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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Projeções de 'data-show' e aluno com Síndrome de Irlen: como conciliar?

Por: Débora Rossini

Ooooooopaaaa!!!! :-) Finalmente tô cumprindo com o que venho prometendo há alguns posts atrás!!!!! Trata-se do...

MANUAL DE "SOBREVIVÊNCIA" AO 'DATA-SHOW' EM SALA DE AULA!!!!! :-D

É fato, meu caro leitor com Síndrome de Irlen: boa parte dos professores de hoje em dia - especialmente os universitários- têm uma incrível "história de amor" com o projetor de data-show!!!! (Risos.) Eles fazem de tuuuuuudo para não abrir mão do dito-cujo de jeito nenhum... E olha o que eles costumam alegar, em conversas informais:

"-- Eles agilizam bastante o andamento das aulas, pois reduz ou até elimina a necessidade de ficar escrevendo na lousa. "

"-- Isso facilita minha preparação de aulas, pois já tenho o material pronto; e se for necessário atualizar ou corrigir algo, faço rapidinho e facilmente as alterações no computador. Afinal, tenho inúmeras outras tarefas para fazer."

"-- Acho mais prático pra dar aula."

"-- (etc, etc, etc, blá, blá, blá...) "

Ok, entendo perfeitamente os motivos que levam os professores a gostarem imensamente dessa tecnologia, em detrimento do quadro-negro! E ela, de fato, facilita bastante o trabalho dos professores ao ministrarem suas aulas. Mas... e se tiver na sala algum aluno com fotofobia (hipersensibilidade ocular à luz)? Até onde eu e vários professores sabemos, não tem nenhum recurso no projetor que diminua a intensidade luminosa... e mesmo que houvesse, ele iria prejudicar os colegas sem fotofobia, já que estes não iriam enxergar o material mostrado, por ficar "escuro" demais para eles! (No caso de um portador de Síndrome de Irlen, é como se ele "enxergasse o ambiente com mais luz do que ele realmente tem", digamos...)

Então, este post foi escrito com a finalidade de dar sugestões diversas, de forma a conciliar o desejo do professor em usar o projetor de slides com as necessidades educacionais de um aluno com fotofobia - particularmente os que têm Síndrome de Irlen.

Observação importante: os portadores de Síndrome de Irlen possuem fotofobia - mas nem toda pessoa com fotofobia tem SI, ok? (Existem diversos distúrbios de visão e doenças oculares que têm a fotofobia como sintoma; e a SI é UM deles.) Este post está voltado para os que têm fotofobia devido à Síndrome de Irlen, devido às particularidades do referido distúrbio visual.

As dicas que se seguem são voltadas para estudantes que possuem sensibilidade ocular excessiva à luz - especialmente Síndrome de Irlen (SI)- e que, no dia-a-dia acadêmico, veem-se forçados a suportar aquele "farolzão gigantesco" (oficialmente chamado de "data-show", "retroprojetor" ou qualquer dispositivo parecido, rerrerré!!!) , repleto de matérias para seguir na aula e copiar... e do qual os professores geralmente não gostam de abrir mão ao dar suas aulas!!!!!! (Nota: as dicas são direcionadas para estudantes jovens e adultos, mas, se você é pai/mãe/professor de alguma criança ou adolescente que se enquadre nas situações descritas neste post, esteja à vontade para adaptar as dicas de acordo com a idade, atividades e quadro oftalmológico de seu filho ou aluno...)


E essas dicas foram formuladas com base no quadro clínico específico, real, de uma pessoa com Síndrome de Irlen, e das estratégias que essa pessoa adota para "contornar" sua situação em sala de aula, na universidade. É bom lembrar que cada caso de SI é um caso - e, por isso, talvez alguns procedimentos que deem certo para essa determinada pessoa não deem certo para outra pessoa com SI que esteja lendo este post. Mas, no geral, acredito que tais dicas possam ajudar muita gente com SI - uma vez que, partindo do princípio que o que incomoda o portador desse distúrbio, ao visualizar slides, é basicamente o excesso de luminosidade, essas dicas ajudam a "contornar" tal excesso.

Podem haver situações em que, mesmo com os óculos com os chamados "filtros espectrais", alguém com SI pode sentir desconforto em relação à luz intensa, por motivos diversos (neuro-adaptação não-concluída, óculos "fracos" que ainda não foram trocados, "desbotamento" da coloração dos filtros espectrais, etc.) Então... se você é estudante e possui SI, vamos lá????

1-- Consegue sentar longe da projeção do data-show? Ou seja, você consegue se sentar mais "atrás", na sala de aula, para acompanhar o que é apresentado? Em caso positivo, use isto a seu favor, já que o "facho" luminoso não vai estar tãããão perto da sua cara assim. Em caso negativo, pule essa dica e leia as próximas; afinal, tem gente que é míope, tem gente que tem falta de concentração (que, aliás, é um sintoma da SI que tem intensidade variável de pessoa para pessoa), tem gente que não tolera a galera do fundão conversando na aula... e que, por pelo menos um desses fatores, se sente melhor sentando lá na frente... E tem gente, principalmente, que, devido à intensidade com que a SI se manifesta, tem a recomendação médica de sentar na frente e na posição centralizada na sala - devido ao campo visual periférico ser comprometido. Ou seja, o oposto do que essa dica queria mostrar... ;-)

2-- No primeiro dia de aula de cada disciplina, converse com cada um de seus professores e conte o problema para eles (se necessário, mostre-lhes o relatório médico comprobatório de sua condição), de forma a facilitar as adaptações no andamento das aulas e garantir que você consiga "pegar" a matéria toda direitinho! E nada de ficar com vergonha de esclarecer o problema, viu???? ;-) Tem gente que se sente inibida ao fazer isso, mas... cá pra nós: "vergonha não é assumir uma determinada condição clínica no ambiente escolar; vergonha, na verdade, é exibir um boletim repleeeeeeeto de notas baixas, a despeito de você ser inteligente e capaz!" (Palavras bem-humoradas de estudante que já precisou de adaptações, por ter necessidades educacionais especiais).
Então, corra atrás de seus direitos como estudante! A lei da Educação Inclusiva está aí, a todo vapor; logo, faça-a valer!!!! :-) Rerrerré!!!!

3--Peça a seus professores passarem para você com antecedência uma cópia dos slides, alguns dias ou horas antes da aula. Assim, você pode visualizá-los nas condições mais adequadas a você - seja através de um computador adaptado (isto é, com as configurações de baixa luminosidade e de contraste que melhor lhe atendam, com ou sem "overlay" colado sobre a tela), seja através de impressão do conteúdo em papel, na cor que melhor lhe convier.
Obs: é raro, mas tem professor que não gosta de ficar passando cópia de slide para aluno, com receio de uso indevido. Se for esse o caso, explique a ele (com jeitinho, claro!!!) que é uma NECESSIDADE que você possui, e que a lei da educação inclusiva está aí a todo vapor! Sugira inclusive a elaboração de um termo de compromisso a ser assinado por você e o professor em questão- de forma a garantir a seu professor que você não vai usar o material de forma indevida... ou então deixe que ele lhe sugira uma outra forma de ter acesso a essas notas de aula, sem deixar você prejudicado em relação a seus colegas! ;-)

4-- Procure treinar sua audição para aprimorar ao máximo sua capacidade de aprender ouvindo, ali durante a aula, sem ficar dependente das imagens ali mostradas no projetor de slides. Aprenda a criar o máximo de "modelos mentais" baseados em descrições verbais - e não tenha vergonha de fazer perguntas ao professor, quando ele ficar apontando a projeção e dizendo: "'Aqui' tem esse gráfico, 'aqui' tem esse ponto..." A essa altura, o professor já deve estar ciente de sua hipersensibilidade à luz- e, portanto, deve ter consciência de que você não pode ficar "firmando" e "forçando" os olhos naquela superfície altamente luminosa... e, portanto, cabe a ele descrever verbalmente, com mais detalhes, "aonde" ele está apontando e "o quê" ele está apontando. (Tal dica também vale quando se trata de alunos cegos ou de visão subnormal, por razões fáceis de entender.)
Procure anotar o máximo de informações que você captar com os ouvidos... e deixe espaços em branco em sua folha de anotações, caso sinta que há partes do conteúdo que parecem estar "fragmentadas". Em um momento posterior à aula, quando você tiver acesso à totalidade do conteúdo exposto, vá completando as anotações. (Funciona como uma forma interessante de estudar!)

5-- Se possível, peça ajuda a algum colega, para obter as anotações. Vale copiar do caderno dele ou pedir emprestado para tirar xérox... só não vale escolher como "ajudante" aquele colega que você SABE que não copia nada na aula e que só fica conversando durante as explicações... rá, rá, rá!!!

As dicas a seguir são direcionadas a professores que tenham alunos com o problema visual descrito no início desta postagem. (Mas se você é estudante, continue lendo assim mesmo! Vai facilitar bastante na hora de trocar ideias com seus professores!)

6- Converse com seu aluno, para ver quais são suas necessidades, a fim de conseguir fazer as adaptações que melhor atendam a ele. Sendo a fotofobia dele devida à Síndrome de Irlen, então, fique mais atento às próximas sugestões abaixo!;-)

7- Pergunte a seu aluno qual é a cor de texto e de fundo que lhe parece ser menos incômoda ao ler slides em projeções - tomando cuidado, claro, para que a cor resultante não seja desagradável e/ou dificulte a visualização dos slides para o restante da turma!!! ;-) Isto é, se seu aluno conseguir ler as projeções desde que tenham determinadas cores... (tem aluno que não vai sentir-se bem com NENHUMA, devido à fotofobia intensa!)

8- Sempre que for possível, use o quadro-negro em alguns momentos da aula, para facilitar ao aluno a visualização de certos desenhos, esquemas, tabelas ou grafias de nomes e termos técnicos. (Obs: o quadro-negro tradicional, de giz, mostra-se melhor que o quadro-branco, de pincel marcador -- ja´que o branco, de superfície brilhante, reflete a luz.
Entretanto, em certas salas de aula - como as de aula prática de Computação- não tem como escapar do quadro-branco, visto que a instalação do quadro de giz tradicional pode danificar as máquinas do recinto, por causa do pó de giz... então o jeito é o aluno tentar se adaptar por meio de outras estratégias em sala de aula, adotadas pelo professor e pelo próprio aluno... ;-)

9-- Evite fazer a projeção dos slides diretamente sobre a superfície de uma lousa branca - pois parecerá que a luz da projeção, tão incômoda para o portador de Síndrome de Irlen, vai ficar "mais intensa" se estiver sobre tal superfície!!! - Isto porque o quadro branco é brilhante e reflete luz! Sempre que possível, prefira projetar sobre um anteparo fosco (várias salas de aula tem esse anteparo, próprio para fazer tais projeções). Em caso de impossibilidade de projetar em uma superfície fosca, tente elaborar os slides com fundo mais escuro (ex: preto com letras brancas). Caso contrário, seu aluno poderá ter um desconforto "daqueeeeles", com dor intensa nos olhos e uma dor de cabeça que custa a dar trégua! :-O

Espero ter ajudado "uma pá" de estudantes com SI, que até então ficavam "estressadões" diante de um data-show... rerrerré! Se você faz parte da galera com SI e tem uma dica adicional que possa somar-se às que já foram dadas, "mande ver" aí, na seção destinada a comentários!!!!! :-D


sábado, 18 de agosto de 2012

Tchan-tchan-tchan!!!! Olha que ACHADO, galera!!!!!

Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! Prometi, no post anterior, que nesta postagem eu traria algumas dicas para o estudante com Síndrome de Irlen que precisa "enfrentar" o retroprojetor durante as aulas (risos)... No entanto, acabei dando uma mudadinha rápida de plano aqui. Você, leitor, não vai ficar "bravo" comigo não, né? Rerrerré!!! Prometo que em breve redijo o post prometido...! ;-)

O que ocorreu foi o seguinte: navegando pela internet afora, deparei-me com alguns vídeos bem legais sobre Síndrome de Irlen, dos quais a maioria está em Inglês. Entretanto, tive uma SURPRESA BEM LEGAL!!!!! :-) EURECA!!!!!!!!!!!!!!

Encontrei um conjunto de vídeos, bem legal, EM PORTUGUÊS, que explica detalhadamente sobre a SI!!!!

Trata-se de uma edição do programa "Brasil das Gerais", da Rede Minas de Televisão (dividida em vários vídeos sequenciais) - na qual o tema do programa, naquele dia, era a Síndrome de Irlen. Em clima de um bate-papo bastante agradável, ocorre uma entrevista com diversas pessoas, sobre o assunto. O programa foi exibido no dia 26/03/2008. (Ooooh, já tem um certo "tempinho", mmmm? Por que será que não achei essa preciosidade antes? Rerrerré!!!)

Nele, além das falas dos profissionais de Saúde e Educação (incluindo aí, claro, os doutores Ricardo e Márcia Guimarães, que são especialistas no assunto e que trouxeram o tratamento da SI para o Brasil), tem também depoimentos bem legais - e detalhados- de pacientes e da mãe de um destes (isso mesmo, de pacientes... dos quais eu vinha sentindo falta até então, rerrerré!), que contam, em entrevista, como eram suas vidas antes e depois do tratamento com os filtros espectrais corretivos deste distúrbio de visão. Vale a pena ver!!!!

Seguem-se os links para a sequência de vídeos, que está disponível no You Tube:
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Parte 5
Parte 6
Parte 7

Obs.1) Nos vídeos a que me refiro, a SI vem denominada como "Dislexia de Leitura" - uma vez em que, frequentemente, há pacientes que apresentam características da Dislexia com as de SI concomitantemente.

Obs. 2) Para a galera que é surda sinalizada e que curte este blog de montão: os vídeos possuem intérprete de LIBRAS, no canto esquerdo do vídeo. (Uh-rrúúú!!! Acessibilidade!!!)

Como os leitores do "Sopa" poderão perceber, é um material sobre SI bem rico e detalhado em português, que mostra simultaneamente a visão dos profissionais E dos pacientes!!!!! :-) Era algo como isso que eu estava procurando!!! :-)



E você, leitor, o que acha? Fique à vontade para comentar no
espaço abaixo!!!! E se você tiver encontrado mais algo interessante sobre o
tema pela internet afora, compartilhe os links aí! :-)


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Adaptações na escola, para portadores de Síndrome de Irlen

Por: Débora Rossini

Ooooooopaaaa!!!!! Demorou, mas enfim, chegou o texto que prometi no post anterior - ou seja, um post trazendo algumas dicas para a pessoa com Síndrome de Irlen (SI) ter um pouco mais de conforto no ambiente escolar. Eu li as dicas no site americano Irlen Syndrome, escrito por David Accola (que é portador de SI) - e fiz um resumo principal em português do que está escrito ali. (Se você consegue ler em Inglês e quiser ver o texto original, clique aqui).

São dicas simples e fáceis de pôr em prática no ambiente escolar. Em seu texto original em Inglês, David Accola ainda faz uma sugestão: "Se você possui SI e está tentando obter adaptações em seu ambiente de trabalho ou escola, seria de grande ajuda se você imprimisse esta página [a do site dele] e a mostrasse para seu professor, orientador educacional/pedagógico , ou qualquer pessoa que poderá tornar seu dia-a-dia mais fácil". Legal, não é? Afinal de contas, poucas pessoas (ainda mais aqui no Brasil) sabem acerca da SI - excetuando, claro, os (relativamente poucos) profissionais que trabalham com a SI por aqui e também pacientes que tentam correr atrás do máximo de informações que puderem. Sendo assim, muitas vezes, os próprios pacientes é que acabam "ensinando" para o professor como lidarem com um aluno com esse distúrbio visual.





Em tempo: se você é professor , pedagogo ou gestor escolar, e quer fazer
cursos mais aprofundados sobre a SI, com profissionais que entendem do assunto aqui no Brasil mesmo: sua chance existe! Dê uma olhada neste site aqui:
http://www.dislexiadeleitura.com.br/portal.php .
Vira-e-mexe, são promovidos cursos de capacitação sobre o que é a SI e , até mesmo, de como se tornar um "screener" (aquele profissional
capacitado para detectar casos suspeitos de SI, a fim de encaminhá-los para atendimento oftalmológico especializado). Voilà!!!! :-)



Vamos lá, então, às tão esperadas dicas de adaptação do portador de SI na escola? ;-) É bom lembrar que estudantes com SI são bastante sensíveis à luminosidade ambiente e a reflexos luminosos que ocorrem em páginas impressas de cor branca e que são brilhantes - o que gera "distorções" na forma como eles veem os caracteres impressos, resultando em diversas formas de desconforto (dor nos olhos, dor de cabeça, cansaço, dificuldade de concentração e memorização, etc).

-- Questão da iluminação: David Accola sugere que os tipos de iluminação menos incômodos para uma pessoa com SI são: iluminação natural indireta ou então lâmpadas incandescentes. (No entanto, em um post anterior, dei aos leitores do "Sopa" alguns palpites para "aguentar o tranco" em ambientes nos quais tem luz fluorescente e que não dá para realizar a troca das lâmpadas... rerrerré!!!) Enfim: vale tentar o que for mais viável para reduzir o incômodo!!!! ;-) Só não vale ficar "sofrendo" por aí, rerrerré!!! :-) Ainda segundo o blogueiro americano, enquanto houver luz natural no ambiente, vale a pena aproveitá-la ao máximo - evitando, assim, acender as luzes do cômodo. Ah, e mais: vale lembrar que é a LUZ INDIRETA que vai trazer conforto para quem tem SI; portanto, "não vale" ficar de frente para a janela, ok?

-- Uso de "lâminas" coloridas (também conhecidas como "overlays"): São folhas de acetato, coloridas, que são colocadas em cima da folha com o texto a ser lido, a fim de proporcionar maior conforto ao paciente. Essas lâminas são apresentadas e prescritas por profissionais que entendam de Síndrome de Irlen (seja um profissional de Educação capacitado como "screener" de SI ou um profissional de Saúde capacitado para diagnosticá-la e tratá-la). Um desses profissionais capacitados irá fazer um teste com o portador de SI, e vai ajudá-lo a descobrir qual será a cor da lâmina mais adequada para colocar em cima de um texto impresso (e, assim, ajudar a aliviar o desconforto ao ler).
Vale lembrar que a cor que serve para um paciente não necessariamente servirá para outro!!! O uso de uma lâmina com a cor errada poderá, inclusive, piorar os sintomas! :-( Portanto, é importante que se faça um teste para atender às necessidades individuais do paciente. Além do mais, é importante assinalar que as cores de tais lâminas nem sempre coincidem com as cores dos óculos com filtros espectrais.

--Papeis coloridos para leitura e escrita, sempre que possível: segundo David Accola sugere, vai proporcionar maior conforto na leitura e escrita do paciente, dando efeito similar ao dos overlays. Mas o autor aponta que é necessário detectar, com a ajuda profissional, qual é a cor de papel mais adequada e que trará maior conforto; do contrário, a escolha errada irá proporcionar desconforto ao paciente, tal como o papel branco! Uma dica adicional do autor: papel reciclado, com suas colorações características, podem trazer mais conforto que o papel branco; vale experimentar!!!

--Posição do livro ao ler: segundo David Accola, o melhor é colocá-lo em frente ao portador de SI. Aquela história de colocar o livro meio que de lado (muito comum quando dois estudantes compartilham um mesmo livro quando estão estudando em dupla, ou fazendo algum trabalho juntos), pode causar cansaço mais rápido para o portador de SI.

--Retroprojetor: David Accola sugere reduzir AO MÁXIMO atividades que envolvam o uso de retroprojetor. (Fácil de entender o porquê...! Fica aquela luz "fortona" na cara do paciente, obrigando o "coitado" a ler e copiar conteúdos sob luz intensa, dando-lhe cansaço extremo!!! Aaaafffff!!!!!)
Obs: frequentemente, há professores - sobretudo universitários - que não abrem mão de jeito nenhum do "danado" do retroprojetor, alegando razões diversas!!!! :-( Já que, na prática, fica difícil para um estudante com SI ter aulas sem esse equipamento, prometo no próximo post trazer algumas dicas para que alunos com tal distúrbio consigam "dar a volta por cima" durante as aulas - de forma que haja uma conciliação entre a vontade do professor e as necessidades/limitações de tais alunos.

--Lousas brancas x lousas escuras: David Accola aponta que os quadros de fundo escuro, nos quais escrevem-se com gizes brancos ou de cores claras, são mais confortáveis para a leitura do que os quadros brancos - que, além de terem a cor de fundo do texto desagradável para um portador de SI, ainda proporcionam um incômodo "extra", por causa do brilho da superfície. Assim sendo, seria legal que, sempre que possível, os professores utilizassem os tradicionais "quadros-negros" em vez dos modernos quadros-brancos.
Ele também sugere que os professores "repartam o quadro" e escrevam em colunas, em vez de escreverem todas as linhas usando toda a largura da lousa. Isto tem um motivo fácil de entender: é para minimizar o "embaralhamento" da leitura pelo portador de SI, que irá piorar se ele tiver de ler linhas extensas.




Palpitinho adicional da "Sopeira" aqui: tem também
aquele detalhe, de que as pessoas com SI costumam ter leitura mais lenta e
segmentada que o normal. Caso você tenha SI e tenha algum(a) professor(a) que
tenha estatura baixa e consequentemente menor disponibilidade de área da lousa
para escrever (e que por isso mesmo, o quadro "encha mais rápido" com a escrita
dele), peça para ele esperar um pouquinho mais de tempo para realizar a cópia da
matéria, antes de apagar a lousa!!!
Caso a sua velocidade de cópia seja muuuuito lenta - e, assim, o
professor não possa esperar taaanto tempo adicional, a fim de não prejudicar o
andamento da aula para os outros alunos- opte então por uma das alternativas:
pedir, antes da aula,para o professor, uma cópia xérox das notas de aula
(eliminando, assim, sua necessidade de copiar da lousa); ou então pedir para
algum colega de confiança para emprestar-lhe o caderno depois das aulas, para
você copiar com calma o conteúdo ou "xerocar" o caderno dele... ;-)



Outras dicas apresentadas pelo blogueiro americano:

--Experimentar copiar a matéria de um papel a outro (ex: caderno do colega, livros, etc) em vez do quadro para o papel traz mais conforto, devido à posição e distância entre uma superfície e outra;

--Usar um marcador (régua, marca-texto, etc) para facilitar a leitura em papel, evitando que os olhos "pulem" involuntariamente de uma linha do texto para outra. É sugerido que o marca-texto tenha a cor indicada para o "overlay";

--Se tiver problema em ler e responder questionários na tela de um computador, experimentar imprimir o questionário em papel, responder e depois solicitar a uma outra pessoa para transcrever as respostas para o formulário eletrônico; dar pausas para descanso, sempre que for necessário, após tarefas de intenso esforço visual.

--Se necessário, aproveitar que existem materiais didáticos em áudio por aí, e... "mandar ver" neles como forma de auxílio nos estudos!
Palpitinho da "Sopeira" aqui: o autor não especificou, mas acredito que essa medida seja para os casos mais graves de SI, nos quais há comorbidade com distúrbios tais como Dislexia, por exemplo. Bom, mas, de toda forma, a opção está aí, e vale experimentar! ;-)

Bom, o post ficou grande, mas... espero ter ajudado diversos estudantes brasileiros com SI que tenham por aí - bem como seus respectivos professores. Até o próximo post! :-)

Atenção: as informações contidas neste post (e em
diversos outros, também!) são de
caráter meramente e exclusivamente
informativo
. Não sou profissional de Saúde; que isso fique bem claro, ok? :-) Sou apenas uma estudante de Ciência da Computação que desempenha diversas tarefas relacionadas à Educação Inclusiva e Tecnologias Assistivas. Em caso de quaisquer dúvidas que exijam um conhecimento formal e mais aprofundado para solucioná-las, recomendo aos leitores que consultem um profissional capacitado para tal. ;-)

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Você tem Síndrome de Irlen? Confira algumas dicas para minimizar seu desconforto visual no ambiente de sua casa!

Por: Débora Rossini

Ooooopa!!! Prometi que ia trazer através do "Sopa" algumas novidades sobre Síndrome de Irlen, descobertas em sites americanos, e cumpri!!!! O site Irlen Syndrome traz (em inglês) diversas explicações sobre a SI do ponto de vista de pacientes norte-americanos - bem como vídeos (um deles feito pelo próprio autor do site , David Accola) , depoimentos e dicas para o paciente sentir-se mais confortável em casa , na escola e, principalmente, em frente ao computador. ( Obaaaa!!! Essas dicas para usar o computador são bem interessantes - uma vez que entre as maiores amolações na vida de uma pessoa com Síndrome de Irlen (SI) está a hipersensibilidade ocular à luz... e o computador, por meio do monitor, "joga" luz na cara da pessoa o tempo todo, né? Rerrerré!!!! )

Bom, vou trazer as principais dicas que o autor do site colocou. Obs: não estou fazendo tradução exata dos textos - por receio de cometer alguns errinhos que comprometam a exatidão do conteúdo. Dessa forma, eu preferi optar por escrever, com minhas próprias palavras, as principais ideias do texto - como uma espécie de resenha... "manjô"? ;-)

Para evitar que o post fique grande e cansativo de ler, vou colocando as dicas por partes, em postagens diferentes. No post de hoje, vou relatar as dicas para adaptações em ambientes domésticos. Ok?

Então... "voilà" !!!!

-- Papeis de parede: segundo o autor do texto, papeis de parede com muitos desenhos, detalhes e padrões repetitivos podem causar uma espécie de, digamos, "poluição visual" que acabará por causar fadiga visual na pessoa com SI. Isso porque os desenhos serão vistos de uma forma peculiar ao portador de SI, causando distorções visuais que levarão o paciente à fadiga.

--Luzes fluorescentes para ler e estudar: se você tem SI e é daquelas pessoas que têm como hábito fazer seus trabalhos de escola ou faculdade em qualquer cômodo - desde que haja mesa e cadeira nele- , fique esperto! :-) Em cômodos com lâmpada fluorescente, se o paciente senta exatamente debaixo da fonte luminosa, rapidinho vai bater aqueeeeele cansaço visual e aqueeeela sonolência! :-( Há pesquisas que mostram que, em determinadas tarefas de leitura e escrita, as pessoas com SI costumam ter pior desempenho sob luzes fluorescentes do que sob as incandescentes. O autor do site sugere substituir as lâmpadas fluorescentes por incandescentes.

(Palpitinho da "Sopeira" que pilota este teclado: é claro que não tem como fazer isso em ambientes públicos - tais como escolas, bibliotecas públicas, etc - ou na casa de outras pessoas, né...? Além disso, mesmo em sua própria casa, pode também haver uma certa "resistência" à ideia da troca do tipo de lâmpada - visto que as fluorescentes consomem menos energia elétrica...!!! Sugestões alternativas: se você tem SI e está incomodado com a luminosidade ambiente, procure sentar de forma que não fique exatamente debaixo da lâmpada; ou tente conseguir um pouco de sombra, sentando em uma posição em que seu corpo, objetos, móveis ou componentes arquitetônicos sombreiem um pouco o papel no qual você lê ou escreve! )

-- Luz mais fraca ajuda: embora a gente ouça de nossos pais e professores, desde crianças, que "luz fraca faz mal para os olhos", o desconforto visual provocado pela leitura e escrita em ambientes com luz mais fraca não vai estragar os olhos de quem tem SI. Pelo contrário: a luz um pouco mais fraca que o comum vai até dar ao paciente um pouco mais de conforto. Se você tem SI e se sente melhor em um ambiente com luz mais fraca, está valendo! (Outro palpitinho da blogueira aqui: para o portador de SI, é importante que ele verifique, por tentativa e erro, qual é a intensidade da luz que lhe é confortável... não vale abaixar MUITO a luz e depois ficar "morrendo" de dores de cabeça, né? Então, diminua a luminosidade ambiente GRADATIVAMENTE, até que se sinta confortável, sem exagerar na diminuição... se achar que diminuiu demais, volte aumentando pouco a pouco, até achar o "ponto" ideal... ok?)

Quem entende algo de inglês e quiser ver o texto original - no qual inspirei para escrever este post- pode acessar aqui: http://www.readingandlight.com/accommodations/home .

Enquanto você "degusta" este post, estou elaborando os próximos - com dicas para adaptações no ambiente escolar e no computador. Aguarde!!!! :-)