo Grande – MS."
(Fonte: [2] )

A partir dos anos 1980, começaram a surgir os cursos de capacitação para atendimento dos deficientes visuais, salas de recursos e associações de pais e amigos de portadores de deficiência visual.

Atualmente, o modelo vigente é o de “educação inclusiva”, no qual o estudante cego frequenta escolas regulares, juntamente com estudantes sem necessidades especiais -e, no turno oposto ao das aulas regulares, conta com o apoio de professores e monitores especializados e salas de recursos que auxiliem no atendimento de suas necessidades. No entanto, nota-se uma escassez de recursos humanos devidamente capacitados e de recursos tecnológicos para atender toda a demanda de estudantes com tais necessidades.

Formulou-se a ideia de que o conceito de sociedade inclusiva é algo que deve ser desenvolvido de ambas as partes - tanto por parte dos portadores de necessidades especiais quanto por parte dos indivíduos que não as possuem. Ambas as partes interagem, de forma a aprenderem a lidar com as diferenças - algo que, historicamente, as pessoas sempre tiveram dificuldades para lidar, conforme atestam documentos históricos e relatos. Da mesma forma, o conceito de educação inclusiva atual não é um modelo de educação destinado apenas aos portadores de necessidades educacionais especiais - mas sim a todos os membros da instituição educacional, no qual todas as pessoas envolvidas no processo ensino-aprendizagem vão aprendendo a lidar com a diversidade humana, e enriquecendo cada vez mais nesse maravilhoso desafio! :-)

O que podemos concluir é o seguinte: houve bastante evolução, no modo como os deficientes visuais vêm sendo tratados pela nossa sociedade e , de fato, houve alguma evolução na legislação e nos métodos de ensino. Entretanto, muito ainda falta para ser feito de forma que a plena inclusão destas pessoas venha a se concretizar - tanto na educação quanto nas atividades cotidianas em geral. A data de 13 de dezembro é, portanto, uma ótima oportunidade para refletirmos sobre isto... mas, como afirma uma pessoa ex-deficiente visual que conhecemos, "Dia do Deficiente Visual, na prática, deveriam ser todos os dias do ano - nos quais as pessoas, com conscientização e simples atitudes no cotidiano, vão somando forças para que torne a vida do portador de necessidades especiais menos limitada e penosa".


Quer ler mais?

[1]Depoimentos de deficientes visuais
http://revistatpm.uol.com.br/print.php?cont_id=1612
[2]A Deficiência visual e sua historicidade na Inclusão- Por Luciene Moris da Silva Santos
http://www.infoeducativa.com.br/index.asp?page=artigo&id=159
[3] http://www.deficientesvisuais.org.br/
[4]http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1635503-15605,00-BONE+INTELIGENTE+AJUDA+CEGOS+A+DESVIAR+DE+OBSTACULOS+NA+RUA.html


Créditos das imagens utilizadas neste post
[I] rebolinho.com.br
[II] vidaemsociedade-sa.blogspot.com

[III] educaofsicaadaptadaeeducaoespecial.blogspot.com
[IV] prodam.sp.gov.br
[V]nosrevista.com.br
[VI] orelhasquentes.blogspot.com
[VII]mp.se.gov.br


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