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(Crédito da foto: www.santoscity.com.br)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Práticas Inclusivas no Ensino de Física e Matemática"

Por: Débora Rossini


Oooooopaaaa!!! De novo ao batente na blogosfera! :-)


Bom, o Fórum de Integração Universitária da Universidade Federal de Lavras encerrou-se, mas o “Sopa” estava devendo aos leitores o relato de mais um minicurso ÓTIMO que teve no referido evento, e que ocorreu em dois dias (terça e quarta-feira)!!!!


O minicurso, denominado “Práticas Inclusivas no ensino de Física e Matemática”, foi ministrado por Paola Trama Alves dos Anjos, mestranda pela UNESP. Ela faz mestrado na área de Educação em Ciências, para deficientes visuais. Curiosidade para os leitores: adivinhem quem é o orientador dela????? É o professor Éder Pires de Camargo! Você, leitor do “Sopa”, que vem acompanhando todas as postagens, certamente lembra-se dele: é o professor de Física da UNESP, que é deficiente visual e do qual foi falado na postagem do dia 09/02/2011, intitulada “Física para Deficientes Visuais: você já pensou nisso?” Mas se você é um leitor do “Sopa” que está chegando agora a este site, não fique acanhado: é só acessar o referido post, que aí você vai saber quem é este professor "show de bola"!!! :-)


Bom, vamos falar sobre o minicurso?


No primeiro dia, a abordagem foi teórica: foi explicado o que é um deficiente visual – do ponto de vista médico e educacional - , como fazer para atender às suas necessidades educacionais, como elaborar uma aula em uma sala de aula regular que contenha deficientes visuais, etc. O mais legal é que a prelecionista destacou alguns pontos interessantes:







    • Geralmente, tem muito educador que diz assim: “Tenho 40 alunos na minha sala, e 1 'de inclusão'”. É importante que, urgentemente, os professores mudem esse modo de se expressar, e passem a dizer “Tenho 41 alunos”... e pronto! Isto porque o aluno 'de inclusão' – leia-se, aluno com necessidades educacionais especiais- é um estudante como qualquer outro; só que necessita de equipamentos e metodologias que atendam ao seu modo de aprender;







    • Tem muito educador que, ao receber a notícia de que vai ter um aluno com necessidades especiais, exclama: “Nossa, vou ter então que preparar duas aulas, com dois materiais didáticos???? Um para a classe regular e outro para atender a esse aluno 'especial'”? Claro que não... pode-se -e deve-se!- preparar uma aula só, segundo a prelecionista Paola. E como preparar essa aula? Oras, atendendo ao conceito de “desenho universal”, e de forma que ela atenda a todos os alunos da sala! Assim sendo , a aula e os materiais devem ser elaborados de tal modo que tanto um estudante “sem deficiência” possa compreender e utilizar a seu modo, quanto um estudante com necessidades especiais (ex: visual) possa compreender e utilizar do jeito que lhe for mais adequado.




Exemplo: suponhamos que numa classe de 41 alunos, um destes seja deficiente visual e o restante seja “sem deficiência”. As aulas devem ser elaboradas de forma que tanto quem aprende visualmente quanto quem aprende sem a visão podem acompanhar! E no que se refere a materiais didáticos, eles devem ser elaborados de tal modo que estimulem os diversos sentidos (ou seja, multissensoriais). Assim, quem enxerga pode valer-se de tais materiais, ao ser estimulado visualmente e de modo tátil, por exemplo. E quem não enxerga, pode utilizar esse mesmo material utilizando os ouvidos e/ou o tato, por exemplo. Resumindo: quanto mais sentidos os materiais estimularem no aluno, melhor! Aí cada aluno utiliza os sentidos que lhes são possíveis , ou os de sua preferência!


No segundo dia do minicurso, foi uma demonstração prática de como tais materiais multissensoriais funcionam. A prelecionista Paola levou, para a plateia, alguns materiais didáticos confeccionados com materiais de baixo custo (isopor, lã,arame,palitos, etc), e que podem ser confeccionados facilmente por qualquer pessoa (tanto por professores, quanto monitores, como pelos próprios estudantes). Assim sendo, foi possível ver um sistema cartesiano, para representação de gráficos, em alto-relevo , confeccionado com linhas, isopor e alfinetes; disco de Newton com adaptações de estimulação sonora e olfativa (para atender também àqueles estudantes que não enxergam); modelo esquemático de astronomia, explicativo de como ocorrem os eclipses, feitos com linhas, arames e bolas de isopor, que funciona tanto para quem vê quanto para quem não vê (e, aí, entra em cena a percepção tátil)...




TESTADO E APROVADO!!!


Na plateia, havia um estudante cego, que “testou” os materiais utilizando os sentidos que lhe são remanescentes. Deu pra ver que o rapaz gostou bastante, e compreendeu direitinho fenômenos físicos e modelos matemáticos que, normalmente, são representados por meio de desenhos na lousa e nos livros (algo inacessível para um cego!!!)


Os materiais foram passando de mão em mão para o restante da plateia, que era normovisual. Percebeu-se, pelos comentários, que, “quem tem visão normal, vê e entende perfeitamente a explicação dada por meio de tais materiais multissensoriais... mas, quando fecha os olhos, não consegue entender nada! Os deficientes visuais conseguem , mas os normovisuais não!"


Paola esclareceu que os deficientes visuais costumam ter os sentidos remanescentes mais , digamos, treinados, que um normovisual de olhos fechados. Esse fenômeno dos sentidos remanescentes mais apurados é por causa da prática que os deficientes visuais possuem, com a estimulação constante de tais sentidos, já que não podem contar com a visão!


(Só de curiosidade: é claro que um normovisual que já foi deficiente visual - e que recuperou a visão há relativamente pouco tempo- poderá ter tanto a percepção típica de um normovisual quanto a percepção característica de um DV. Aí, neste caso excepcional, é como se tivessem duas 'pessoinhas' dentro daquele corpo: uma que enxerga e uma DV, bastando, para isso, abrir ou fechar os olhos. Mas cada caso é um caso, viu?????? Nem todo mundo é assim... tem "ex-cego" que, mesmo enxergando com os olhos, ainda tem dificuldades de percepção visual e, ao "atrapalhar-se" com o raciocínio visual, continua usando os sentidos remanescentes, na busca por um melhor desempenho em suas atividades. Futuramente, há planos de postagem de textos aqui no "Sopa",contando como é a percepção sensorial de “ex-deficientes visuais”. Aguarde...! )


Foram bastante enriquecedores os dois dias deste minicurso. Valeu a pena!!!!


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